Familiares seguram as cruzes com os nomes dos garotos, enquanto padre Roberto faz a benção durante a celebração. Fotos: Equipe Positiva

 

Buscas foram interrompidas pelos Bombeiros, mas voluntários continuam e precisam de ajuda para custear despesas com combustível para os barcos

Eram exatamente três da tarde desta quinta-feira (09), quando as pessoas estendiam uma toalha branca em uma pequena mesa e colocava sobre ela um crucifixo. O altar foi montado a beira do Rio Verde, na região da Prainha em Três Pontas, onde os dois garotos de 11 e 17 anos, desapareceram durante uma pescaria da família. O acidente foi no dia 15 de dezembro do ano passado e a angústia persiste, já que eles não foram encontrados e nesta quarta-feira (08), o Corpo de Bombeiros de Varginha encerraram as buscas.

Debaixo de um sol forte, algumas pessoas usaram guarda chuva, outras enfrentaram o calor mesmo sem nenhuma proteção, para rezar pelos primos João Piedro Amaral e Henrique Daniel Fialho. Duas cruzes com o nome deles ficaram em frente ao altar. Além de familiares, amigos e voluntários, trespontanos que se uniram em oração durante estes 25 dias, também foram pessoalmente rezar e prestar suas homenagens. Alguns que são pescadores e estão  trabalhando espontaneamente, vieram de barco do Distrito do Pontalete.

Padre Roberto Donizetti de Carvalho foi quem celebrou e dedicou a missa aos garotos, aos seus familiares, o Corpo de Bombeiros e voluntários. Em vários momentos se referiu as vítimas, afirmando que eles estão vivos em Deus e de lá, intercedem pelo conforto de seus pais. “Não foi Deus quem quis assim, eles eram frágeis e foram levados pela força da natureza. Deus veio salvá-los e tenham certeza que eles estão em paz”, disse padre Roberto durante a homilia.

No fim, as cruzes seguradas pelos familiares foram abençoadas e depois fincadas bem na margem do rio onde a tragédia aconteceu. Os pais tiveram que ser amparados devido a imensa tristeza. Se ainda não tiveram os corpos de seus meninos para serem dignamente sepultados como desejam, fica a fé de serem encontrados. Esforços para isto não faltam, mesmo porque, as buscas feitas pelos voluntários continuam.

Silvia Fialho, mãe de João Piedro falou com a imprensa e agradeceu aos voluntários

No domingo do acidente, os três filhos de Silvia Aparecida Fialho estavam juntos. A mãe revelou que pediu a João Piedro que não fosse, porque apesar dele ir com frequência à pescaria, ela não gostava, mas seu filho não a ouviu. Mal sabia a dona de casa, que era a última vez que via seu menino. Silvia estava em casa, quando as 17:45 o celular tocou e lhe deram a notícia. “Me falaram: eu sei que é duro, mas um dos seus três filhos morreu afogado”. No outro dia, a mãe foi ao local e confirmou porque nunca gostou que os filhos fossem, o local é perigoso. Mas não culpa ninguém pelo ocorrido.

Familiares e o militares seguraram o pão e o vinho durante a celebração

A mãe que tem 40 anos, conta que nunca sentiu uma dor como esta e não a deseja para ninguém. Agradecida pelo trabalho do Corpo de Bombeiros e principalmente dos voluntários, Silvia Fialho afirma que gostaria que as buscas feita pelos militares ao seu filho e seu sobrinho, que também é seu afilhado continuassem, mas que tivessem mais equipamentos. Em nome do vereador Antônio do Lázaro, que está desde o primeiro dia atuando como voluntário, Silvia diz não ter palavras para agradecer a todos que estão colaborando. Quando foi falar do vereador, pediu que ele ficasse ao seu lado e deu lhe um abraço.

Francisco Vitor Fialho, que é pai de Henrique e tio de João Piedro, estava na pescaria e tentou salvar os dois. Quando João caiu, ele pulou no rio para socorrê-lo e o trouxe até a margem. Seu filho lhe deu a mão, mas também acabou caindo. Francisco tentou nadar por cerca de 20 metros, mas houve um redemoinho e os dois desapareceram. Desde então, o pai que conta com orgulho os planos de seu filho adolescente vive dias angustiantes. “Meu filho me falava que queria ser um atirador de elite. Eu respondia que nesta profissão ele precisava matar as pessoas e Henrique me justificava que seria para salvar vidas de pessoas de bem”, relata Francisco.

A pescaria que era a diversão da família se transformou numa fatalidade, que marcou a vida da família e comoveu milhares de trespontanos.

Segundo o Major do Corpo de Bombeiros, Mauro Martins da Silva, as buscas foram interrompidas em um consenso entre a corporação e os familiares, mas reafirmou que caso houver novos indícios, a família foi orientada a acionar os Bombeiros, a qualquer momento. Apesar de haver um ponto de referência, a área é muito extensa e nesta região de terreno acidentado e cheio de pedras, os sonares constataram embaixo da água, além da correnteza forte, árvores, cercas de arames, redes e muitos animais.

Corpo de Bombeiros de Varginha que atuou nas buscas foi convidado a participar da celebração
Padre Roberto abençoou as cruzes que tem gravado os nomes dos garotos que não foram encontrados

A varredura abrangeu uma área de aproximadamente 30 quilômetros, até a cidade de Fama (MG). Foram feitas técnicas de mergulhos, utilizando barcos, jets skis, o helicóptero Arcanjo verificou inclusive remansos (onde o rio faz curva e forma uma espécie de piscina) e a cadela farejadora “Candy” do Canil dos Bombeiros também participou. Aguapés que ficavam embaixo da antiga ponte, que ligava o distrito aos municípios de Paraguaçu e Elói Mendes foram retirados da água, utilizando uma máquina colocada na balsa.

As buscas feitas pelos voluntários continuam ininterruptamente e eles precisam de ajuda para custear as despesas com combustível para os barcos. Quem puder ajudar com gasolina ou qualquer quantia em dinheiro, pode entrar em contato com Francisco Fialho pelo telefone 99752-0177. Quem preferir depositar qualquer quantia, o banco é a Caixa Econômica Federal – agência é 0157, Conta Poupança 15677-5, Operação 013 em nome de Francisco Vitor Fialho.

Familiares levaram as cruzes até o local do acidente
Depois de fincadas no chão, os pais pararam em frente as cruzes

 

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