Foto: arquivo EP

 

*Assim como outros eventos, unidade não pode abrir as portas para receber estudantes e a comunidade

A Central de Recebimentos de Embalagens de Agrotóxicos de Três Pontas ficou impedida de realizar a comemoração do Dia Nacional do Campo Limpo, celebrada anualmente todo dia 18 de agosto. A unidade promove um dia de portas abertas, recebe a visita de pelo menos 800 estudantes, da comunidade em geral e de autoridades políticas. Assim como outros eventos, a pandemia fez com que a data passasse em branco. Os planos é que caso a situação melhore, o Dia do Campo Limpo seja lembrado até o fim do ano.

Inaugurada em 17 de maio de 2001, a Central está operacionalizando a 19 anos em Três Pontas e comemora a data a 18. É ponto de recebimento das embalagens para cerca de 100 municípios e ao longo destes anos, além de focar na responsabilidade social, levando a conscientização sobre a importância da devolução destas embalagens de agrotóxicos, promoveu o recolhimento itinerante em várias cidades. A Central também retira do campo produtos vencidos e restos de produtos que jogados no meio ambiente causam prejuízos ao meio ambiente e aos seres humanos. Ela está recolhendo anualmente em torno de 300 toneladas de embalagens, mas tem uma capacidade muito maior.

A Central de Recebimentos – que funciona de segunda a sexta-feira de 7:00 as 11:00 horas e de 12:30 as 17:00 horas – é administrada pela Associação Regional dos Engenheiros Agrônomos (AREA), que tem a frente Roberto Felicori Rodrigues. Ele comentou sobre a evolução e as transformações que a unidade causou.

ENTREVISTA

Engenheiro agrônomo Roberto Felicori Rodrigues

A central este ano não pode realizar o Dia Nacional do Campo Limpo, mas fala para nós sobre esta comemoração realizada todos os anos.

O evento foi prejudicado devido a pandemia e estávamos com tudo pronto para comemorar junto com a comunidade o Dia do Campo Limpo. Continuamos trabalhando de portas abertas e recebendo as embalagens de agrotóxicos. Esta nossa Central foi inaugurada em 17 de maio de 2001, ou seja, já estamos a operacionalizando aqui há 19 anos e a 18 estamos comemorando o Dia Nacional do Campo Limpo. É um dia de festa, para comemorar essa responsabilidade ambiental e de um programa ligado a questão de saúde pública que é o recolhimento das embalagens vazias de agrotóxicos. A data contempla um evento do IPEA que é um programa de educação com as crianças de 9 e 10 anos, onde a gente realiza um concurso de desenho e temos a participação entre 700 e 800 estudantes e além de termos aqui, toda a comunidade nos visitando e conhecendo o nosso trabalho. A gente realiza todos os anos, uma homenagem a um produtor rural que se destaca. Pretendemos fazer alguma coisa até o final do ano, logo que as coisas se acalmarem, já que este é um exemplo para o mundo, na questão da política nacional de resíduos sólidos que é o recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos.

Ao longo dos anos, você tem percebido que o produtor está mais consciente e fazendo a devolução das embalagens?

A gente percebe que a questão ambiental hoje é uma questão de sustentabilidade. O produtor tem feito a parte dele sim, ele tem consciência, entrega a embalagem já feita a tríplice lavagem. Temos muito poucos problemas e só conseguimos fazer a reciclagem se ela vier limpa. A lavagem é muito simples. Aqui nós separamos as embalagens que podem ser recicladas até quatro vezes, ela volta e vira uma nova embalagem. Hoje um sistema de fabricação das tampas das embalagens, quase não se retira mais nada do meio ambiente para fazê-las. O Brasil é o único país do mundo que tem um sistema triex de fazer embalagens de agrotóxicos. Sem falar que as embalagens contaminam o meio ambiente, os animais silvestres, animais domésticos e até as pessoas. Por isso, é um absurdo uma pessoa não devolver uma embalagem dessas, que se torna matéria prima. Ela tem valor econômico e o que é um problema para o produtor é a solução para a indústria.

Além da destinação final destas embalagens, existe uma preocupação com o armazenamento destes produtos?

Esses produtos devem ser armazenados em condições ideais, isolados dos produtos, em locais adequados, ventilados, sem a circulação de pessoas, de animais. As pessoas que vão ter acesso a estes produtos devem usar IPI’s, e em hipótese nenhuma deve ser aplicado sem equipamentos de segurança que são obrigatórios. O defensivo ou agrotóxico, que for manuseado de maneira adequada, não gera problema, é um remédio. Mas se for de forma discriminada, traz um problema ambiental e de segurança alimentar. Portanto, é muito importante que além de armazenar, temos que utilizar o agrotóxico com recomendação do engenheiro agrônomo que são pessoas especialistas da área e não usar de maneira discriminada. Eu sou engenheiro agrônomo e, preconizo muito isso, que temos que identificar o problema e usar o agrotóxico com responsabilidade.

Quer dizer então, que na aplicação de defensivos e agrotóxicos é sempre necessário ter a orientação de um engenheiro agrônomo?

Exatamente. A questão da recomendação do defensivo do agrotóxico, requer conhecimento técnico. É necessário ver o manejo, pensar se aquela doença tem algum tipo de dano econômico, qual é o modo de ação. O agrônomo tem um perfil de médico da questão das plantas. Ele recomenda aquilo que tem que ser feito. Hoje no Brasil é permitido até a mistura de defensivos, mas o agrônomo que tem que ser responsável por isso. Existe o Conselho do CREA, que se ele fizer coisa errada o profissional será responsabilizado de acordo com o código de ética. Os engenheiros agrônomos estão a disposição da comunidade e pronto para atuar com boas práticas agrícolas e a sustentabilidade do meio ambiente das gerações futuras.

Qual o volume de embalagens recebidas neste ano na Central de Três Pontas?

A gente está vendo a pujança da agricultura no Brasil. Nosso país de fato virou uma referência mundial em produzir alimentos e hoje, somos o maior produtor de soja do mundo, o segundo na produção de milho, somos o maior produtor de café do mundo, entre outras agriculturas. O mundo despertou para o Brasil, em relação a agricultura e o Brasil fez a lição de casa. Com isso, a gente está tendo uma expansão de área, e atrás disso tem a utilização de agrotóxico e o aumento de embalagem também. Temos recebido mais embalagens e temos feito todo o trabalho de destinação adequada, porque uma coisa vai acompanhando a outra. Nós recebemos em torno de 300 toneladas, mas estamos estruturados para atender um demanda bem maior, de 1 mil toneladas.

Considerações finais.

Quero dizer que este ano só não fizemos a comemoração por causa da pandemia e nós sentimos muito por isto, de não poder convidar  a população e os produtores para estar conosco. As crianças engrandecem nosso evento e as escolas são fundamentais na conscientização. Quero agradecer a todos que estão conosco, a Prefeitura, produtores, a imprensa e todas as pessoas envolvidas. A gente continua trabalhando aqui, prestando serviços no recolhimento de embalagem, que é uma questão de saúde pública e sustentabilidade ambiental.

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