A Polícia Civil cumpriu um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça, na manhã desta sexta-feira (02), contra um rapaz de 40 anos, do bairro Ponte Alta, em Três Pontas. Ele é acusado de matar a própria esposa, a dona de casa, Rita de Cássia da Silva de 37 anos. O crime teria ocorrido no dia 13 de setembro e as investigações realizadas, apontam que o rapaz batia na mulher com frequência, porém, as últimas agressões resultaram no rompimento do fígado que ocasionou uma hemorragia. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada do dia seguinte, no Hospital São Francisco de Assis.

A polícia acredita que Rita de Cássia estava sendo agredida desde a semana passada, mesmo estando acamada. No domingo, as agressões continuaram e o rapaz saiu para ir a um aniversário. Na festa de um vizinho, os convidados perguntaram pela dona de casa, e ele alegou apenas que ela não quis ir. O acusado chegou inclusive a levar um pedaço de bolo para casa. Quando retornou, encontrou a companheira caída no chão do banheiro. O suspeito avisou familiares dele que moram ao lado e a vítima foi socorrida para o Pronto Atendimento Municipal. Ele alegou que ela havia passado mal. Porém, os médicos do Hospital desconfiaram da quantidade de hematomas que ela tinha por todo o corpo. A mulher veio a óbito, as 2:45 da madrugada. A Polícia Civil foi acionada, registrou um boletim de ocorrências e iniciou imediatamente as investigações para a apurar o caso.

Investigações apontam autoria 

Vários setores da Polícia Civil trabalharam para elucidar o caso. A Perícia médica constatou que se tratava de uma morte violenta. Havia lesões na cabeça, na barriga, nas pernas, nas coxas e nádegas, além dos antebraços, que provavelmente teria usado para se defender. A causa da morte teria sido a grave lesão que Rita sofreu no fígado.

Os investigadores recolheram vários elementos de prova. No imóvel onde os dois moravam, a Perícia técnica encontrou fios de cabelos longos em pedaços de madeira e marcas de sangue no chão e na parede do banheiro, onde ela teria sido encontrada. O suspeito alega que ela estava menstruada, mas a versão foi descartada.

Ao realizar o trabalho de campo, os investigadores perceberam situações estranhas, começando pelo próprio depoimento do suspeito. Vizinhos já ouviram a dona de casa pedindo por socorro. Rita de Cássia teria confidenciado a uma vizinha que já tinha apanhado do marido, mas que não tinha coragem de denunciá-lo, porque não tinha para onde ir, por isto, mantinha o relacionamento com ele.

Sem tristeza ou arrependimento

O que chamou a atenção, é que no dia que Rita de Cássia faleceu, o marido não demonstrou nenhum sentimento de tristeza. Ele não compareceu ao velório, muito menos ao sepultamento. Na tarde ensolarada e quente, o suspeito estava com sintomas de embriaguez.

Ele nega o crime a todo momento, mas como o conjunto de provas levantadas nas investigações são evidentes, a Polícia Civil pediu e a justiça decretou a prisão preventiva do suspeito. O casal já tinha passagens pela polícia. O rapaz por Maria da Penha, por ameaçar e agredir sua própria irmã e sobrinha e tentar matar uma ex companheira.

A prisão

 

O acusado foi encontrado na rua onde mora, bebendo cachaça junto com um amigo. A ação rápida dos policiais o surpreendeu. Ele não teve como reagir e foi encaminhado ao Pronto Atendimento Municipal (PAM), onde alegou ter ido no dia anterior porque havia sido agredido, mas era mentira.

Ele foi preso, encaminhado à Delegacia de Polícia Civil e depois levado para o Presídio de Elói Mendes. O acusado responderá pelo crime de feminicídio, e se condenado vai a juri popular e pode pegar uma pena que varia de 12 a 30 anos de prisão.

Ele foi levado para a Delegacia e depois para o Presídio de Elói Mendes

Agressão tem que ser denunciada

A Polícia Civil orienta que as mulheres devem denunciar os casos de violência desde o início, para que os casos não terminem desta forma. São muitas as mulheres que vivem situações assim, por isto, a primeira reação da mulher vítima de violência doméstica é acionar as polícias. É possível solicitar medidas protetivas, que tem o objetivo de proteger às vítimas, mas elas não podem permanecerem em casa ou ficarem juntas com os agressores. Muitas vezes é necessário abrir mão de uma vida inteira, quando o relacionamento já não vai bem, enfrentar um pouco de dificuldades, aquelas que são dependentes, mas garantir sua integridade e preservar a vida.

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