Foto: Arquivo EP

 

O Comitê de Saúde e de Gestão de Crise Econômica, se reuniram durante toda a manhã desta segunda-feira (06), na Secretaria Municipal de Saúde. Eles receberam um ofício, da Associação Comercial e Agroindustrial (Acai-TP) demonstrando os reflexos do fechamento das lojas, desde o dia 17 de março.

O presidente da entidade Bruno Dixini Carvalho, apresentou um estudo feito pela Federaminas, que mostra que se o comércio continuar fechado mais uma semana, 50% de micro e pequenas empresas podem fechar. O pedido é  pela reabertura de forma gradual, após a elaboração de um plano estratégico adotando todas as medidas de prevenção ao Coronavírus.

Em alguns estabelecimentos que são essenciais e estão abrindo as portas, estão ocorrendo aglomerações, onde as pessoas deveriam ir para compras essenciais, estão se transformando em pontos de encontros e lugares para descanso e bate papo.

A chefe de gabinete Melissa Chaves vai comunicar oficialmente o prefeito Marcelo Chaves Garcia do pedido feito. Será criado uma força tarefa com vários setores da sociedade, envolvendo setor público, privado, associações e entidades que vão elaborar um plano estratégico, para primeiro conhecer a realidade da situação e depois listar o que será exigido de cada setor. É que é preciso ver a disponibilidade dos comerciantes cumprirem as exigências a serem impostas como a utilização de máscaras e a disponibilidade de álcool em gel, já que estes itens estão escassos.

A Equipe Positiva teve acesso ao documento e nele está o resultado da pesquisa feita pela Federaminas, que trata da sobrevivência das empresas em Minas Gerais. Ela representa mais de 300 entidades e levantou que 34,2% das micro e pequenas empresas quebrarão e vão desempregar mais de 2,5 milhões de pessoas, caso o comércio não reabra.

A instituição fez na pesquisa a análise de ações na região na esperança de obter experiências positivas na flexibilização das normas sem ampliar os riscos de contágio do Covid-19 à população, permitindo a retomada das atividades comerciais de forma controlada, com o comportamento dos comerciantes, clientes e funcionários, alinhados com as exigências do Protocolo do Ministério da Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS).  Nas cidades de Pouso Alegre e Cláudio, houveram resultados satisfatórios nessa transição feita de comum acordo na condução dessa fase crítica.

Formalização de pedido vem depois de reunião

Reunião com comerciantes e educadores físicos abriu discussão da possibilidade de reabertura do comércio em geral

O pedido vem após uma reunião na última sexta-feira (03), no Auditório da Secretaria Municipal de Educação. Vários comerciantes ficaram do lado de fora para evitar aglomeração, cinco deles representaram o grupo e participaram do encontro, junto com o diretor da Associação Comercial e Agroindustrial Wilson Roberto Júnior. A ideia da reunião surgiu com a criação de um grupo no whatsapp, onde eles estão canalizando e trocando informações.

Os comerciantes ouviram que não era possível decidir naquele momento e aguardavam na sexta-feira a tarde, uma posição do Governo do Estado, com a possibilidade de flexibilizar o funcionamento em um novo Decreto baixado pelo governador Romeu Zema (Novo), mas isto acabou não acontecendo.

Wilson em nome dos demais pediu que o comércio voltasse a funcionar de forma gradativa, a partir desta segunda-feira (06), tomando os devidos cuidados, como não atender idosos, obedecer ao distanciamento entre clientes e colaboradores e disponibilizar álcool em gel para a higienização das mãos.

O contador de uma rede de lojas de departamentos com 26 estabelecimentos no Sul de Minas, Rabi Vitor Silva, contou que em sete deles os próprios municípios já flexibilizaram sendo -Areado, Ipuiúna, Borda da Mata, Conceição dos Ouros, Congonhal, Coqueiral e Carmo da Cachoeira. Nestes são várias as restrições impostas, mas que houve segundo ele, o bom senso dos responsáveis pelos órgãos de saúde e da população. Rabi acredita que a volta não será com a normalidade e o atendimento nestas cidades está muito aquém. As pessoas não estão saindo de casa, mas na opinião dele, é preciso movimentar a economia. A rede que ele trabalha, ainda enfrenta a concorrência dos supermercados que estão abertos.

Tiago “Fofão” Anísio Correia é proprietário de bares, restaurante e uma casa de eventos na cidade, tem 40 funcionários e revela que muitos do setor estão vivendo uma situação complicada. Mesmo usando reserva financeira, ele não sabe até quando a situação vai perdurar. E como Rabi afirmou anteriormente, não será abrir e garantir a volta a normalidade e os problemas financeiros irão afetar muita gente. “Fofão” vai honrar com a obrigação de pagar o mês anterior trabalhado, porque entende a necessidade de cada um que é pai e mãe de família. Porém, este mês que vencerá em maio, ele não faz o compromisso.

A reunião foi conduzida pela chefe de gabinete do prefeito Marcelo Chaves Garcia (MDB), Melissa Chaves e o secretário  de Fazenda Agnaldo Corrêa.

Segundo Melissa, a decisão é difícil de ser tomada, pois não se pode olhar apenas a economia ou apenas a saúde, os setores precisam caminhar juntos. A prova disso segundo ela, é o embate entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Ela afirma que o prefeito está seguindo a risca o Decreto presidencial e do Estado de Minas Gerais. Os documentos prevêem agravo da pandemia neste mês de abril. Porém, Melissa explica que alguns estabelecimentos tem que ser fechados, outros podem funcionar delivery, online ou podem optar que o cliente retire a mercadoria pessoalmente, mas de portas fechadas.

Ainda está sendo estudado pelos infectologistas se no Brasil seria possível isolamento vertical, ou seja, apenas para os grupos de risco, como idosos, gestantes e pessoas doentes crônicas, mas ainda não se tem uma posição sobre esta possibilidade, nem da Organização Mundial de Saúde e nem do Ministério da Saúde.

O objetivo do isolamento social, é evitar que as pessoas fiquem doentes ao mesmo tempo e provoque um colapso no Sistema Único de Saúde.  Para ser ideia, ela contou que o Governo Federal enviou para o Hospital São Francisco de Assis de Três Pontas, uma ajuda de R$160 mil para o combate ao Coronavírus. A diária de um paciente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) custa R$1.1 mil e um respirador custa cerca de R$60 mil. A Prefeitura tenta mas não está conseguindo nem mesmo comprar. “Por isto, precisamos realmente da conscientização das pessoas”. Ela entende que é difícil, as pessoas se adaptar a uma nova rotina, ficam com o psicológico abalado, mas é necessário para conter a doença.

O secretário de Fazenda Agnaldo Corrêa justifica que o Município é o maior interessado que o comércio volte a funcionar, pois está perdendo a arrecadação do ICMS. O recurso chega semanalmente e vem da arrecadação de impostos gerada pela venda do comércio. A queda está sendo vertiginosa. Já foram R$800 mil a menos no caixa da Prefeitura. A situação não está pior porque o Estado está restituindo os valores confiscados em 2018.

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