Quando estive à Polônia, cogitei a hipótese de escrever um artigo sobre o país intercalando-o com a Psicologia e logo a seguir pensei que talvez não fosse a melhor opção porque obviamente não seria apreciado por muitas pessoas, pelo fato de que, não escreveria sobre relacionamentos, ou como lidar com as pessoas, ou sobre ciúmes, ou o quê fazer quando meu casamento não está bem etc; pois obviamente seria um artigo de anos de História e parear com  a Psicologia também não seria uma tarefa fácil. Assim que postei as fotos de Auschwitz (Campo de Concentração/extermínio) em Cracóvia, recebi muitas mensagens me pedindo que o artigo fosse redigido.

Sempre soube que a Polônia é um país muito marcante na História Europeia, ou mundial, diga-se de passagem, mas quando pisei nas terras “polacas e/ou polonesas” me deparei com algo impressionante. Impressionante pelo fato do país ter sido literalmente destruído pela II Guerra Mundial e reconstruído de uma maneira onde ainda conseguem transmitir paz e alegria.

Todas as pessoas que me enviaram mensagem, perguntei qual seria a opinião delas diante da Polônia para que eu tivesse um pouco de foco para redigir o artigo. Gostaria de  sentir o que o público estava me pedindo. Algumas responderam: “Ah não sei! Vodka e trens que não funcionam… poloneses roubam as pessoas… Já ouvi falar de Varsóvia e festas porque existem muitos DJ’s famosos de lá… poloneses são boas pessoas e bebem muito…Chopin é famoso lá… foi um doa lugares que o Papa chorou quando visitou Auschwitz “

Notei que realmente sobre o passado dos judeus, poloneses e soviéticos muitas pessoas não conhecem. Lembrando que isso não é uma crítica, é apenas uma observação. A Polônia é o nono maior país da Europa, localizado no centro do velho continente. Tem um forte valor cristão (e também sofreram muito por isso), tradições e riquezas culturais belíssimas, e mesmo com guerras e sofrimentos os poloneses são pessoas alegres e prestativas.  Sofreram com dois dos mais terríveis regimes totalitários da história da humanidade: o comunismo e o nazismo. Hitler mandou construir o mais famoso Campo de Concentração Nazista (Auschwitz) que funcionou por seis anos e matou e exterminou milhões de pessoas incluindo judeus, poloneses e prisioneiros soviéticos. O mais impressionante é que os oficiais comandantes que trabalhavam no campo matando as pessoas, iam depois para suas casas ficar com suas famílias simplesmente a uma rua do campo de concentração, vendo a fumaça do crematório sair pelo céu afora e voltavam no dia seguinte como se nada tivesse acontecido. Isso se repetia todos os dias.

De todos os riscos que os poloneses viveram nunca abdicaram da fé e da religião. O mais extraordinário é que mesmo diante de todas essas tragédias alguns sobreviventes “sobreviveram”. Muitos foram mortos, exterminados, deportados e muitas crianças enviadas à Alemanha como sendo alemãs para adoção e muitos perderam famílias que “saíram pela chaminé”. Muitos iam para o Campo de Concentração achando que iriam trabalhar. E trabalhavam. Talvez com uma sopa de batata por dia, ou qualquer gordura para que tivessem uma mísera energia para seguir as regras. As condições eram chocantes. Dormiam no chão, os banheiros eram usados por todos e nunca limpos, enfim… até que se despiam com a desculpa de irem ao banho e iam para a câmara de gás. Lembrando que tudo que estou escrevendo é o resumo do resumo.  Diziam às crianças que iam para a casa de bonecas e na verdade se transformariam em cinzas posteriormente.  Então, trazendo esse mísero resumo para a psicologia, será que somos tão bondosos assim ou deveríamos ser mais?  Será que reclamamos tanto sem precisão? Pensar que temos lugar para repousar sem ter o perigo de ser morto/exterminado. Se não passamos fome porque reclamar que o macarrão não estava como queria?  Se temos trabalho e saúde qual então seria o verdadeiro problema? Não dá para dimensionar o valor de viver nessas condições. Ocupar seu espaço pelo o que você tem direito, então não precisamos de mais nada.

Enfrentar o medo foi o que eles mais fizeram. Em todos os museus visitados e relatos, o mais marcante é que não sentem raiva de todos os países condizentes com a tragédia e nem de Hitler. Eles sentem apenas pena de terem sido quem foram e fizeram questão de reconstruir o país e hoje mostrar a história com muita tristeza mas com muito orgulho.

A pergunta que muitos fazem é: por que tanta maldade? Pois quando inteligência e maldade se juntam é um perigo.  No período em que Adolf Hitler esteve no poder, durante a segunda guerra mundial, perseguiu os grupos minoritários que considerava indesejáveis: judeus, comunistas, homossexuais, deficientes físicos e mentais… Ele queria um MUNDO ALEMÃO, de raça pura, se seguidores fiéis. Existiam milhões de nazistas e hoje ainda existem algumas comunidades nazistas. A Alemanha, Japão e Itália (que formavam o Eixo) foram derrotados pelos Aliados (União Soviética, EUA e Inglaterra) em 27 de janeiro de 1945.

Mais uma vez: por quê tanta maldade? Porque Hitler era completamente desequilibrado. Porque tinha um Transtorno de Personalidade Antissocial. A obsessão pelo poder era maior do que qualquer outra coisa. Matar um milhão de inocentes não era nada para ele, desde que a comunidade nazista crescesse cada vez mais. Desde que a raça alemã dominasse o mundo. Um louco?! Não sei se pode dizer que era um louco porque era consciente do que fazia. Mas não estamos aqui para falar de Hitler. Estamos aqui para dizer que estar na Polônia foi um momento de muita reflexão de tudo que já vivi e vivo hoje. Nunca esquecer-me-ei de cada pedaço da beleza da Polônia e do holocausto contra todos aqueles inocentes. É interessante como a humanidade não aprende, pois o terrorismo continua em vários países. O que temos que aprender é o respeito pelo outro e aceitar as diferenças.

20160824_151945Tem um provérbio que diz que: “Os filhos não devem pagar pelos pecados dos pais.” O que aprendi é que viver com mágoa a vida toda, isso não é vida. Portanto, vamos minimizar o que não é funcional e maximizar o que é funcional em nossas vidas.

Com muito carinho,

Mariana

COMPARTILHAR
Mariana Azevedo Ximenes é psicóloga e atua na Psicologia Cognitiva e Psicologia do Esporte. Tem três livros publicados, diversos artigos e várias palestras ministradas. Fumec/USP/Unb

Comentários