Flamengo vence a própria desconfiança e segue vivo na Libertadores. (Foto: Alexandre Vidal)

Por Loui Jordan

As oitavas de final da Copa Libertadores foram encerradas na noite desta quinta-feira (01). A eliminatória que prometia grandes jogos, cumpriu o prognóstico. Argentinos e brasileiros são favoritos ao título, isso é inegável. Pelo meio do caminho, o Cruzeiro que fez grande campanha na primeira fase, jogou um futebol nada “cabuloso” diante do River, já o Athletico Paranaense enfrentou um Boca Juniors com um espirito de jogo, bem diferente dos duelos na fase de grupos. Um ponto interessante foi a vitória do Flamengo, não foi o triunfo do século, no entanto, pode ser um divisor de águas para o rubro-negro, o que agrada um ou para outros é lamentável, é o fato de excelentes candidatos ao título já se enfrentarem nas quartas de final.

OITAVAS DE FINAL – RESULTADOS

30/07 – Terça-feira

Cruzeiro 0 x 0 River Plate (nos pênaltis – 2 x 4)

Palmeiras 4 x 0 Godoy Cruz

31/07 – Quarta-feira

Internacional 2 x 0 Nacional

Boca Juniors 2 x 0 Athletico Paranaense

Flamengo 2 x 0 Emelec (nos pênaltis – 4 x 2)

01/08 – Quinta-feira

Libertad 0 x 3 Grêmio

Cruzeiro e Athletico ficam pelo caminho

Na última terça-feira (30), a equipe dirigida por Mano Menezes foi eliminada em casa. O Cruzeiro apostou em uma escalação cautelosa, mas não foi covarde. O River Plate é mais time na questão de como enxerga e executa o jogo, o time de Belo Horizonte não vive grande momento por uma série de fatores. O time pecou em algumas finalizações e contou com erros ofensivos dos argentinos. Durante os 180 minutos, ou seja, nos dois jogos, o zero não saiu de campo e nos pênaltis, o River mostrou mais competência.

Importante frisar que o Cruzeiro foi até as últimas consequências com o atual campeão da competição, no entanto, se limitou em alguns momentos, principalmente no primeiro jogo. O Athletico Paranaense enfrentou o Boca e mais uma vez o ditado da Libertadores apareceu, se é possível eliminar um adversário na fase de grupos, elimine-o. O Furacão não conseguiu fazer sua parte, o gigante argentino cresceu como rotineiramente cresce, o time treinado por Tiago Nunes até teve mais posse de bola e tal, mas não foi tão agressivo. O time do Paraná viveu do brilhantismo à queda e se na Copa do Brasil conseguiu eliminar o Flamengo no Maracanã, o mesmo não pode ser dito de quando enfrentou o Boca Juniors na Bombonera.

Os favoritos avançam e o Flamengo vence a própria desconfiança

Os dois times gaúchos e os representantes do Rio de Janeiro e de São Paulo, avançaram até a próxima eliminatória, inclusive se enfrentam daqui algumas semanas. Pois bem, o Palmeiras jogou terça e fez um sonoro 4 a 0 no Godoy Cruz. O Verdão fez valer o placar no segundo tempo. Parece que o Palmeiras teve que quebrar uma barreira que estava dificultando as expectativas e Felipão e companhia precisam ajustar duas coisas, são elas: a postura estratégica em um jogo de Libertadores e claro, a ansiedade por legitimar em campo um favoritismo desenfreado e enfrentar o Grêmio não será tarefa fácil. O representante carioca não poderia ser outro, afinal só o Flamengo disputa a competição esse ano.

O time da Gávea corrigiu o estrago do jogo de ida. É verdade que faltou “gás” aos jogadores na etapa complementar, mas o Flamengo é e sempre foi superior ao Emelec. O time fez pressão alta e jogou como deveria jogar, como Flamengo. Mereceu? Sim, entretanto, a vitória serve como base para outros jogos decisivos que virão, o problema é que o Internacional, adversário da próxima fase, é um coletivo bem aplicado e sofisticado. O lado positivo que o Flamengo provou para si mesmo é que consegue vencer em meio a chuvas e trovoadas.

Os dois gaúchos sobraram em campo. O Inter, fez um 3 a 0 no agregado. Aquele 2 a 0 no gigante Beira-Rio foi apenas um aperitivo, pois o Colorado está mais encorpado do que nunca. Guerreiro está marcando gols e sendo produtivo, a zaga está em um momento especial quando encaixa certos e derradeiros jogos e em casa, o Internacional é muito letal, basta saber se vai seguir sendo o mesmo Inter da Libertadores fora de casa. O seu grande rival, Grêmio, também não teve dificuldades contra o limitado Libertad.

A equipe paraguaia sofreu um 5 a 0 no agregado, com direito a uma derrota por 3 a 0 diante do seu torcedor. A verdade é que o Grêmio em momentos decisivos costuma virar a “chave”. Um alerta é que o time não esqueça de ajustar o sistema ofensivo, isso pode deixar o tricolor na mão em alguns momentos. A equipe é bem treinada por Renato Gaúcho e está evoluindo em termos de opções táticas e propostas de jogo, principalmente nos mata-matas, já que no torneio de pontos corridos o Grêmio deixa um pouco de lado. O Grêmio tem repertório, mas perdeu qualidade em determinadas peças e dos clubes brasileiros é o que mais pode derrapar e também surpreender.

Duelos entre os brasileiros nas quartas de final

Para ser conciso, está evidente que não existe favoritismo. Palmeiras e Grêmio é um duelo de times que conhecem essa competição. O Palmeiras parece mais confiante e mais pressionado, já o Grêmio é um time que vez ou outra, esconde as atuações em resultados no final. O Palmeiras está mais próximo, só que talvez a vontade de se mostrar forte faça ele Palmeiras, perder a postura e se deixar levar por um jogo cativante nos melhores momentos do Grêmio.

Inter e Flamengo é um duelo perfeito. Parece que o estilo de um, foi criado para confrontar com o do outro. O Inter não é retranqueiro, mas se adapta bem ao adversário, o time de Odair Hellmann decidirá em casa, isso é positivo, mas deve tomar cuidado com a postura ofensiva dos jogadores do Flamengo e quem sabe, fazer disso uma armadilha. Do lado carioca é muito simples a equação, caso avance nesse confronto. O time passa a ser o favorito do torneio, o Flamengo precisa tomar cuidado com a formatação tática do Internacional e mais, ser eficiente e eficaz fora de casa, no Maracanã a missão é não sofrer gols.

Nem sempre os protagonistas avançaram nesses tipos de jogos, o importante é saber que na Libertadores só vence quem domina as ações do jogo e para dominar, basta ter uma ideia e que ela seja aplicada com maestria pelos jogadores. Os brasileiros são mais candidatos do que nunca, mas os argentinos jogam melhor esse torneio.

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