Fotos: Equipe Positiva

 

Uma das primeiras medidas de prevenção ao Coronavírus, adotada pela Santa Casa de Misericórdia do Hospital São Francisco de Assis, em meados do mês de março, foi suspender todas as cirurgias eletivas realizadas diariamente pela instituição de saúde. A atitude seguiu uma recomendação da Secretaria de Estado de Saúde, até porque, ninguém sabia a velocidade da evolução do Covid-19. Embora haja previsão da Santa Casa em receber recursos financeiros para o atendimento a pacientes, o provedor do Hospital, Michel Renan Simão Castro, prevê um período difícil economicamente, já que os recursos recebidos com a realização destas cirurgias, são fundamentais para arcar com despesas importantes durante o mês.

Quando Michel assumiu a Santa Casa, a cerca de três anos, foi criado um novo perfil, que era de mais de 90% dos atendimentos feitos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Mediante trabalho realizado e uma grande reestruturação, houve uma crescente nas cirurgias particulares, pacotes e convênios, estratégia esta adotada para dar equilíbrio financeiro para entidade.

São realizadas em média 180 cirurgias eletivas mês, e com a interrupção destes procedimentos faltarão recursos para conciliação das contas no final do mês. Foram paralisados os procedimentos, mas os custos inclusive com pessoal e outros não podem ser interrompidos. Será uma perda de faturamento calculado entre R$100 mil e R$200 mil, montante significativo para uma entidade que passa por dificuldades e traz um extremamente negativo. Soma- se a isto a defasagem da tabela dos procedimentos SUS que não é corrigida há 13 anos. A perda das receitas oriundas das cirurgias suspensas suprem em parte o déficit gerado pelos procedimentos do SUS”, justificou o provedor.

Segundo o provedor Michel Renan, com estes recursos das cirurgias interrompidas compra-se os medicamentos utilizados pelos pacientes, que custam em média R$120 mil mês.

Os atendimentos oriundos do SUS geram um déficit mensal nas contas da Santa Casa na ordem de R$400 mil, mas Michel deixa claro que o principal objetivo não é pelo lucro e sim atender bem o paciente. “Lutar pelo bem estar deles é algo que nos motiva e faz com que continuemos nesta luta que é árdua”, diz.

O Hospital São Francisco de Assis atende um fluxo de praticamente 400 pessoas por dia e tem segundo Michel, um índice de satisfação acima de 95%, o que é extremamente difícil conseguir em uma entidade de saúde, que sobrevive com dificuldades e necessita sempre de ajuda da população que é atendida. E graças a outros recursos extras como emendas parlamentares e subvenções e a generosidade da população as portas estão abertas.

Michel reforça que todas as prestações de contas estão abertas e disponíveis a todos os cidadãos que queiram verificar. Existe uma auditoria externa que analisa as contas e todas elas são encaminhadas ao Ministério Público, que faz o acompanhamento e a avaliação. Mas ele deixa claro, que recursos como recebido com a venda de ingressos dos shows do Carnaval, na ordem de R$50 mil, é pouco diante de uma demanda infinita. Para exemplificar, o provedor afirma que existem pacientes que passam pela Santa Casa que custa R$ 15 mil, R$ 30 mil. O Hospital recebeu uma sinalização de que irá receber recursos do Estado e do Governo Federal, para que auxilie no atendimento aos pacientes do Coronavírus.

O provedor Michel Renan afirma que recursos vindos das cirgurgias eletivas farão falta no caixa

Custos de EPI dispararam com Coronavírus
A Santa Casa está tendo uma dificuldade redobrada neste período de pandemia, que é adquirir os Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Não é apenas os moradores que tem sofrido com a alta dos preços, para garantir a segurança às equipes de profissionais no combate ao novo Coronavírus. Oferecer qualidade a todos os pacientes, manter os estoques de itens essenciais desestabiliza as finanças de qualquer lugar, ainda mais que o uso é em grande escala. “A compra que nos custava R$10 mil, hoje custa R$60 mil. “São valores que quando você tem uma reserva de caixa e uma estabilidade financeira você consegue levar, mas não é o caso da Santa Casa.
Soma-se a todas dificuldades a falta de repasses pelo Estado, relata Michel Renan.

E o provedor continuou neste assunto, mostrando uma tabela com a diferença dos valores de antes da pandemia e agora, em itens básicos, como álcool em gel e máscara. Antes uma caixa de máscaras com 50 unidades custava por volta de R$ 5,50, esta semana foi pago R$195, ou seja, R$ 190 a mais. No litro do álcool etílico hidratado 70%, o Hospital pagava R$ 3,70, mas hoje estão adquirindo a R$ 8,50. O álcool gel 800 ml refil para (dispenser) era R$ 7,80, hoje R$ 13,60. A luva látex para procedimento médico custava R$ 14,50 agora 35. O avental descartável saltou de R$ 10,30 para R$ 25. O gorro descartável tinha o valor de R$4,15, mas com a Covid-19 não sai menos de R$ 10. A máscara N95 custava apenas R$1,69 e acreditem que agora sai a R$ 30.

Uma campanha foi lançada no aplicativo whatsApp e um grupo denominado “O hospital é nosso!”, está envolvendo a comunidade que mais uma vez é convidada a colaborar financeiramente para ajudar na compra destes materiais.

Número de leitos de UTI’s podem ser ampliados
Os trespontanos tem duas preocupações quanto a possível demanda de pacientes com Coronavírus na cidade. Se o número de leitos e de respiradores, são suficientes para a demanda que possa surgir.

Michel respondeu que tudo atualmente é apenas uma previsão e mera expectativa, com o crescente número de casos nestes dias que pode atingir a curva epidemiológica tão falada pelo Ministério da Saúde. Na terça eram 7 pacientes internados na clínica médica e apenas 1 na UTI, que estão em boas condições de saúde e são suspeitas de Coronavírus, mas pode ser que nem um se confirme.

O provedor é objetivo e responde que não sabe se a quantidade de leitos da UTI é suficiente, pois ninguém sabe qual é a demanda e não há nenhum parâmetro. Hoje a Santa Casa tem 10 leitos e mais 5 prontos para uma possível crescente de emergência, caso o Estado ou Município queiram contratar diante da realidade.

O número de leitos é o mesmo de aparelhos respiradores, ao todo 15, mas já existe a possibilidade de colocar duas pessoas em cada um, caso haja necessidade, mas isto exigiria uma equipe de profissionais muito maior, que não se capacita do dia para a noite, pois são pacientes que exigem um cuidado maior e a ventilação torna-se fundamental para a vida do paciente.

“Fique em casa”, recomenda o provedor
O momento em que a pandemia cresce em solo brasileiro, a recomendação do provedor Michel Renan, é que as pessoas mantenham a calma, principalmente aquelas que integram o grupo de risco e ficam expostas a contrair o vírus. Ele entende da necessidade de recursos financeiros para as pessoas sobreviverem, mas na análise dele, não adianta abrir os estabelecimentos tão rapidamente, causar uma situação de desespero e a Santa Casa não dar conta da demanda. “Por enquanto as coisas estão caminhando muito bem, mas de repente pode mudar. Temos que pensar que a contaminação do Coronavírus é muito ágil e eficiente. Se tivermos uma explosão de casos, não há estrutura física suficiente para estes atendimentos no Brasil, como não havia em outros países”, alertou o provedor.

Michel diz que a vida das pessoas precisa voltar ao normal o mais rápido possível. Admite que a quarentena já provoca um grande impacto financeiro, amenizada eem Três Pontas, com a colheita do café qque está próxima e gera novos postos de trabalho além de riqueza para a Cidade. Ele continua dizendo que “o momento agora é estarmos bastante unidos, enfrentarmos os problemas juntos e não isoladamente buscando o bem comum de todos”.

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