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De cada 10 brasileiros de 19 anos, aproximadamente 4 não concluíram o ensino médio em 2018. Entre aqueles que não chegaram a terminar o ensino médio, 55% pararam de estudar no ensino fundamental e 62% não frequentam mais a escola. Esses dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esses resultados foram divulgados em dezembro do ano passado, graças ao “Movimento todos pela Educação”. É pensando nisso que essa época de ano, “pré-férias”, é tão importante.

Em Três Pontas, a Especialista em Educação e Supervisora Pedagógica Dálete de Souza Maia Vicentini, esclarece alguns pontos importantes para os alunos e também para os pais, no fim deste primeiro semestre. Dálete trabalha na Escola Estadual Professora Marieta Castro, além de fornecer informações sobre o ambiente escolar, a supervisora também fomenta a ideia de inclusão na escola.

Reportagem – Loui Jordan

ENTREVISTA

Dálete de Souza Maia Vicentini

Especialista em Educação Básica e Supervisora Pedagógica

Como fica a situação dos alunos com notas vermelhas nessa época do ano? O que você recomenda?

R: Além das atividades de recuperação paralela e bimestral e das adequações curriculares e flexibilização do currículo a partir da especificidade de cada estudante, que já são implementadas ao longo de cada bimestre, a Secretaria de Estado de Educaçãopropõeo Dia de Intervenção Pedagógica, tendo como objetivo principal o desenvolvimento de atividades diferenciadas, visando a melhoria da aprendizagem dos estudantes, através da interdisciplinaridade e da transdisciplinaridade através de todas as áreas do conhecimento. Uma sugestão importante com relação à recuperação da “nota vermelha” é a participação efetiva do estudante nas atividades propostas pela escola, por meio da retomada de competências e habilidades que ainda não foram consolidadas.

Como é feita a distribuição de pontos por bimestre?

R: Os bimestres estão divididos em quatro notas de 25 pontos. É importante que os estudantes estejam atentos a esta questão, pois até o ano passado, os bimestres eram divididos de outra forma, 20 pontos no primeiro e no segundo bimestre e 30 pontos no terceiro e quarto bimestre, sendo necessário 60% da nota anual para a aprovação, tendo em vista não só a busca pela garantia do direito dos estudantes à aprendizagem, mas também ao sucesso na trajetória escolar.

Essa espécie de “auxilio” que vocês de certa maneira fornecem, é algo de cada escola ou das escolas em geral?

R: A implementação das ações necessárias e específicas à rede Estadual de Ensino, são pautadas na Resolução SEE nº 2.197, de 26 de outubro de 2012,queestabelece as diretrizes para a organização e o funcionamento do ensino nas Escolas Estaduais de Educação Básica de Minas Gerais, dispondo em seu artigo Art. 79 que“A Escola deve garantir, no ano em curso, estratégias de intervenção pedagógica, para atendimento dos alunos que, após todas as ações de ensino-aprendizagem e oportunidades de recuperação, ainda apresentarem deficiências em capacidades ou habilidades no(s) Componente(s) Curricular(es) do ano anterior”.

Todas as escolas adotam os 25 pontos por bimestre?

R: Todas as escolas foram orientadas pela Superintendência Regional de Ensino que o total dos 100 pontos equivalentes ao ano letivo, a partir do ano de 2019, fosse dividido desta forma – 25 pontos em cada um dos quatro bimestres.

Qual a contribuição dos pais no auxilio e atenção aos afazeres escolares?

R:A parceria entre escola e família no planejamento e afazeres das atividades pedagógicas contempla aspectos essenciais para a melhoria dos projetos de ensino e aprendizagens ao promover a tomada de decisões com base na análise da realidade escolar. A escola como característica de um espaço reflexivo da realidade social, com a marca distintiva no mundo contemporâneo, constitui sua razão de ser, a formação humana em suas várias dimensões. Além disso, possibilita a reflexão e a definição coletiva dos objetivos de ensino e de gestão da escola, projetando as potencialidades frente as demandas sociais, permitindo prever e prover discussões que permitem o envolvimento de todos na organização e articulação das ações educativas,otimizando e organizando o trabalho coletivo. O planejamento participativo na Escola Marieta Castro, é de fundamental importância para que haja o envolvimento de todos: pais/filhos, professores/alunos, gestores/professores/alunos, dando a todos a sensação de pertencimento e envolvimento na perspectiva de contribuição para a construção de um ambiente colaborativo de aprendizagem. A escola não é somente um espaço de transmissão da cultura e de socialização é também um espaço de construção de identidade. A influência da família é fundamental no processo educativo, pois fortalece a apreensão da essência humana na busca do fortalecimento dos vínculos na família, que são ampliados juntos a instituição escolar e integrados buscam propostas que envolvam todos na busca de conhecimentos que favoreçam a aprendizagem no processo educativo.

Entre o ensino fundamental e médio, qual dos dois estágios escolares possuem alunos com maiores dificuldades em termos de aprendizagem?

R: Educar cobre um amplo espectro de expectativas sociais, que vão desde a transmissão de conhecimentos úteis para a futura profissão, até a preparação para a vida, passando, nesse caminho, por disciplinar, conscientizar, livrar de perigos, ou ajudar nas intempéries da própria idade.Assim sendo, quanto mais precoce for a intervenção sendo eficaz sobre uma determinada dificuldade de aprendizagem, maior será seu efeito transformador. Na Escola Estadual Professora Marieta Castro, os estudantes, que apresentam algum tipo de dificuldade de aprendizagem, desde o início do Ensino Fundamental II, são propostas estratégias diversificadas para o desenvolvimento e consolidação de habilidades necessárias ao contexto em que se encontram inseridos, sendo que alguns estudantes necessitam de um tempo maior para se desenvolver, e a partir do diálogo entre os professores que lecionam no Ensino Médio, há a continuidade do trabalho e o aprofundamento para consolidação das habilidadesque ainda necessitam de intervenção.

Atualmente, aluno só é reprovado se ele quer? Isto é, quando ele não se esforça?

R: Não. O aluno é reprovado quando não consegue consolidar habilidades necessárias à realização das atividades escolares, e à garantia do desenvolvimento do seu pro­cesso pedagógico e consequente autonomia social.

Quando o aluno se transfere de outra escola, vocês têm acesso ou checam todo o histórico de notas dele?

R: Sim. Existe a verificação tanto das notas como da caga horária frequentada por este aluno, no sentido de manter a sua documentação regularizada.

Uma ferramenta chamada inclusão

Uma das teclas mais batidas no meio educacional, tem sido a inclusão. Incluir antes de mais nada, pressupõe capacidade e qualidade para ofertar isso, é nesse ponto que Dálete enxerga na inclusão, uma oportunidade rara de unir valores e transformar vidas. Dálete trabalha também com o Atendimento Educacional Personalizado, atende o turno matutino da Escola Municipal Professor João de Abreu Salgado. Tendo isso em vista, a especialista que trabalha há 20 anos na educação e especificamente está na área de educação especializada há 14, diz ser essencial a presença dessas necessidades educacionais especiais. “Percebe-se que alguns alunos precisam realmente de um tempo maior, de estratégias diferenciadas para que consiga desenvolver a partir do potencial dele. ”Este ano, a Escola Estadual Professora Marieta Castro, contou com a presença de uma professora de apoio, que enriqueceu os trabalhos com alunos do 6º ano, que apresentam necessidades educacionais especiais”. Na rede municipal, Dálete, atende duas escolas. Segunda, terça e quarta-feira, a Escola João de Abreu Salgado, quinta e sexta a escola Edna de Abreu,ela trabalha com meninos que têm algum tipo de necessidade educacional especial, que é o público do Atendimento Educacional Especializado. Para finalizar, a profissional ressalta a importância da instituição escola e seus educadores, na formação educacional desses alunos, “Enquanto escola, é necessário que se tenha noção da responsabilidade intrínseca à educação para que seja para todos, e não ocorra apenas o acesso do estudante,mas também a sua permanência e desenvolvimento,” conta a especialista. Essa ferramenta de educação, é vital para a melhor formação e desenvolvimento dos alunos.

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