Fotos: Equipe Positiva

O final de semana foi de muita cultura e diversão, para gente de todas as idades. A 1ª Feira Literária de Três Pontas realizada pela Secretaria Municipal de Cultura, Lazer e Turismo nesta sexta-feira (31) e sábado (1º), trouxe dois dias intensos de atividades na Praça Cônego Victor, no Centro.

Da abertura oficial com a apresentação da Banda Apae até o encerramento com a Corporação Musical Luis Antônio Ribeiro, a última atração no fim da tarde de sábado, a Praça da Matriz ficou lotada para assistir e participar de várias apresentações artísticas e culturais. E se o evento é para incentivar a leitura, as crianças das escolas receberam uma cédula literária e ganharam livros infantis, entregues pelos jovens do Interact Club. O Programa Saúde da Família (PSF) Dr. Carlos Antônio Fagunde,s ajudou na produção da ornamentação das tendas da Praça, e durante a feira, eles distribuíram mensagens de otimismo, tão necessárias no dia de hoje. Escritores da cidade atenderam o público, mostraram suas obras e puderam bater papo com leitores.

A Feira ocorreu tudo dentro do previsto e superou as expectativas do secretário de Cultura, Lazer e Turismo Alex Tiso Chaves. Na sexta-feira as escolas enviaram seus alunos e a Praça ficou lotada. Não foi diferente no sábado, quando a organização acreditou que seria mais calmo, o público também compareceu e prestigiou as atrações desde de manhã até a tarde.

Quando a Secretaria planejava a Feira Literária para o mês de maio, recebeu da Câmara Municipal, a notícia de que o vereador Maycon Machado havia criado através de um projeto de lei a Semana Municipal do Livro e que ela havia sido inclusa no calendário cultura da cidade, no mês de setembro. De acordo com Alex, foi mais um incentivo para que o primeiro evento fosse criado. A partir de 2020, a intenção é se organizar e adequar a Feira Literária para setembro, em três dias, apesar das comemorações do aniversário de morte do Beato Padre Victor.

Alex (foto) aproveita para agradecer a confiança do prefeito Marcelo Chaves que acreditou mais uma vez que sua equipe seria capaz de organizar mais um evento inédito. O resultado é fruto de parceria com a Faculdade de Três Pontas (Fateps – Grupo Unis) e o Tuca Tendas, que manteve montada na Praça da Matriz, as tendas alugadas para a festa e quermesse da padroeira Nossa Senhora D’Ajuda. “Com criatividade, poucos recursos e nossas amizades que são de pessoas que querem ver uma Três Pontas para frente culturalmente desenvolvida, estamos fazendo algo diferente”, definiu Alex Tiso.

Estudantes das escolas municipais e estaduais se empolgaram com tantas atrações. Eles puderam escolher o que mais agradava a cada um, mas toda a programação buscou incentivar a leitura, fazendo com que se torne um hábito saudável e bastante prazeroso, mesmo que ela não seja feita propriamente com um livro nas mãos, mas até através de um aparelho celular ou aplicativo.

O coordenador de projetos de inovação da ONG Casa da Árvore de Poços de Caldas, Aluísio Cavalcante teve um papo interessante com um público antenado.  Segundo ele, as pessoas nunca estiveram tão expostas a leitura como atualmente, principalmente as crianças. Ele rebate quem afirma que a turma não lê muito. “Lê sim, muito mais do que em outras épocas. Educadores, bibliotecários, mediadores de leitura, precisam tentar explorar e aproveitar estes espaços onde os jovens já estão que são as redes sociais. Há um grande potencial de interatividade, comentários que podem aproximar essa as crianças da literatura”, afirmou Aluisio.

Dados apresentados por ele na conversa, mostra que 80% dos jovens no Brasil tem acesso ao telefone celular. Ele é a principal ferramenta de inclusão social no Brasil. Se lembrarmos que um livro novo custa no mínimo R$35, o celular pode ser uma ferramenta de democratização do acesso a literatura. Através das redes sociais pode se atingir quase 52% dos estudantes do ensino médio que gostam um pouco de ler. 60% das práticas educativas em sala de aula, ainda são a exposição de conteúdo. Ao mesmo tempo, 20% são exercícios de fixação, ou seja, sobram muito pouco tempo para se desenvolver práticas que estimulem a criatividade, o prazo e o gosto pela leitura. O desafio tanto para as bibliotecas escolares, e as bibliotecas públicas é explorar a leitura como prazer e não como a tarefa na escola. “Se existe 80% dos jovens com celular, e que gostam pouco de ler e precisam de um estímulo, talvez explorar a leitura no celular, nas redes sociais, as experiências que eles já tem, possam transformar o Brasil em um país de leitores”, explica o especialista.

Marieta Castro expõe Cordel e faz concurso de desenhos

A Escola Estadual Professora Marieta Castro foi a única escola do Estado que utilizou o espaço disponibilizado na Feira Literária. Duas professoras receberam o apoio incondicional da diretora Débora Ferreira de Brito e surpreenderam que passou pela Praça.

Mariana Mazoti Gama é professora de Inglês no ensino médio, é formada em Letras e apaixonada por literatura. Fez uma pesquisa e constatou que os alunos da rede pública não estavam tendo acesso à literatura de Cordel ou sequer sabiam o que ela era.É um tipo de poema popular, oral e impressa em folhetos, geralmente expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome. O nome de cordel é original de Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes.Quando Mariana soube da feira ofereceu para fazer a exposição. Ela e seus alunos exibiram cordéis já existentes escritos a mão pelos alunos e as xilogravuras também produzidas por eles. “Estou muito satisfeita com o resultado e com a feira literária também”, comemora a professora Mariana Mazoti.

Além do Cordel, um concurso de desenhos realizado na Escola Marieta despertou o interesse de outras escolas das redes municipal e particular. O convite veio da idealizadora Natália de Abreu Campos Fortuoso, professora de língua portuguesa. A ideia surgiu quando começou a dar aulas na escola, identificou que os meus alunos desenhavam muito bem. Quando soube do Festival, procurou a Secretaria de Cultura que autorizou ela trazer os desenhos de seus alunos.A bibliotecária Luciene Oliveira deu a ideia deles produzirem personagens de livros e algo relacionada a literatura. A ideia deu tão certo que outras escolas participaram como as municipais Antonieta Ferracioli, Cônego Victor e as estaduais Deputado Teodósio Bandeira, Maria Augusta, Cônego José Maria e o Colégio Travessia, do Grupo Unis.

Livraria vende de quebra cabeça a livros de finanças

Jeremias da Hora é dono de uma livraria em São Lourenço e participa de feiras intinerantes na região

Livrarias apresentaram clássicos, obras de autores famosos e exemplares interativos, para crianças a partir dos dois anos de idade até adultos. Para os pequenos, livros que estimulam a coordenação motora, quebra-cabeça e novidades como o Livro Secreto. A criança escreve e só é possível ler com a luz mágica. Para os adultos são livros de finanças, literatura clássica e romance. Um dos stands era de Jeremias Rodrigues da Hora. A livraria Livros da Hora de São Lourenço também participa de feiras itinerantes o ano inteiro. Na opinião de Jeremias Rodrigues, as feiras incentivam as pessoas a comprarem livros e a leitura. Toda criança gosta de ler, mesmo que ela não saiba ler ainda as letras, mas observam as figuras.

Pela primeira edição, as vendas surpreenderam o dono da livraria ainda mais por ser apenas dois dias. Desde o momento que estavam montando a estrutura, Jeremias percebeu que as vendas seriam boas. “Desde ontem (sexta) a gente está trabalhando bastante. Quem esteve aqui ontem e não pode comprar está voltando hoje (sábado)”, destacou o comerciante.

Reconhecimento a um patrimônio vivo

A Feira Literária reservou uma justa homenagem, a um patrimônio vivo da história de Três Pontas. Aliás, ninguém discute ou contesta o conhecimento que o historiador Paulo Costa Campos tem da cidade. Ele mesmo disse que viu muita coisa errada na história e gente que não fez nada a favor do Município sendo reconhecida. Escritor por acaso, ao se aposentar não queria ficar em casa sem fazer nada. Começou a pesquisar e descobriu muitas coisas que colocou em um livro. Foi bancário, professor, produtor rural e presidente do Sindicato dos Produtores, Vicentino, voluntário no Hospital São Francisco de Assis, um dos fundadores do Trespontano Olímpico Clube (TOC) e da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), genealogista, pesquisador e escritor de um livro sobre a história de Três Pontas e de vários artigos na imprensa local. Paulo Costa integra o Conselho do Patrimônio Histórico e foi vereador e presidente da Câmara Municipal entre 1987 e 1988.

A homenagem foi feita pelo próprio secretário de Cultura Alex Tiso, que leu sua biografia. Com 94 anos bem vividos ao lado da esposa Elza de Oliveira Reis Campos, com quem divide seus dias a 67 anos, ainda se recuperando de um forte gripe e ainda um pouco indisposto, se esforçou e compareceu na manhã de sábado (1º) a mais um reconhecimento expresso através de uma placa de prata, entregue pela Prefeitura Municipal.

VEM AI Festival Canto Aberto e os 162 anos de Três Pontas

O aniversário de 162 anos de emancipação político  administrativa de Três Pontas no dia 03 de julho é o próximo evento da Prefeitura. A equipe da Cultura, já trabalha há meses na organização da festa que será junto com o 7º Festival Canto Aberto. Ele exige muito empenho, já que são várias atividades realizadas desde as escolas, com disputas a local e nacional, concursos e seleções e grandes shows, como de Renato Teixeira, 14 Bis e Nano Vianna e Banda, tudo de graça à população.

O desfile no feriado será na Praça Cônego Victor, com início pontualmente as 8:00 da manhã com o hasteamento das bandeiras. Em seguida, as escolas irão mostrar em alas, as datas comemorativas do calendário da cidade.

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