*Efeito climático foi severo à agricultura, provoca prejuízo aos produtores, mas população sente o reflexo disso nos supermercados

A terça-feira amanheceu gelada em Três Pontas, obrigando os trespontanos a se protegerem do frio. No campo, esta proteção não acontece da forma com que produtores desejam. A geada que caiu destruiu muitos cafezais, em todas as regiões cafeeiras do Brasil, entre elas o Sul de Minas. Avaliando a situação, não foram apenas nas lavouras de baixa altitude mas em locais alto também foram atingidos, o cenário impressionou e os produtores contabilizam os prejuízos de ponta a ponta. Do alto, ao invés do verde da planta, a cor escura demonstra que a situação das lavouras mudaram em muitas propriedades. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou na cidade 3º graus, mas em termômetros na zona rural, dizem ter marcado temperatura negativa, abaixo de 0º.

Com mais de 30 anos atuando na extensão rural, o engenheiro agrônomo Roberto Felicori Rodrigues, conta que o efeito danoso foi severo, passou por todo o sul de Minas, São Paulo, parte de Goiás e no Sul do Brasil. Ele explica que não foi apenas o café, que já enfrentou este ano problemas de seca e chuva de granizo que foi atingido, mas vários setores da agricultura foram afetados, como o trigo, a cana de açúcar, a soja, o hortifrutti e as áreas de pastagem que tem as suas consequências.

Com o inverno, veio a geada que é grave. A orientação dele, é que os produtores tenham orientação técnica sempre e um agrônomo é fundamental principalmente para saber quais técnicas devem ser usadas neste momento.

Felicori nos levou em uma lavoura que ele acompanha e está a menos de um quilômetro do perímetro urbano. Bem cuidada com os tratos culturais, podada, ruas limpas, onde a florada nos pés já davam sinais para a próxima safra, o gelo provocado pela baixa temperatura congelou o suco celular, deixou a planta murcha, estourou a célula e provoca um efeito bronzeado nas folhas.Ao percorrer as propriedades, ele viu que a geada atingiu muito o tronco da árvore que vai provocar muita recepa embaixo do pés, isto é, há uma retirada de grande parte do tronco. É como as placas de aquecedores solares que foram quebradas.

Não é hora de tomar medidas que podem ser precipitadas. “Ninguém deve sair por ai podando café, tomando medidas drásticas. É preciso esperar para ver como será a desfolha, as primeiras chuvas que virão para então definir o que fazer”, esclareceu o agrônomo. Mas ele lamenta que já se falam em erradicar lavouras, não apenas nas áreas mais novas, mas nas antigas também, que estavam já em franca produção. Tem produtor dizendo que arrancar pés de café e abandonar a área, desvalorizando a terra diante de mais uma situação desfavorável.

E olha que esta não foi a intensidade de massa de ar frio que foi a mais grave da história, registrada em 09 de julho de 1994. A intensidade nesta terça-feira (20), foi forte ficou entre 1.205 a 1.029 milibar e na década de 90 passou acima de 1.035.

A falta de uma represa, como a água que havia no Lago de Furnas, que mexe com a umidade relativa do ar também traz consequências às lavouras, que poderiam estar mais protegidas. Com a mecanização do café, o produtor foi avançando a lavoura em áreas mais baixas, deixando as áreas montanhosas, com altitude de 900 metros onde é difícil chegar e eram os trabalhadores que colhiam o café manualmente. O produtor precisa evitar as áreas abaixo de 850 metros. Porém, geada extrema pega qualquer localidade e vai devastando tudo que tem pela frente e tem aqueles cafeicultores que perdem absolutamente tudo.

Mas se engana quem imagina que o prejuízo não vai chegar na cidade. No caso das pastagens, vai afetar a alimentação do gado, que vai encarecer o preço do leite e da carne. No caso do trigo atinge o pãozinho que está na mesa de todos e a cana sobe o açúcar. O prejuízo maior é do produtor rural. Ele investe na sua cultura, perde e fica sozinho sem ajuda de ninguém e a população vê o resultado disso nos preços dos supermercados.

A colheita deste ano de 2021, já ultrapassou os 60% de café colhido, aponta Felicori, que também revela que os números estão muito aquém do esperado, mas nem tudo ainda está nos armazéns. Quem esperava colher 120 sacas por hectare, já baixou a previsão para 100 e deve terminar colhendo apenas 80.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here