Bruno Henrique com a medalha de ouro no Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu 2019. (Foto: Arquivo pessoal)

Uma das atividades mais importantes na sociedade é o esporte. O Jiu-Jitsu, arte marcial que visa dominar e derrotar o oponente, tem se tornado mais do que isso, é uma arte que une sonhos e conquistas. No município de Três Pontas, um dos destaques do Jiu-Jitsu é o jovem Bruno Henrique Andrade Galvão. O menino de apenas 12 anos de idade, possui um início de trajetória excelente, com bons números e uma cabeça focada nos estudos e no esporte. Bruno Henrique por mais novo que seja, é um expoente no esporte trespontano.

Trajetória e conquistas!

Bruno, atleta que começou a treinar Jiu-Jitsu há quatro anos, isto é, quando ele tinha apenas 8 anos de idade, resolveu visitar uma academia para conhecer como eram as coisas por lá. A decisão partiu dele e da influência positiva dos amigos e ao escolher visitar um lugar apropriado para treinos de Jiu-Jitsu, ficou claro que esse interesse já despertava a paixão e o dom pelo esporte. Desde os primeiros treinos, Bruno já mostrava facilidade para aprender, o amor pelo esporte aos poucos foi se consolidando. Os amigos de escola foram tão influentes que Bruno não pensou muito para escolher seu caminho. “Eu conheci o esporte através dos meus amigos na van. Eles me apresentaram o esporte, eu perguntei pra minha mãe se ela me levava para conhecer, ela me levou, eu gostei e fiquei até hoje”.

Ao longo desses anos, Bruno participou de vários campeonatos regionais e Interestaduais, colecionando várias medalhas. Por falar em medalhas, essa última foi especial, pois veio do renomado Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu da CBJJ (Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu), uma competição que reúne atletas do Brasil inteiro com o nível maior se comparado com os regionais. A questão do Campeonato brasileiro é realmente muito especial, a competição foi disputada na cidade de Barueri, em São Paulo e é certamente, a medalha mais “pesada” que Bruno já conquistou. O detentor de medalhas, falou sobre o privilégio de vencer mais uma competição. “É uma das maiores competições do Brasil, é uma competição difícil. Considerada uma das mais difíceis do Brasil e eu tive o privilégio de ganhar ela”, comemora.

O evento ocorreu no Ginásio Poliesportivo José Corrêa e Bruno precisou de duas lutas contra o mesmo adversário para vencer e conquistar o pódio mais alto da premiação. Vale lembrar que ocorreram no evento do dia 28 de abril, confrontos de atletas entre 4 a 17 anos. A título de informação, com a vitória em Barueri no último domingo (28), Bruno ganhou sua 15ª medalha em apenas 4 anos praticando o esporte.

Das primeiras medalhas, até as mais recentes, ao todo são 15. (Foto: Equipe positiva)

Agora que acabou o Campeonato Brasileiro, o foco não para por aí, começa a preparação para o Campeonato Sul-americano, que será na cidade do Rio de Janeiro. A academia também irá contar com outros atletas que participarão deste torneio, assim como já participaram de outros. Entre esses esportistas, as alunas Kethelyn Almeida e Ana Clara Almeida estarão presentes. Recentemente elas trouxeram o segundo lugar para a academia Sport Center. Todos eles, juntamente com Bruno, estarão presentes no campeonato Sul-americano, para se prepararem, haverá na cidade de Três Pontas o 3º Open de Jiu-Jitsu, onde eles estarão presentes e o evento será no dia 19 de maio.

Atualmente, Bruno treina na academia Sport Center em Três Pontas. Na academia, o garoto prodígio tem como mestre Adriano Silva e como professor Robson, mais conhecido como Bolão. A academia é um espaço de dedicação e conhecimento para Bruno, treinar é uma forma de estar preparado e focado, assim como nos estudos.

Bruno ao lado de seus mestres e companheiros de academia. (Foto: Arquivo pessoal)

Desafios do dia a dia

Além de talento e energia, Bruno possui em seus pais, grandes alicerces. De acordo com o campeão, os pais são motivadores e incentivadores. “Me dão incentivo para eu continuar e não parar, quando eu perco, eles não deixam eu desistir, e o estudo, o estudo em primeiro lugar”. A família ajuda com tudo, sabe-se que os incentivos a alguns esportes estão cada vez mais escassos, quando existe alguma ajuda pública, normalmente não é suficiente, mas sempre bem-vinda. Se tornar um atleta e se propor a isso, não é uma missão das mais fáceis.

Naturalmente, durante o ano, várias competições fazem parte do calendário do Jiu-Jitsu no Brasil. Porém, Bruno não tem participado de todas. A explicação, segundo o atleta, é a falta de capital financeiro considerável, afinal de contas as viagens, alimentação, equipamentos, treinos e taxas são pagas do bolso do competidor, no caso de Bruno, a mãe é uma verdadeira guerreira e admiradora do sucesso do filho. É claro que existe um patrocínio aqui e outro acolá, no entanto, não é fácil conseguir uma ajuda maior.

 O que faz falta muitas vezes, é a falta de critério das instituições que fomentam o esporte no país e na região e claro, uma subvenção financeira que subsidie a questão de viagem, hotelaria e outras coisas mais. As dificuldades do dia a dia são encaradas como desafios, se depender do esforço dos pais e da dedicação e qualidade de Bruno. Os desafios que em diversos momentos na vida de uma pessoa são empecilhos, na avaliação deste atleta, servem de motivação para vencer e subir cada degrau sem nunca se esquecer que sozinho, ninguém vai a lugar algum.

O futuro é logo ali!

Embora muito jovem, Bruno pensa em ser professor no esporte que pratica e não descarta de forma alguma a possibilidade de se tornar um profissional das artes marciais. O seu objetivo é o estudo e junto com ele o Jiu-Jitsu, por mais que os 12 anos de idade possam parecer pouco, sempre demostra uma gratidão, esforço e maturidade fora do comum.

Quando perguntado sobre algum erro ou deslize, o menino que até pouco tempo era “baixinho”, responde com uma leitura e maturidade que faltam a muitos esportistas. “No Pan-Americano mesmo, eu fui e lutei, estava ganhando de 5 a 0. Na bobeira minha que eu apavorei, pra tentar acabar com e luta rápido, eu fui lá e tomei raspagem, o cara me finalizou. Então, eu perdi a luta de bobeira, sendo que eu podia ter ganhado”, resumiu.

O futuro que aguarda Bruno, já esteve com ele em passado recente, o que era futuro, foi realizado no presente. A arte e a lealdade do caráter no Jiu-Jitsu, aliado a honestidade, gratidão e trabalho da família e de Bruno, são pontes que já sustentam o sucesso do garoto. O incentivo e as melhorias nas subvenções ao esporte devem melhorar sim, afinal de contas ele poderia e deveria ser mais observado e bem cuidado pelo município em termos de desenvolver e lapidar talentos.

A dificuldade afeta a todos, abala a estrutura de uma organização ou algo do tipo, se tratando de Bruno, o futuro que é logo ali, pode ser amanhã ou mês que vem. Quando nos deparamos com vencedores na vida e no esporte, nos deparamos com pessoas completas e diferentes. Se no momento o sonho de um competidor é vencer o mundial de Jiu-Jitsu nos Estados Unidos, nunca é bom duvidar de um atleta, ainda mais de um jovem vencedor.

Bruno comemorando mais uma vitória. (Foto: IBJJF – International Brazilian Jiu-Jitsu Federation)
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