O “comodismo” é algo que me chama sempre muita atenção porque quando algumas pessoas encontram dificuldades na vida tentam sempre encontrar uma justificativa ILÓGICA para permanecer onde estão e que, no fundo, seria uma justificativa inconsciente. O comodismo não me parece ser muito simpático porque é extremamente parecido com a preguiça e está muito ligado às típicas frases: “ah, deixa para lá…”, “amanhã eu faço isso”, “talvez isso não seja tão urgente assim”…

A consequência é que ao invés das pessoas viverem de acordo com aquilo que deve ser feito, elas começam a viver de acordo com aquilo que elas querem e/ou apetecem viver. Então, na verdade, podemos tirar uma mínima conclusão de que, todo comodista, é um pouco egoísta, pois no fundo ele tem a crença de que o mundo deve para ele. Alguns exemplos: sua mãe que deve arrumar seu quarto, seu marido que deve sempre lhe agradar, o seu patrão que deve reconhecer o seu valor, ou seja, as pessoas comodistas invertem o jogo. Ao invés de contribuírem com o mundo ou resolver as situações, ficam aguardando que “alguém” resolva ou que algo aconteça para acabar com o que esperam.

Algo que ouço de noventa por cento dos pacientes é a “ilusão da eternidade”, que é algo que os torna bastante comodistas. E algumas pessoas não entendem que temos que viver com a racionalidade de que a eternidade é uma mera ilusão. Nada é eterno. O momento é AGORA. O comodista não consegue calcular isso de uma maneira positiva. Todavia vem a questão: Mariana, mas alguns momentos são eternos, não são? Sim! Alguns momentos NOS TRANSMITEM a sensação de que são eternos porque eles fixam em nossas mentes lembranças que serão lembradas para sempre. Isso seria uma ausência de doação total. É como se fosse uma adolescência vestida de branco.

Às vezes deixamos de viver, de fazer e de concluir coisas importantes por não se entregar, ou seja, por estar sempre no comodismo. De uma maneira ou de outra, infelizmente, o “não reagir” é o caminho mais fácil uma vez que você já está nele. Ale

O que mais vejo atualmente é as pessoas vivendo de uma maneira tão superficial, tão sem graça, sem atitude diante das situações, fazendo milhões de coisas em um curto espaço de tempo e ao mesmo tempo NÃO FAZENDO NADA. Pessoas tendo relações sexuais pensando no dinheiro, na conta que irá pagar no dia seguinte, beijando na boca e nem olhando quem estão beijando.

Precisamos perder o medo da vida, medo de enfrentar o que é difícil e sair do que é fácil, mudar quando for preciso, sofrer quando tiver que sofrer e aceitar aquele sofrimento, aceitar que não temos controle de tudo e entender que tais dificuldades não deveriam NUNCA nos deixar comodistas.

O mundo já está pronto, mas nós não estamos. As pessoas não compreendem isso. É preciso remar sempre, e às vezes remar em águas, correntezas que nunca imaginamos que um dia remaríamos. Muitas pessoas conseguem sucesso na vida porque fizeram o que tinham que fazer. Enfrentaram o que tinham que enfrentar. Resolveram o que tinham que resolver porque tiveram e têm a crença de que temos que fazer pelo mundo e não o contrário.

Somos movidos por um ideal e esse ideal deve ser alcançado. O meu recado para Maio é: não tente encontrar justificativas para permanecerem onde estão. Tentem encontrar soluções para saírem de onde estão e surpreendentemente ressurgirem em outro lugar que nunca imaginaram que poderiam estar.

Com carinho,

Mariana

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Mariana Azevedo Ximenes é psicóloga e atua na Psicologia Cognitiva e Psicologia do Esporte. Tem três livros publicados, diversos artigos e várias palestras ministradas. Fumec/USP/Unb

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