Um calote milionário provocado por um empresário contra cafeicultores de Três Pontas, é o assunto mais comentado na cidade desde a semana passada. Eles descobriram na segunda-feira (04), que o café da última safra que haviam depositado no Armazéns Gerais Confiança, havia desaparecido.

O caso foi parar na justiça e a Polícia Civil está investigando. Já ouviu testemunhas e fez inclusive a apreensão de computadores e documentos, no escritório da empresa que fica na Rua Barão da Boa Esperança. Há também um processo civil correndo na justiça, conforme afirmou a advogada Dra. Cíntia Carneiro Batista Brito.

O que levantou a suspeita, é que todas as vezes que os produtores o procuravam para trocar o café de lugar ou desejavam fazer uma venda, Luciano Vitor de Faria, de 37 anos, que era um dos sócios do armazém, sempre tinha uma opção mais vantajosa para seus clientes. Quando a venda era autorizada a ser feita, o dinheiro não era repassado aos produtores. Luciano Faria não podia fazer a comercialização, negociar, deslocar, transportar, ou seja, não podia fazer nada com aquele café sem autorização dos reais proprietários.  A autorização que tinha era apenas de fazer a armazenagem. Por isto, possuía outra empresa para fazer isto. O cerco foi se fechando e quando o calote foi descoberto já era tarde demais. Produtores rurais, foram à porta do armazém no Distrito Industrial e exigiram que todo o café fosse transportado. Eles haviam feito troca em adubos, precisavam do dinheiro da venda para honrar compromissos, mas para a surpresa deles, não havia mais café no local e na sexta-feira, Luciano Faria havia sumido.

Para piorar, depois deu uma declaração que havia se apropriado do produto e que não tinha condições financeiras. Em momento algum, defende a advogada, ele recebeu permissão para vender o café que estava depositado. Além disso, as pequenas vendas que foram autorizadas ele não pagou. Mas perto do volume de café que havia isto representa muito pouco. Não convence a versão dada pelo acusado, de que foi um negócio mal feito, uma vez que o café foi entregue em depósito. A lei exige inclusive que se tenha um seguro, que ao que tudo indica ele não tinha. São regras e exigências que precisam ser obedecidas. “Se ele comercializou ou se apropriou do café dos produtores, isto caracteriza um crime e ao que tudo indica é um furto”. O prejuízo que ele alega ter tido, hora nenhuma foi comprovado. 

Policiais civis que investigam o caso, foram até o armazém logo em seguida ao registro do boletim de ocorrências e recolheram computadores e documentos

Em 2015, ele recebeu da Prefeitura como um incentivo industrial, um terreno onde construiu o armazém. Naquela oportunidade apresentou todas as certidões e não havia dívida nenhuma ou execução contra ele. Na visão da Dra. Cíntia, o acusado alegou isto, como estratégia para poder justificar o crime que cometeu. “É o mesmo que uma pessoa que trabalha em um banco, pegar o dinheiro da instituição financeira para pagar suas dívidas pessoais”. 

De acordo com a advogada que representa 11 destas vítimas, existem dois procedimentos que foram abertos – o criminal e uma Ação Cível coletiva.

São mais de 20 produtores que lesados. Todos eles procuraram por Dra. Cíntia, mas alguns que são pequenos produtores, que cuidam da sua própria lavoura e são bastante humildes, que perderam uma quantidade menor, como 40, 100 sacas, preferiram esperar que o caso seja investigado primeiro e não quiseram inclusive arcar com as custas processuais que são altas.

Os produtores registraram um boletim de ocorrências, já foram ouvidos e o processo criminal foi aberto para apurar o crime de furto e um possível estelionato. As investigações estão sendo realizadas com o comando do delegado regional de Varginha, Dr. Wellington Clair de Castro. Além de Luciano Faria, outras pessoas estão sendo investigadas, já que ele tinha outros sócios no empreendimento. “Quem vai falar que crime foi cometido e a relação das pessoas é o resultado da investigação policial”, adiantou a advogada.

A ação cautelar busca que o patrimônio do acusado seja bloqueado e os produtores sejam ressarcidos do prejuízo enorme que sofreram. Apesar de que o que se conseguiu levantar até agora do seu patrimônio, é um valor insignificante, diante do estrago causado.

Estimasse que a quantidade de sacas que sumiram seja superior a 25 mil. Já se sabe que o produto foi retirado do armazém durante o mês de janeiro. Produtores estiveram lá em dezembro e viram as sacas armazenadas. O calote está calculado em mais de R$12 milhões, já que entre as vítimas, existem muitos produtores de cafés especiais.

Luciano Faria pode responder pelo crime de furto qualificado, cuja pena varia de 2 a 8 anos de prisão, porém, por ter agravantes como o crime de estelionato.

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