No Terceiro Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses – Porto – PT, tive a oportunidade de apresentar um trabalho desenvolvido na minha trajetória clínica como estudante, e também de compartilhar algumas palavras em uma palestra fascinante de uma psicóloga portuguesa do ISPA (Instituto Universitário – Clínica Psicológica, Social e da Vida – Lisboa) sobre como desenvolver uma mente mais forte diante das redes sociais.

Achei interessante publicar um pouco sobre o tema, pois este nunca deixará de ser abordado, uma vez que sempre nos depararemos com essas situações. A Doutora Professora iniciou a palestra dizendo que tem uma amiga no Facebook cuja vida parece perfeita. Vive em uma casa maravilhosa, tem um trabalho gratificante, viaja com a família todos os fins de semana e garantiu que essa amiga sempre levava um fotógrafo profissional com eles em todos os lugares, uma vez que as fotos eram perfeitas. E a pergunta que ela fez à plateia foi: quantos de vocês não têm amigos assim? E quantos de vocês não os idolatram ou os odeiam?

Todos nós praticamente o fazemos. É difícil não fazer, todavia, pensar dessa maneira nos custa e muito. E é sobre isso que gostaria de falar hoje, ou seja, sobre o preço de termos maus hábitos diante das redes sociais (que é o assunto em pauta), e que também foram minhas poucas palavras “compartilhadas” no fim da palestra.

Muitos olhamos o feed do Facebook ou Instagram e pensamos: ah, isso não levará cinco minutos do meu tempo. Bem, o que os investigadores descobriram foi que ter inveja dos amigos no Facebook e/ou Instagram ou qualquer outra rede social pode conduzir à depressão, principalmente para quem já possui uma baixa autoestima. É apenas uma das armadilhas que a nossa mente nos monta. A primeira armadilha é que algumas pessoas começam a ter opiniões pouco saudáveis a respeito delas mesmas, ou seja, elas têm uma tendência a ter pena delas mesmas. A segunda é que começam a ter a sensação de que não estão no controle, o que significa que as postagens passam a ter mais controle do que elas próprias e assim se abdicam dos próprios poderes. A terceira é que mal sabem que talvez o que estão vendo é apenas uma imagem e quem faz a interpretação de que aquilo é maravilhoso ou não é o próprio pensamento.

inveja459O objetivo da palestra não foi julgar quem faz postagens e sim como as pessoas enxergam essas postagens. O que estava em julgamento era a reação de quem passava o olho no feed das redes sociais e não de quem postava.

Livrar-se de um mau hábito não significa deixar as redes sociais, e sim filtrar o que pode lhe trazer algo positivo e neutralizar o restante. Prestem atenção: não é excluir, abonar, esquecer e/ou apagar. É NEUTRALIZAR, ou seja, estar INDIFERENTE diante de uma postagem que não lhe agrada. O que estava em tese era que, as pessoas têm direito de postar o que quiserem e os seguidores que devem lidar com as consequências do que estão vendo. É aí que vem o trabalho da autoestima diante das redes sociais. Se alguém fez uma postagem PORQUE NECESSITA DE ATENÇÃO também é um transtorno psicológico, mas outro assunto a ser abordado em outro momento. Quem viu e se sentiu incomodado/a é a questão.

O mais interessante é que a sala estava lotada e todos à espera que a palestrante falasse de quem pratica as postagens. Todos imaginaram que o assunto tratado seria a autoestima DE QUEM FAZ E NÃO DE QUEM OLHA.

A palestrante ainda fez uma pontuação da autoestima com a força física. “Se desejam ser fisicamente fortes devem ir à academia e levantar peso. Mas se REALMENTE desejam resultados satisfatórios também teriam de abdicar de comidas gordurosas e passar a se alimentar de maneira saudável.” A autoestima é igual. Se quiserem olhar a vida perfeita que alguém posta (que pode ser de mentira ou não) e conseguir reagir a isso de uma maneira positiva ou neutra está perfeito, caso contrário, devem largar o mau hábito de ter inveja do sucesso de qualquer pessoa ou postagem. Em síntese, fazer com que sua autoestima levante pesos, e muito peso. Não importa quantas vezes acontece, pois isso sempre irá limitá-los. Aprender a lidar com nossas crenças negativas não é fácil, mas pior ainda é deixar que elas nos dominem. A questão é parar de se comparar com o outro, pois não existe lógica uma postagem ter tanto controle sobre um ser humano. É como se um “objeto” controlasse um ser que é tão complexo quanto o universo.

Bem, as nossas escolhas é que são os verdadeiros culpados. Temos de aceitar que somos quem somos e os outros estão separados de nós. A única pessoa que deveríamos comparar é a pessoa que fomos ontem e que programamos em ser amanhã. Quando isso começar a desenvolver, você não terá freio para ter uma boa autoestima. Convido vocês a responderem: Qual o passo poderei dar hoje quando olhar o feed das redes sociais?

Com muito carinho,
Mariana

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Mariana Azevedo Ximenes é psicóloga e atua na Psicologia Cognitiva e Psicologia do Esporte. Tem três livros publicados, diversos artigos e várias palestras ministradas. Fumec/USP/Unb

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