Loui Jordan

A arte e a cultura são utensílios que fomentam a educação. A escola é uma casa destinada ao bom convívio, a condutas socialmente éticas e claro, a um processo de ensino-aprendizagem. Uma das ideias traçadas pela diretoria da Escola Estadual Professora Marieta Castro, em Três Pontas, é proporcionar um melhor ambiente escolar e recepcionar através de ideias, novas pessoas e perspectivas.

A ideia de pintar o muro com grafite e modificar a visão do espaço da escola, foi uma iniciativa do corpo diretor da instituição. Isso só foi possível também, graças ao excelente trabalho de Alberto Vitor, “Vitor” (foto) como o mesmo assina, tem 28 anos e é trespontano.

Ele começou a executar sua arte há uma semana atrás, o muro é grande e tem espaço para proporcionar a possibilidade de criatividade, fazendo com que cada desenho fique no seu devido tamanho e proporção.

Foi pensado uma arte sobre escola, visando a revitalização e claro, a arte como uma ferramenta que abre portas. De acordo com Vitor, a obra deve transmitir uma mensagem. “Poderia sim ter só pintado, só colocado uma cor e pronto, mas isso não era o ideal. O ideal da arte é você passar, olhar, imaginar e ter uma ideia do que está acontecendo. Você vai ver neste trabalho, personagens jogando basquete, um senhor, são coisas que você mesmo vai imaginar ao longo do seu trajeto”, explica o pintor.

O intuito é realmente a revitalização. Na visão do diretor, Deusdedit Faria Lopes, a escola e os seus atores, no caso os alunos, tem muito a ganhar. “Assim que eu entrei aqui no dia primeiro de julho, ouvi alunos, professores, funcionários de todos os segmentos, e buscando o que? A melhoria da escola. A escola é um espaço muito bom, mas nós queremos que eles tenham mais orgulho de vir para o Marieta Castro, e como? Começando pelo espaço físico”, o espaço e o ambiente de convívio é a base de tudo, porém, o conhecimento também é. O diretor complementa, “mas o principal de uma escola é com certeza o processo de aprendizagem. A partir do momento que eles estão assimilando conhecimento, nós queremos que eles sejam bem formados e possam estar se inserindo no mercado de trabalho e nas faculdades”, explica Deusdedit, que está na direção desde julho.

Importância de se transmitir uma mensagem através da arte

Vitor tem uma linha de desenho e possui outras referências de artistas, de estilos. A ideia foi trazer um cenário mais alegre e sútil à escola. Também existe um projeto que terá a participação dos alunos, mas isso desenvolvido mais pra frente.

Voltando ao cenário artístico, dentro desse painel de arte sacramentado no muro do colégio, existe a ideia sobre libras, de surdos e mudos. Sinais que simbolizam o respeito, estão estampados no muro, afinal de contas, a escola estará recebendo surdos e mudos, uma forma bonita e educada de recebê-los. A intenção é unir a arte com a acessibilidade na recepção de alunos e mais que isso, pessoas, é não só uma atitude elegante mais louvável.

Em se tratando dos detalhes da arte, foram usados como ferramentas, pinceis, spray latex, que é tinta à base de água.

Vitor normalmente usa cor sobre cor. Detalhe, ao pensar a arte, Vitor não usa computador, por costume, faz os desenhos a mão, pinta em papel A4 e mostra para a pessoa que está interessada no projeto. Ele está trabalhando com grafite há um ano e meio. O mesmo já tinha uma noção, pois gostava de desenhar, através de um amigo, pegou uma perspectiva artística e aprendeu muito.

De postagens de desenho na internet, ao reconhecimento por um trabalho muito especial, atualmente ele possui mais conhecimento de tipologia, materiais e entre outros. Um ponto interessante a se ressaltar, é como a arte pode não só ser útil na harmonia de uma escola, mas como também em combater preconceitos.

De acordo com Vitor, a arte quando bem propagada, é benéfica no que tange a descontração de um conceito pré estabelecido. “Tem gente que ainda tem a cabeça fechada pra esse tipo de arte. Geralmente, um desenho assim quando você está começando, você só vai entendê-lo depois de pronto. Então, você está começando o desenho, faz um pedaço e aí as pessoas passam e dizem ‘nossa, o que é isso? O que vai ser isso?’ Aí na hora que ela volta, a arte já está toda colorida e ela já tem uma outra ideia, já foge daquela ideia que ela tinha, que querendo ou não, é um pré-conceito mesmo. Pode ser que a pessoa não esteja de má fé, mas é porque às vezes ela não entende o que está se passando ali, qual mensagem eu quero mostrar”, relata o autor do painel de arte.

O fato de estar no muro, faz com que as pessoas se identifiquem, se enxerguem. A escola é um estabelecimento de crescimento enquanto ser humano, de relações sociais, a pintura, o grafite e tantos outros, são instrumentos de expressões sociais documentadas nos muros.

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