A inveja é uma das emoções pouco compreendida pelas pessoas, o que acarreta em perguntas do tipo: será que inveja é bom ou ruim? Será que inveja é natural de homem ou mulher? Então, acredito que deveríamos primeiro entender o que é a inveja e depois descobrir quais são seus efeitos e o que podemos fazer de melhor com esse sentimento tão humano.

A inveja tem a origem no nosso nascimento. Nós sentimos inveja da mãe que tem autonomia, que tem liberdade, que vive sua vida e em função desta sensação de que algo nos falta (até porque isso seria a tradução da inveja: algo nos falta) é que nós choramos, assim, a mãe vem e nos dá colo, ou um abraço, ou comida, ou o irmãozinho cede o brinquedo para gente, o pai dá atenção etc.

Então, esse já é o primeiro conhecimento para gente entender que a inveja e o ciúme são primas-irmãs. Nós invejamos aquilo que não temos. Isso é humano. Nós crescemos assim e vamos até o resto da vida dessa maneira. É absolutamente natural ter inveja porque ela que faz com que nós busquemos o que nos falta.

Nós somos seres incompletos por natureza. Nós dependemos de carinho, de comida, da bebida, de abraço, de afeto, de estimulo, de aplausos, de realizações, de frutos, fatos e feitos que nós temos que buscar no mundo. E esse é o ponto positivo da inveja: ela faz com que busquemos o novo.

A inveja, quando ela é mobilizada a uma busca, por exemplo: eu vejo uma pessoa com um carro legal e transformo essa falta em uma ação completadora, de preenchimento e trago para mim aquilo que eu queria ou, então, me disponho a trabalhar para aquela meta. No caso, a inveja é boa, ou seja, inspiradora de uma ação construtiva. Quando eu vejo um amigo tirando nota boa na escola e falo: _ Puxa, preciso me dedicar mais; sim, é uma inveja boa, inveja branca.

Então essa sensação de querer buscar sempre mais é muito motivadora. Mas, quando ela é ruim? Quando cometemos alguns erros. Primeiro é quando quero tirar do outro aquilo que lhe pertence, pois entra em jogo o egoísmo, a maldade e a raiva que são sentimentos tão humanos que todos temos, mas podemos muito bem controlar. Aliás, é digno, é saudável, é civilizado controlar todas essas emoções.

A coisa mais natural do mundo seria duas crianças de três anos brincando, e uma delas tira o brinquedo da outra, mas quando é adolescente e adulto você não precisa mais fazer isso. Você pode negociar, saber que tem a vez do outro, enfim…. Nessa parte, entram as regras de civilização que estão tão em falta hoje em dia.

A inveja se torna destrutiva quando eu quero além de tirar do outro o que é do outro, eu rebaixo a minha autoestima por meio de um autoconceito negativo. Ex: Ah, não vou conseguir. Nunca vou conseguir. Isso é muito para mim. Nossa, é complicado. Vou ter que estudar muito. Então, o que acontece? Primeiro você distorce a realidade como se quisesse um mundo perfeito, tivesse inveja do próprio criador e falasse assim: Eu quero o mundo perfeito, vou estalar os dedos e tudo vai acontecer.

Nós temos que entender que não somos o criador do mundo, não operamos mágica, vivemos em um mundo real, humano e que as ações tem consequências. Em razão disso, as metas devem ser precedidas de ação. Não tem mágica no mundo, e se formos olhar para um lado mais poético, nós fazemos a mágica. Se nós desejamos conquistar algo, manda a primeira lei da maturidade entrar em ação e assim nos dispomos a construir. Ex: estou com o quarto bagunçado, vou organizar. Estou com a minha agenda lotada, vou remanejar. Ou seja, tenho que aprender que não adianta ficar no “chororô”, ficar se deprimindo, ficar se jogando para baixo, porque esse tipo de pensamento nada mais é do que uma evitação de enfrentamento da realidade.

Nós temos que trabalhar pela vida e como diz um provérbio chinês: a semeadura é opcional, mas a colheita é obrigatória. O que nós levamos da vida é o resultado da vida que levamos. Então porque não usar da inveja como uma fonte inspiradora para conseguir mais e mais para você e não para os outros.

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