Ana Luisa e Miguel Lopes, junto com o professor Hudson

Loui Jordan

Uma dupla de alunos, mais o seu professor, buscam arrecadar doações em dinheiro para participar da Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG). Trata-se de uma Olimpíada experimental de cunho astronômico. O professor e coordenador Hudson Borges Andrade e os alunos Ana Luisa Pereira Arantes e Miguel Lopes Bueno, devido a performance na primeira etapa, foram convidados a participar da fase nacional da competição que acontecerá no estado do Rio de Janeiro. Para isso, eles precisam arrecadar R$ 3,1 mil

A Escola Estadual Jacy Junqueira Gazola, teve dois de seus alunos requisitados para participarem da fase nacional da Mostra Brasileira de Foguetes, que está associada a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. A mostra tem por finalidade a construção e o lançamento de foguetes, levando em consideração três coisas importantes: o conteúdo que fará com que o foguete seja lançado, a base e também a distância do percurso do mesmo.

A participação na Olimpíada é livre para qualquer aluno que desejar, a Escola já participa há 5 anos e em 2018, contemplou a ida de um aluno para a Jornada de Foguetes. Fora isso, o Colégio tem seu destaque também nas Olimpíadas de Matemática, Física, História e Língua Portuguesa. Dessa vez, Ana Luisa Pereira Arantes do 3º A e Miguel Lopes Bueno, do 1º A, esperam ao lado do seu professor de Física, Hudson Borges Andrade, estarem presentes e representarem tanto a escola, quanto a cidade de Três Pontas.

A prova

Antes de mais nada, a prova possui seus critérios e regras. A etapa na qual os dois alunos trespontanos se classificaram, corresponde à etapa de limite municipal e para se classificarem e serem convidados para a fase nacional, é necessário que o foguete atinja 100 metros no seu movimento. A base do foguete é muito importante, pois se estiver  mal posicionada ou elaborada, pode ocasionar uma eliminação, pois o foguete pode ir muito acima ou alcançar pouca altura.

Hudson explica o regulamento que ostenta os mecanismos a serem minuciosamente executados. “Tem um regulamento a ser seguido que vem com os mecanismos: de que que precisa, que tipo de cano que é, que tipo de cola e, especificamente, como tem no ensino fundamental e médio. O médio é a garrafa pet com bicarbonato de sódio e vinagre e aí a proporção é o que a gente troca muitas das vezes como experiência”. Aproveitando as palavras do profissional que leciona física, foi utilizando apenas bicarbonato de sódio e vinagre, que o foguete feito de garrafa pet, atingiu 113 metros.

Méritos para os esforços da dupla Ana e Miguel. Ano passado a escola conseguiu o feito de fazer um foguete chegar a 126 metros de distância. A dupla do Jacy viu seu foguete atingir a faixa mínima de 100 metros, após 17 tentativas, ou seja, na 18ª eles conseguiram. Dentre as várias tentativas, nem tudo foi bem. O manômetro, instrumento utilizado para medir a pressão, estourou, a base para colocar o foguete teve que ser ajustada em alguns momentos devido a sua inclinação, tudo para se ter a melhor performance e atingir o objetivo. Contudo, o esforço foi muito válido.

Base para o lançamento dos foguetes que foi utilizada na primeira fase, feita por Ana e Miguel. (Foto: Equipe Positiva)

A pessoa responsável por capitanear o andamento do evento foi o professor Hudson. Além de ter acompanhado todos os alunos do Jacy na plataforma de lançamentos, que  ocorreu no Parque Multiuso da Mina do Padre Victor, Hudson, é o coordenador que orienta aqueles que aderiram ao desafio e a este conhecimento.

Em relação à mostra de foguetes, todo o contato dele com os alunos foi no período extra turno. Hudson também é convidado e mais do que isso, ele como coordenador é convocado, caso o vencedor ou os vencedores consigam o custeio para embarcar nessa enriquecedora viagem. A presença do coordenador é um “pré-requisito”, a ida dele é obrigatória. Falando na figura do professor e coordenador, Hudson acredita que a prova seja o grande incentivo aos alunos. “Esse é o grande incentivo ao aluno. A juventude hoje que muitas vezes tem pouca opção, é uma forma de incentivá-los cientificamente, porque lançar um foguete é puramente experimental”, resume. Além de testar os conhecimentos, os alunos tem a oportunidade de conhecer pessoas de outros estados, com outras culturas, com outros “mundos” a desbravar.

Rumo ao próximo desafio

A Jornada de Foguetes, a fase nacional da MOBFOG, ocorrerá na cidade de Barra do Piraí no Rio de Janeiro, nos meses de outubro e novembro. Escolas particulares e institutos federais também participam da prova e como é de âmbito nacional, a dificuldade aumenta consideravelmente, além é claro, de participarem com mais frequência do evento.

Durante a prova nacional, serão permitidos apenas dois lançamentos, cada um em um dia. Isso não só torna a competição mais difícil, como também faz com que os alunos convidados que lá estarão, aperfeiçoem suas ideias e coloquem-nas em prática no foguete. Na primeira etapa, a municipal, a quantidade de lançamentos era ilimitada. Uma questão também distinta da etapa municipal, é o fato do professor e coordenador dos selecionados, não poder entrar na plataforma de lançamento.

“Eles mandam pra gente tudo que vai ser contado como nota. Há uma bancada de professores do mundo inteiro e aí a gente monta a base e o foguete.  Eles dão ponto para o foguete, pra originalidade e avaliam também a segurança”, relata a aluna Ana Luisa.

De acordo com o professor, existe um protocolo a ser seguido, no entanto tudo vale a pena através da interação. “A interação lá é muito rica. Os professores ficam numa área separada e ha uma troca de informações. Os alunos fazem uma apresentação rápida, de cinco minutos. Na plataforma ficam somente os praticantes” diz Hudson.

Para o estudante Miguel, a possibilidade de crescimento enquanto ser humano e aluno ao participar é enorme. “Lá a pessoa pode ter muita oportunidade, conhecer pessoas que podem nos levar a diversos patamares”.

Doações

Quanto às doações, dia 1º de outubro é a data limite de pagamento do hotel e o custo do deslocamento até Barra do Piraí. O montante é R$ 3.100,00. São três diárias de R$ 900,00 para cada um e o custo do combustível do carro que irão levá-lo até lá. A preocupação é que as 134 vagas do hotel podem ser preenchidas devido as inúmeras solicitações. É porque o hotel está vinculado com a localidade e o campo da prova. A competição acontecerá do dia 5 ao dia 8 de novembro. Por, isto alunos e professores reforçam o pedido: qualquer doação é bem vinda.

As doações poderão ser feitas na própria Escola Jacy Gazola e procurarem pelo professor Hudson. Outra forma de ajudar, é adquirindo a rifa de uma torta oferecida pela Cafeteria Vimi Café Gourmet. A divulgação do valor e do sorteio em torno da rifa será ainda definida.

A questão financeira é o grande empecilho, já que as instituições federais conseguem frequentar mais essas Olimpíadas, não só por competência, mas por obterem mais recursos financeiros e materiais para a montagem do foguete. O estado do Maranhão por exemplo, proporcionou aos seus alunos a ida nesses eventos. Agora por questões financeiras e peculiares do momento vivido no Brasil e em Minas Gerais, os pedidos e buscas por doações são mais do que dignas e justas e são portas de entrada para oportunidades que talvez só o trajeto percorrido por um foguete, pode ofertar. Trajeto esse que tem como Jornada, levará vários alunos a uma experiência única.

 

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