Por Loui Jordan

Após “cancelarem” o Carnaval com um ano de atraso, marcarem o ENEM para janeiro, responsabilizarem apenas os comerciantes pela 2ª onda e o Prefeito da maior cidade das Américas, Bruno Covas, “trancar” São Paulo e ir se divertir no Maracanã, uma das questões a ser resolvida no país da hipocrisia é em relação ao retorno das aclamadas aulas presenciais. Vale lembrar duas coisas: primeiro, os professores nem sequer estão no grupo de prioridades para a vacinação e segundo, a educação escolar que é tida como uma das áreas mais importantes da sociedade brasileira, saiu atrás até do futebol, que retornou antes e com mais apelo.

Um ponto importante na política é a confiança pública nos planejamentos de quem rege a polis. Isto posto, já existe um planejamento do retorno as aulas presenciais, aliás, até com datas já estabelecidas, passíveis de mudanças, é claro, mas estabelecidas. O problema é que a confiança nesses planejamentos ganhou alguns adversários já conhecidos, são eles: o desejo insano de terceirizar a educação dos filhos e o descrédito com o tal ensino remoto.

É de conhecimento geral que a vida está cada vez mais corrida, os pais ou responsáveis pelos filhos estão cada vez mais adestrados a trabalhar, se entreter com futilidades e afogarem as frustrações em dispersões no final de semana, claro, existem muitas exceções, mas existe aquela pessoa que ainda olha a escola como um espaço de terceirização da educação dos filhos, como um espaço de “livramento” por algumas horas dos filhos e o principal, como um espaço que tem a responsabilidade exclusiva de cuidar dos filhos.

Evidentemente que o ensino presencial deve e precisa retornar, mas com prudência e afeição com todos os envolvidos, inclusive a classe dos professores. A política que tem como base orquestrar os anseios da sociedade através de seus agentes, deveria se atentar ao fato dos professores ou educadores, como queiram, infelizmente não estarem na lista de prioridades da vacinação contra o novo coronavírus. E mais, obviamente que devem existir respostas para essa desfaçatez com a classe da educação, mas como muitas questões no Brasil, essa certamente não terá justificativa plausível.

O país é um carnaval de hipocrisia e incoerência, não é de hoje, a pandemia só escancarou isso tudo. Não é nada bom ter a escola como um refúgio, não é nada bom observar o professor como uma espécie de cuidador temporal da vida do meu filho, isto é, a escola e o professor ganham ainda mais credibilidade quando a sociedade deposita nessa área e nesse profissional, o seu real valor. Antes de cobrar o retorno imediato das aulas presencias, é sensato que observe o cenário que cerca esses profissionais tão desvalorizados, inclusive por entidades políticas.

Por fim, o desafio é encontrar o melhor formato de retorno para que ninguém fique mais prejudicado do que já se está. A ausência de prestígio que muitas vezes assola a classe dos professores, não será notada tão cedo, ainda mais nesse momento, onde a pauta é outra, a única coisa que é possível afirmar, é que a passividade da população para esses tipos de problema continuará a todo vapor, afinal de contas, a vida está tão corrida que às vezes nos esquecemos de correr atrás daquilo que deve ser prioridade para todos. No país onde as praias estão lotadas e as escolas vazias e sem “moral” na fila da vacina, a hipocrisia segue reinando em prol de um país cada vez com menos ordem e com um progresso cada vez mais à serventia da lapidação de consciências assintomáticas, para utilizar um termo da moda.

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