Gostaria de falar neste artigo sobre as três maiores tendências sociais de todos os séculos e talvez dos próximos dez mil anos: amor, medo e mudança. Quero começar a escrever sobre o amor que certamente faz e fez parte da vida de todas as pessoas, seja no sentido afetivo, amigo, materno, paterno…

“O que é amar?” Shakespeare perguntou. Bem, os seres humanos têm colocado esta questão desde que se sentavam à volta da fogueira ou se deitavam para ver as estrelas há um milhão de anos. Pela observação psicológica das pessoas no geral, observo que existem sim alguns “movimentos” que acontecem quando amamos (positivos), mas que, ao mesmo tempo se ligam fidedignamente com o medo e a mudança.

A primeira coisa que acontece com a pessoa é que ela começa a desenvolver o que eu chamo de “significado especial” à pessoa amada. Como se o mundo tivesse um novo centro e então, focamos apenas naquela pessoa, o que significa que aquele mundo de ontem já não existe mais (mudança, medo e luto).

Acabamos por listar o que não gostamos na pessoa amada, mas varremos tudo isso do nosso pensamento e focamos naquilo que gostamos, o que gera uma inconsciente insegurança, pois sabemos que o que varremos do pensamento um dia voltará. Ah, mas o amor também nos trás o desejo. O intenso desejo de estar com uma pessoa não só sexualmente, mas também emocionalmente. A questão é que todo esse vulcão de sentimentos (amor, medo, mudança, desejo) está envolvido com outros sentimentos, e se não soubermos lidar com eles toda essa “doce história” transforma-se em um novelo.

O nosso cérebro sempre busca uma referência, uma ordem. Organizamos nossas vidas em cima de rituais, e isso é necessário para nosso cérebro ter a tão esperada informação de segurança e/ou sensação de que vamos sobreviver. Então muitas vezes diante de um amor ou de uma mudança, ainda que racionalmente pensássemos que seria o melhor para nós, outra parte não racional enxerga aquela situação como uma ameaça.

Ale1Uma mudança ela vem basicamente de três pilares: querer, saber e poder. Querer é o seu desejo. Isso é importante porque a pessoa precisa determinar o que ela quer e não o que ela não quer, ou seja, existe uma grande diferença entre “não quero errar X quero acertar”. Saber como fazer é também extremamente importante (principalmente em um relacionamento), pois é quando definimos os nossos passos, ou seja, o que precisa ser feito para concretizar o que desejamos? O poder é a parte mais difícil da mudança ou da coragem se assim pode-se nomear, pois algumas pessoas agem como se fossem morrer diante de uma mudança. Sim nós morremos de uma fase dolorosa e nascemos para uma fase nova. Alguns processam essa morte com medo por temer o desconhecido.

Como podemos temer algo que não existe? Na verdade o medo que temos é o medo de que aconteça o que já aconteceu lá atrás. Por que às vezes ter um relacionamento sério e/ou um casamento nos faz sentir medo porque o relacionamento sério/casamento é uma morte. É a morte da vida de solteiro, da individualidade. E as pessoas têm medo de que se replique naquela relação insatisfações que estão no inconsciente ou que foram processadas de alguma maneira no passado e continuam sendo processadas no presente.

A vontade é algo que nos ajuda a amar e a mudar, mas se não criamos uma disciplina e uma absoluta vontade, o cérebro tem a tendência de buscar aquilo que ele sempre conhece e irá usar sempre as mesmas referências. Por isso precisamos de um nível de consciência mais elevado e uma amplitude maior de pensamento. Se você não tem esse nível ainda, seja humilde e vá buscar, mas não paralise sua vida e não seja fixo ao extremo. Por favor!

Pessoas que sabem mudar são pessoas que amam a vida. São pessoas que gostam de troca-troca. Gostam de ganha-ganha. É isso que gera sustentabilidade no amor, implicando em mudança, fortalecendo coragem e finalmente apagando o medo.

Com carinho,

Mariana

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Mariana Azevedo Ximenes é psicóloga e atua na Psicologia Cognitiva e Psicologia do Esporte. Tem três livros publicados, diversos artigos e várias palestras ministradas. Fumec/USP/Unb

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