Membros do Comitê expuseram que decisão tomada pelo grupo é pelo fechamento por 15 dias. Mas tudo será decidido na quarta-feira em nova reunião do comitê

A Associação Comercial e Agroindustrial de Três Pontas (Acai-TP) reuniu na tarde desta segunda-feira (29), os donos de bares e restaurantes da cidade, para tratar do cumprimento das regras impostas a estes setores, que estão sendo desodecidas, diante da pandemia do Covid-19. A presidente do Comitê de Enfrentamento e secretária municipal de Saúde Teresa Cristina Rabelo Corrêa, o secretário de Fazenda Agnaldo Corrêa, o coordenador da Vigilância Sanitária Fábio da Silva Fonseca e o provedor da Santa Casa Michel Renan Simão Castro participaram do encontro que contou com a presença de cerca de 60 comerciantes.

A convocação deles, segundo o presidente da Acai-TP Bruno Dixini Carvalho, é dado ao crescimento do número de casos de Coronavírus e nos últimos dias, os provocados por comerciantes deste setor, denunciados na Ouvidoria Municipal e principalmente nas redes sociais. É notório que quem denuncia, é na maioria os mesmos que frequentam os bares e querem que feche. Ele lembrou que todos assinaram um termo de compromisso, onde estão claras as regras que precisam ser cumpridas para que não haja novamente um fechamento. Bruno que também integra o Comitê, deixa claro que não é justo punir a todos em detrimento de alguns, que é favor da fiscalização e para que não haja o fechamento por 15 dias, que foi decisão tomada pelo Comitê em reunião realizada na quinta-feira passada (24), eles terão que ser rigorosos e não desobedecer a nada.

A secretária Teresa Cristina disse que não é a favor do fechamento de nenhum setor do Estado, mas a decisão não é tomada isoladamente, nem por ela, muito menos pelo prefeito Marcelo Chaves, ambos diz Teresa, são a favores da economia, ainda mais neste período da safra do café, mas existe um vírus que está ativo e 75% dos moradores pedindo que se feche os bares e restaurantes. O próprio Governo do Estado já questionou porque Três Pontas permitiu a reabertura de bares e academias, que não estão na lista de serviços essenciais, elaborada pelo Ministério da Saúde. A intenção do Comitê, formado por 20 pessoas, é que o setor fechasse as portas para atendimento ao público durante 15 dias. Demonstrando sua preocupação, ela ressalta que é preciso analisar que aqueles que não morrerem de Covid-19, sejam vítimas da fome.

Teresa admitiu erros na fiscalização e se desculpou publicamente com os comerciantes, mas deixou claro que o Toque de Recolher foi decretado para facilitar a continuidade do funcionamento dos estabelecimentos.

Membros do Comitê falaram com os donos de bares e restaurantes

A preocupação das autoridades de saúde é com o colapso do setor, com a necessidade de leitos de Unidade Terapia Intensiva (UTI) com demanda de respiradores. Nesta época do ano, os leitos naturalmente já são ocupados por pessoas idosas com outras  patologias. O provedor da Santa Casa Michel Renan, deixou claro que a situação preocupa e o cenário mudou, ainda mais que ninguém sabe quando o pico da doença realmente será atingido. Quando a pandemia começou, a demanda por UTI caiu de 100% para 5%, margem considerada confortável, porém, os casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) por exemplo, aumentaram demais, além dos acidentes de trânsito e crimes como estes registrados no fim de semana. Nesta segunda-feira, havia apenas um leito ocupado por Covid-19, de um total de 18 respiradores. Porém, é preciso esclarecer que Três Pontas é sede de micro e atende a uma população de 130 mil habitantes.

A reunião não foi para anunciar o fechamento de nada do comércio, foi para pedir que eles tenham bom senso, cumpram as regras por pelo menos 40 dias e eles puderam expor as dificuldades que estão enfrentando, como a redução de clientes e consequentemente nas vendas. Teresa e os membros do Comitê, querem alegações capazes de ajudar a defender a manutenção de bares e restaurantes. “Nós precisamos estar convencidos de que não teremos problemas e que podemos defender vocês na reunião do Comitê que teremos na próxima quarta-feira, as 10:00 da manhã”, ressaltou a secretária.

Algumas medidas foram revistas e serão fiscalizadas pela própria Secretaria de Saúde, pelo setor de Posturas e Vigilância. Estão proibidos a realização de shows dentro e fora dos estabelecimentos. Para utilizar mesas externas é preciso procurar a Secretaria Municipal de Fazenda, para regularizar e atualizar a autorização de uso. Clientes que não estejam nas mesas não podem ser atendidos. Os estabelecimentos não podem ultrapassar 30% de sua capacidade, justamente para evitar aglomeração e obedecer o distanciamento entre os clientes. Os comerciantes fizeram uma solicitação, para que um novo Decreto flexibilize o horário nos fins de semana, as sextas e aos sábados, até as 23:00 horas. É que o Toque de Recolher vigente, proibe as pessoas nas ruas a partir das 22:00 horas. Mas Teresa deixou claro que o serviço de delivery podem funcionar ininterruptamente. A Polícia Militar não vê problemas em motoboys que trabalham devidamente uniformizados e identificados fazendo entregas.

Porém, Teresa foi categórica e disse que caso algum estabelecimento não obedeça e seja flagrado com alguma irregularidade será fechado por ela mesma, até o fim da pandemia.

O secretário de Fazenda Agnaldo Corrêa, explicou que a fiscalização em festas realizadas em casas particulares e áreas de lazer, podem ser denunciadas à Polícia Militar em caso de pertubação do sossego, independente do horário. O denunciante precisa se identificar para que a PM possa agir e registrar um boletim de ocorrências. Em caso de aglomeração em residências, o poder público não pode intervir.

Alguns representantes de bares e restaurantes foram escolhidos para representar o setor na reunião do Comitê.

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