*Antônio do Lázaro foi condenado a indenizar com R$3 mil à funcionária que ele acusou de estar levando o presunto da Câmara embora para casa

O vereador Antônio Carlos de Lima, Antônio do Lázaro (PSD), foi condenado a pagar uma indenização de R$ 3 mil à servidora Nídia dos Santos Xavier, que é auxiliar legislativo na Câmara Municipal de Vereadores de Três Pontas a 22 anos. Em julho de 2011, o legislador teria acusado a funcionária de levar para casa o presunto que é servido durante o café na Casa. Além de reclamar com um companheiro de vereança, não satisfeito, Antônio do Lázaro pegou e abriu a bolsa de Nídia para verificar se o presunto estava lá.

Ela entrou na justiça e no último dia 15 de junho, a sentença condenando Antônio, que na época cumpria seu primeiro mandato, foi assinada pela juíza da Comarca de Três Pontas Dra. Raíssa Figueiredo Monte Raso Araújo, mas a publicação só aconteceu nesta segunda-feira (22). A decisão é de primeira instância e ele tem 15 dias para recorrer. Ele já havia sido condenado criminalmente e por ser réu primário, pagou um salário mínimo para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). Agora por danos morais, a Justiça determinou que ele indenize a auxiliar legislativo.

‘O presunto rendeu’ANTONIO 1

Antônio do Lázaro tomava café na cozinha com o então vereador Geraldo Alves Lopes (PMDB) em uma segunda-feira (04), dia de sessão ordinária na Casa e reclamou que não havia presunto para rechear os pães de queijo, porque a servidora Nídia estaria levando o presunto para casa. Mais do que acusar, ele foi até o armário onde a auxiliar legislativo costuma guardar sua bolsa, aberto o acessório para verificar se o produto estava mesmo sendo levado. Ele teria chamado Geraldinho para verificar, mas ele se negou.

O presidente da Câmara na época Sebastião Pacífico, na quarta-feira (06), chamou a servidora para conversar, contar o ocorrido e informar sobre as acusações do vereador de que ela estaria roubando o presunto.

Bastante abalada emocionalmente, Nídia foi até a Delegacia de Policia Civil, registrou um Boletim de Ocorrências que gerou um Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO) e o caso foi parar na Justiça.

Opiniões

O caso se arrasta desde 2011 e as advogadas da vítima Francislaine Vicentini Batista e Rosemeire Dias avaliam que é absurda o ato do vereador e que ninguém tem o direito de acusar ninguém sem prova, por isto é preciso ser feito justiça. Elas consideram que o valor deveria ser maior, devido ao dano causado à moral da funcionária, mas ressaltam que a condenação não apaga a imagem e o sofrimento que ela passou.

Para Nídia Xavier, o resultado prova sua dignidade e que se sente aliviada, mas acrescenta que este é um trauma que nunca vai tirar da memória, a situação que viveu. A servidora da Câmara se sentiu motivo de gozação nas ruas e nas redes sociais. As consequências disso foram drásticas. Ela teve depressão e teve que evitar sair de bolsa, tamanho era os comentários. “Os comentários eram sempre maldosos e até hoje as pessoas ficam me perguntando. Eu nunca na vida pensei que passaria por isto. Ser reconhecida por tanta gente por uma acusação absurda como esta”, revela Nídia Xavier.

A Equipe Positiva tentou contato telefônico durante toda a tarde com Antônio do Lázaro mas ele não respondeu as ligações. No depoimento, o vereador disse que tudo não passou de uma brincadeira.

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