“Quem te sagrou, criou-te Português?”

Todos nós já sabemos que muitas coisas em nossas vidas não acontecem por acaso. Na verdade, a maioria das pessoas pensam por esse lado, outras não acreditam em destino. Eu acredito em destino, em planejamentos e em comportamentos.

Imigrar não é uma mudança fácil. Não é um “conto de fadas” como muitas pessoas pensam. Passamos por situações constrangedoras, por situações agradáveis, por lugares maravilhosos, por lugares infandos, por espaços subjetivos dentro da nossa alma que nunca estivemos, encontramos pessoas que nos dão o céu e a estrela e pessoas que nos ignoram simplesmente porque você é um imigrante.

Isso acontece em muitos países da Europa, o que é completamente diferente dos Brasileiros e dos Portugueses. Todos nós sabemos que o Brasileiro tem algo diferente que nenhum outro estrangeiro possui, mas o Português também tem algo diferente que nenhuma outra nacionalidade possui.

20160423_145413Algumas pessoas imigram porque têm oportunidades que não teriam no país natal, outras imigram por pura e simples aventura, diversão e novas visões culturais e outras imigram por oportunidades de trabalho e estudo. Deixar a família não é fácil, assim como deixar o que já está formado dentro de nós não é fácil, ignorar o nosso padrão comportamental não é simples, todavia o mais bonito disso tudo é conhecer as diferenças e passar uma dificuldade gigante para aprender a lidar com elas. Chamamos isso de experiência concordam?

Depois de alguns anos viajando por alguns países e vivendo em outros, Portugal não é um país arriscado e assombroso de se viver, mas claro, isso depende da maneira como você encara a cultura portuguesa. Os portugueses são nossos irmãos, e o mais interessante é que sempre soubemos que lidar com irmãos não é fácil, mas são as pessoas que mais amamos. Estar em Portugal foi um sopro de renovação. E que renovação! Foi Sudoeste Europeu na veia.

Já escrevi em vários artigos que a mudança ocasiona medos. E que medos! Todavia, a partir do momento que você passa a enfrentá-los e enxergá-los como se existissem outras oportunidades, o “ritmo cardíaco desacelera.” Por que não, eis a questão? Por que temos que nos manter sempre  dentro do nosso quadrado?

Poder todos podem. Podem sim! Basta você aprender a direcionar o que você quer, como você quer e o mais importante: como você pode.  Ontem recebi de uma amiga um post muito interessante sobre Portugal, segue o link: https://www.buzzfeed.com/gilozzy/34-razoes-para-nunca-visitar-portugal-t74s?utm_term=.uhkYw8Wam que vale a pena ler. Certamente entenderão o que estou dizendo.  MAS PRONTO (como dizem os portugueses), não é só isso. É você sentir na alma uma frase que sempre leio quando estou no metrô “Não sou ateniense, nem grego, mas sim um cidadão do mundo”. Sócrates com certeza sabia o que dizia.

Ter que se virar e passar alguns apertos. FAZ PARTE. É difícil e tem horas que essa solidão parece maior, quando você entra no Facebook e vê que sua família continua fazendo churrasco no domingo e seus amigos mantêm a agenda cheia. Essa fase é difícil, mas passa! E quando você sai dela, você se sente mais forte do que nunca. Aprender que o ritmo de vida é lento, e não que eles sejam devagar. Entender que eles processam as informações de outra maneira, e talvez informações que para nós são lógicas e para eles não, e claro, se pode dizer o contrário.

Aprendemos que ostentação é realmente uma idiotice. Que trocar de carro todo ano, morar em uma mansão, e várias outras situações que prefiro não mencionar custam muito dinheiro e talvez isso não seja o mais importante até porque Portugal está em crise. Aprendi que é possível fazer coisas simples sendo muito feliz.

Aprendi que têm pessoas que moram em UM QUARTO, trabalham de dia e noite, ganham pouco e mesmo assim não desistem porque ir em frente e vencer a si próprio são o maior desafio. Ser tolerante é o essencial e ser receptivo também mesmo que você esteja no país deles. Misturar as línguas mesmo que seja português. Perder alguns benefícios e ir em frente faz parte. Tem dias que você quer gritar e quer que seus pais lá do outro lado “do mundo” te escutem, mas é bom nessa hora olhar quais são os problemas, os desafios e suas limitações. Imigrar é ter esperança e ser forte, rir alto e sofrer, viver o momento sorrindo e chorando, sonhar grande e lembrar que você é amado e por isso jamais desista de seus sonhos.

Com muito carinho,

Mariana

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Mariana Azevedo Ximenes é psicóloga e atua na Psicologia Cognitiva e Psicologia do Esporte. Tem três livros publicados, diversos artigos e várias palestras ministradas. Fumec/USP/Unb

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