*Não há casos suspeitos da doença em Três Pontas sendo investigados. Por isto, vacinação segue apenas em quem foi imunizado há mais de 10 anos, mas moradores estão superlotando os postos de saúde

A morte de macacos está preocupando os moradores do Sul de Minas, por causa do risco da transmissão da febre amarela. É que o mosquito aedes aegypti, que transmite a dengue, chikungunya e o zika virus, também pode transmitir a doença. Se o macaco estiver infectado com febre amarela, ao picá-lo, o mosquito aedes fica com o vírus encubado e, assim, pode transmiti-lo para humanos.

Em Três Pontas, segundo o Serviço de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o material colhido em três macacos já foram enviados à Secretaria de Estado de Saúde em Belo Horizonte para exames. Dois dos primatas já morreram e estavam no Centro e no bairro Ponte Alta. O único que foi encontrado morto estava próximo de um poste de iluminação. Um deles ainda estava vivo quando o material foi recolhido, mas morreu pouco tempo depois. O terceiro ainda está vivo e sendo observado pelos profissionais da equipe. Seguindo as determinações da Gerência Regional de Saúde (GRS) de Varginha, acontecerá um estudo das áreas onde os primatas foram achados para ver a possibilidade de vacinação a quem reside nestes locais.

De acordo com o médico veterinário do Serviço de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde Marcelo de Figueiredo Gomes, pesquisas nas matas em Três Pontas foram feitas e diversos macacos foram encontrados, aparentemente sadios. Por isto, a recomendação é manter a vigilância dentro do município e ao redor para verificar o primeiro sinal do surgimento de macacos doentes ou mortos para que as medidas emergenciais possam ser tomadas. Sem falar que as mortes podem ocorrer por exemplo por choque elétrico. “As pessoas não devem de forma alguma matar os animais. Eles não transmitem a febre amarela diretamente ao ser humano, a transmissão da doença é através da picada do mosquito aedes aegypti”, alerta Marcelo de Figueiredo. Quem encontrar alguma carcaça de macaco ou algum animal vivo, mas aparentando alguma doença, deve entrar em contato imediatamente com a Secretaria de Saúde para que a equipe possa coletar material para exames, detectando precocemente a chegada do vírus.

A coordenadora do Programa de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde Lara Miranda, afirma que não há casos de febre amarela registrados em Três Pontas e a situação não preocupa. A Secretaria segue as determinações do Ministério da Saúde e não há campanha enquanto não se tem nenhum caso confirmado. O que está sendo feito é a imunização de rotina. Devem procurar as unidades básicas de saúde, quem se imunizou a mais de 10 anos, conforme consta no cartão de vacinas que é fundamental a pessoa ter guardado. A estratégia de duas doses adotada no Brasil, é segura e garante proteção durante a vida. A população que não vive na área de recomendação ou não vai viajar para os locais onde há o surto, não precisa buscar vacinação neste momento. “Não estamos fazendo a vacina discriminadamente, pois existem critérios e ela pode causar muitas reações, adiantou Lara.

A procura está gerando tumulto nos postos de saúde, que não estão conseguindo atender toda a demanda.

O que é a febre amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por vetores. Geralmente, quem contrai este vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela.

A manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos — a diferença está apenas nos transmissores. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito haemagogus. Já no meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue). A infecção acontece quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra ela circula em áreas florestais e é picada por um mosquito infectado. Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o aedes no meio urbano. Os macacos podem desenvolver a febre amarela silvestre de forma inaparente, mas ter a quantidade de vírus suficiente para infectar mosquitos. Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.

Campanha esclarece sobre vacinação contra febre amarela 

O Ministério da Saúde lançou na sexta-feira (10), uma campanha para esclarecer quem precisa se vacinar contra a febre amarela neste momento e explicar à população em geral que não há necessidade de vacinação de todos.

Com o slogan “Informação para todos e vacina para quem precisa”, a campanha será dirigida aos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais, com duração de um mês. Em um segundo momento, deverá ser estendida a outros estados.

Vacinação

A campanha alerta que os grupos prioritários são aqueles que vivem ou irão viajar para áreas afetadas pela febre amarela no País, como: leste de Minas Gerais, oeste do Espírito Santo, oeste da Bahia, além do noroeste do Rio de Janeiro, que está localizado na divisa com áreas que têm registros de casos.

As peças da campanha orientam a pessoa a procurar a unidade de saúde mais próxima para tomar a vacina. A vacinação de rotina é ofertada em 19 estados do País com recomendação para imunização.

Atualmente, o esquema de vacinação da febre amarela é de duas doses, tanto para adultos quanto para crianças. As crianças devem receber as vacinas aos nove meses e aos quatro anos de idade. Assim, a proteção está garantida para o resto da vida. Dos seis aos nove meses de idade incompletos, a vacina está indicada somente em situação de emergência epidemiológica ou viagem para área de risco.

Para adultos que não tomaram as doses na infância, a orientação é uma dose da vacina e outra de reforço, dez anos depois da primeira.

Quem perdeu o cartão de vacinação deve procurar o serviço de saúde que costuma frequentar e tentar resgatar o histórico. Caso isso não seja possível, a recomendação é iniciar o esquema normalmente.

A população que não vive na área de recomendação ou não vai se dirigir a essas áreas, não precisa buscar a vacinação neste momento. (Fonte: Ministério da Saúde)

 

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