Foto cedida Wilian Rodrigues

 

O Carnaval de Três Pontas mal acabou e deixa saudade. Em meio à nostalgia de quem passou os últimos dias curtindo a folia pela cidade, os olhos, entretanto, miram 2021. É que este ano tem Eleições e a identidade precisa ser mantida.

A preparação para a folia mobilizou muita gente, superando as expectativas do grupo de voluntários do movimento CarnavalizaTP. Uma semana antes, os abadas que tinham começado a serem vendidos próximo do Natal do ano passado, se esgotaram uma semana antes. Nem a organização esperava tamanha procura.

O comércio vendeu mais e abraçou a ideia de manter aqui os trespontanos e ainda atrair gente de fora. Comerciantes se prepararam prevenindo estoques e enfeitando os estabelecimentos para a data. Muitos com mercadorias específicas se esgotaram. Na véspera, a Prefeitura antecipou o pagamento de salários de todos os 1.600 servidores municipais, investindo o montante de R$3,7 milhões, diretamente na economia.

Muitos turistas vindos de várias localidades, principalmente de cidades da região e do interior de São Paulo, aqueceram a rede hoteleira e a taxa de ocupação foi acima do esperado.

Todo mundo veio atraído por um Carnaval tranquilo, seguro e um ambiente familiar. Tanto é que as crianças tiveram não apenas espaço, mas puderam brincar despreocupados no parquinho e em toda a Praça do Centenário, ornamentada em várias cores e com características circenses. É nesta Pracinha aconchegante que a festa começou todos os dias e foi recebida muito bem pelos moradores do seu entorno.

Durante todos os dias, o Grupo Rasgacêro tocou e fez intervenções de diferentes linguagens artísticas e manifestações regionais. Não é de hoje que esta turma faz sucesso com as crianças. Além deles, o grupo de Dança Ritmos, Batucada Tambanauê, as bandas do pagodeiro Tom, a de Marchinhas e do Carnavaliza, animaram os foliões. Mesmo com chuva, os mais animados, que não foram poucos, seguiram no comecinho da noite em comboio junto com alguns blocos para a Avenida Oswaldo Cruz. No repertório, ouviam marchinhas e canções que marcaram tempos áureos de Carnaval.

No Samdóbromo Jaime Abreu, todo cercado, já tinha filas para entrar no espaço, limitado a 6 mil pessoas por noite. Quem chegava passava por revista realizada por uma equipe especializada de segurança. A exigência do Corpo de Bombeiros dividiu muitas opiniões. A ação solidária, em que o folião tinha que trocar “mãozinhas” da Campanha do Hospital São Francisco de Assis, para assistir aos 8 shows, gerou recursos financeiros importantes exclusivamente à instituição que é referência em atendimento na região.

A Avenida ficou lotada, com um público menor nesta segunda e terça-feira, por causa da chuva. Os mais animados, ou se protegeram, ou pularam debaixo de chuva mesmo. As noites começavam no palco com as apresentações trespontanas. Pela ordem – Hugo e Léo, Fábio e Vinícius, Gabriel Mendes, DJ Marquinho. Seguidos respectivamente por Thiago Brava, Exalta, Art Popular e Bravana.

As noites foram tranquilas, apenas no fim do show do Bravana nesta terça-feira, é que a Polícia Militar precisou intervir, depois que alguns foliões se revoltaram com a atuação da equipe de seguranças, ao tentar conter princípios de confusões. A PM empenhou todo seu efetivo e estacionou no Sambódromo, a Base de Segurança Comunitária para o registro de ocorrências.

No sábado, o prefeito Marcelo Chaves Garcia (MDB) entregou simbólicamente a chave da cidade ao Rei Momo Clayton Antônio Rita e a Rainha Antonielly Amanda. Antes do show do Bravana, eles devolveram . Ele é representante da folia pelo segundo ano e parabenizou a Prefeitura e toda a equipe pela organização. Antonielly que participa de desfile e eventos em várias localidades teve sua primeira experiência com o Carnaval e não escondeu a satisfação e alegria.

No Pronto Atendimento Municipal (PAM), o movimento foi maior em torno de 15%, em relação aos finais de semana normais, mas nada exagerado.  Segundo o diretor médico do PAM, Dr. Lucas Erbst, além dos atendimentos de rotina, o crescimento na procura foi aumento das quedas da altura do próprio corpo, abuso de álcool e problemas de hipertensão.

O evento visto por quem organizou

Assim como ano passado, quando o movimento Carnavaliza saiu da ideia deste grupo de voluntários, passados uma semana da Festa de Momo, será a hora de se reunir e fazer um balanço, apontando pontos positivos e tudo aquilo que precisa ser revisto para o próximo ano. A folia de uma maneira geral agradou e os trespontanos demonstraram o sentimento de alegria em várias postagens em redes sociais.

Terminado o Carnaval, ouvimos os envolvidos que analisaram a festa durante estes quatro dias. Um dos voluntários que trabalhou na preparação do Carnaval. Segundo Thiago Miranda de Figueiredo, o que o grupo almejava era para que tudo acontecesse daqui a uns quatro anos. O que o deixa feliz, foi ver a mobilização das pessoas, que entenderam, resgataram ou buscaram de alguma o que é o Carnaval, que havia ficado esquecido há bastante tempo. Ele também comemorou a volta das famílias participarem e o sentimento dos pais, em poder levar seus filhos pequenos e divertir com segurança e tranquilidade.

“Sensacional”. Assim define Ana Luisa Leite. Como já havia dito em outras entrevistas mesmo antes do Carnaval acontecer, nem a equipe imaginava uma coisa tão incrível e crescente de um ano para o outro. “Todo mundo aderiu ao nosso movimento e acreditou tanto, que de um ano para o outro a gente triplicou, quadriplicou. O Carnaval na Pracinha, especificamente, foi tão lindo ver as famílias reunidas lá, curtindo aquele momento”, comemorou.

De agora em diante, na opinião de Ana Luisa é preciso incentivar o Carnavaliza na cidade inteira, cada um ao seu estilo, ao seu ritmo. Na Praça do Centenário já ficou pequeno, avalia ela, que adianta que durante o evento, o grupo vai analisando o que deu certo e errado.

O Carnavaliza mostrou que o cidadão pode e deve opinar, no processo de conquista para o Município. A fala é do presidente da Associação Comercial e Agroindustrial, Bruno Dixini Carvalho. Houve união de pessoas interessadas e apontadas algumas diretrizes que seriam interessantes, que foram abraçadas pela Secretaria de Cultura, Lazer e Turismo. Porém, ele acrescenta que todos os quesitos foram dentro da legalidade e das estratégias para não infringir as regras. “ A comunidade viu e participou de um Carnaval feito a várias mãos, não apenas pela Prefeitura, com apoio de várias empresas e a própria população, que abraçou o projeto. A conclusão é de um balanço positivo”, considera. Além da diversão, Bruno Dixini menciona que a festa foi solidária, a uma entidade tão importante como o Hospital São Francisco de Assis, o que o deixa muito feliz por ajudar neste processo.

Não bastava a vontade de resgatar o Carnaval, se a população não entendesse e de forma contribuísse. Na análise do secretário de Cultura, Lazer e Turismo Alex Tiso, o primeiro passo foi dado. Do ano passado para cá, foi um avanço enorme, mas ainda há muitas ideias a serem colocadas em prática e a crescer. A intenção é que continue neste crescimento gradativo, sempre com os pés no chão. Todo mundo foi para a Praça do Centenário e a Avenida Oswaldo Cruz, no Sambódromo, com espírito de Carnaval e em família.

A estrutura que sempre foi utilizada em anos anteriores, ainda precisou ser adequada de última hora. A empresa teve que colocar corrimão e ampliar o espaço da escada, para conseguir a liberação do Corpo de Bombeiros. Sobre a limitação de público, Alex reforça que a medida atende exigência dos Bombeiros, sem risco para os foliões. Por isso, o secretário acredita que as pessoas entenderam o recado e quem reclamou em um primeiro momento, repensou ao ver a segurança que foi oferecida.

Mas todo evento grande, sempre precisa se reavaliado e nunca vai chegar a perfeição. Depois de um pequeno descanso, a equipe vai se reunir para ver aquilo tudo que foi positivo e o que é passível de ser corrigido. “O principal é sempre fazer esse balanço entre o positivo e o negativo e começar a alinhar para o próximo Carnaval”, pontuou ele.

Sobre as críticas feitas à troca das “mãozinhas” pelos ingressos, ele lamenta que elas existam. Já que todo o dinheiro, é destinado exclusivamente à Santa Casa. “O Hospital, é o lugar que a gente sempre vai precisar. Tomara Deus que a gente não precise, mas todos nós necessitamos ter essa consciência que a Santa Casa é nossa e depende de nós. As pessoas deram uma pequena contribuição de R$10, assistiram a estes shows maravilhosos e ainda concorrem aos prêmios oferecidos no sorteio”, disse Alex Tiso.

A Santa Casa já divulgou que arrecadou R$56.800,00 com a venda das “mãozinhas” como bilheteria do Carnaval no Sambódromo. A campanha continua até a véspera do sorteio, no dia 25 de abril e cada uma custa R$2.

Já o prefeito Marcelo Chaves disse que ouve há muito tempo as pessoas dizerem que o último Carnaval bom em Três Pontas foi no governo da saudosa ex prefeitas Adriene Andrade, da qual o atual gestor diz ter a honra de fazer parte da equipe. A vontade de voltar naquele tempo era muito e o melhor de tudo é que renasceu com um movimento popular, se referindo ao Carnavaliza. Estes trespontanos dedicaram seu tempo para criá-lo e a Administração de pronto abraçou a causa já que entende, que lazer e cultura também são direitos da população. “Fico feliz do resultado ter sido maravilhoso. Um Carnaval com bandas renomadas, com estrutura de ponta, e ao mesmo tempo ordeiro e familiar. Além disso, solidário, já que quase R$60 mil foram arrecadados para a nossa Santa Casa”, menciona o prefeito feliz com a repercusão. Se depender da sua vontade nunca mais acabará e foi apenas o começo, garante Marcelo Chaves.

O Carnaval 2020 foi realizado pela Prefeitura, com produção da Associação Comercial e Agroindustrial (Acai-TP) e apoio da Associação Cultural de Três Pontas e Adjacências (ACTA).

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