Na última semana no consultório uma paciente me perguntou: “Existe amor incondicional entre relacionamentos afetivos? Até que ponto podemos ser nós mesmos? Até que ponto podemos ser totalmente autênticos? Falarmos o que queremos? Vestir-se da maneira que queremos? O outro deve realmente nos aceitar como somos ou não? Até que ponto vale a pena nos moldarmos em uma relação?” E essas perguntas foram extremamente interessantes porque acredito que muitas pessoas questionam algo parecido o tempo todo.

Primeiramente, temos que entender o que é o amor para sabermos se existe incondicionalidade ou não. Amor é toda relação em que há crescimento mútuo, ou seja, amor tem haver com constância, com doação e também com investir e receber. Isso é amor. Aliás, qualquer coisa que seja diferente disso não é amor. Seria na verdade uma relação tóxica, uma relação doentia, uma dependência afetiva, por exemplo.

O incondicional existe até certo ponto entre pais e filhos. Poderíamos até dizer que esse amor incondicional seria até programado neurologicamente. Em relacionamentos afetivos, relacionamentos entre amigos e também entre irmãos, ou seja, relações que não envolvem “sobrevivência” não existe incondicionalidade.

As relações são como um elástico, ou seja, até certo ponto a paciência e os desejos do outro, como também a nossa paciência e os nossos desejos são como elástico, todavia existem cinco atitudes básicas que quebram esse elástico: o autoritarismo, a agressividade, o materialismo, a frieza (distanciamento) e o egocentrismo. Quando o “oxigênio amoroso” deixa de existir, o amor evapora e a relação quebra. Quanto mais autoritarismo, agressividade, materialismo, frieza e egocentrismo maior será a defesa do outro diante de você. Ou seja, com essas atitudes você condiciona o outro a estar sempre na defesa e consequentemente o outro perde a vontade de lhe amar, de estar com você e de participar da sua vida.

Quando uma pessoa investe na outra ela cria um “crédito amoroso” com o outro. Na verdade, no amor, o que vale é o “ganha a ganha”. Esqueçam o amor incondicional entre relacionamentos afetivos e lembrem-se sempre das CONDIÇÕES que são necessárias no amor.

O amor depende do crescimento mútuo, da gentileza, da doçura, da declaração de sentimentos e demonstração contínua e explícita do afeto. Assim ele terá oxigênio e nos fará inspirar. Se você tem alguém que você ama, pense bem, pois amor não é o que você quer receber e sim o quê você está disposto a doar. No amor existe sustentabilidade e não idealização. Na paixão você idealiza a pessoa que você gostaria de ter, e no amor você enxerga a pessoa como ela é e mesmo assim está disposto a crescer junto com ela.

Na paixão não existe crescimento mútuo. A paixão é egoísta e perigosa, pois as consequências dela são trágicas para a pessoa que está “apaixonada”. A paixão faz você construir um castelo com um simples detalhe: um castelo de areia, pois quando a chuva cair, o castelo será dissolvido. No amor você quer estar com a pessoa física, e na paixão você quer estar com a pessoa que você construiu na sua mente. Até certo ponto a paixão trás bons frutos, mas em longo prazo ela não funciona.  Na paixão você deseja o que você quer, e no amor você acolhe o que o outro necessita.

Essa será minha mensagem de dezembro.

Com muito carinho,

Mari

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