E o título de Pai do Ano 2019 do Lions Clube de Três Pontas, vai para o criador da honraria: Antônio Murillo Mesquita de 79 anos. Ao registrarmos a história de homenageados, buscamos conhecer algo além do que todos já sabem. Saímos do obvio, de dizer que é merecedor, para entrarmos em detalhes em uma trajetória que sempre traz algo a mais. Bastou alguns minutos de uma conversa informal, que logo descobrimos que o nome de Murillo está marcado na história da Capital Mundial do Café. Ao continuar a reportagem logo entenderão que ele foi o responsável por marcar uma época que não volta mais.

O filho do Seu Nenê Mesquita e Dona Ignez Vaz-Tostes Mesquita, nasceu na Fazenda da Toca em outubro de 1939. Lá mesmo fez seu curso primário, depois veio para o Ginásio São Luiz, até 1956. Passou por outros dois colégios fora da sua terra, Arnaldo em Belo Horizonte e Arnaldo e Nossa Senhora Aparecida, em Lavras.

Em 1961, formou-se em contabilidade e cinco anos depois em Direito, na cidade de Uberaba. Murillo exerceu a profissão de advogado apenas por três anos e depois não quis mais. Então, foi dar aulas na Escola do Comércio.

Sua vida mudou quando conheceu o Lions Clube e foi um dos fundadores da organização internacional na sua terra natal, em 1966. Seu objetivo sempre foi ajudar o próximo e promover ações voltadas à comunidade, principalmente a mais carente. Seu caminho parecia já estar traçado, tanto é que está lá a 53 anos. Murillo recorda bem que ao lado do companheiro trespontano Carlos Brito, que era sócio em Varginha, resolveram fundar o Lions Três Pontas, juntamente com Edi Borges, já com 56 associados.

Ele ocupou o cargo de presidente por duas vezes: em 1977 e em 2008. “Não sei o que seria da minha vida não fosse o Lions. É um lugar que temos para servir a humanidade. Modéstia a parte, temos muitos serviços prestados”, diz o companheiro Leão. E foi o próprio Murillo quem criou o título e Festa do Pai do Ano no Lions, apesar de nunca ter a pretensão de ser homengeado. Entendeu apenas que como o Rotary homenageia as Mães, os Pais também deveriam ser reconhecidos, pois a missão não é difícil. “Fiquei muito feliz quando o companheiro Claiton Maciente, então presidente, indicou meu nome e foi aprovado por unanimidade”, destaca. Além de participar da missa deste sábado (10) dedicada a ele na Igreja Matriz Nossa Senhora D’Ajuda, ele receberá o Título de Pai do Ano da Câmara Municipal em cerimônia no Plenário Presidente Tancredo Neves na segunda-feira (12), as 19:00 horas.

Mas, Murillo é mesmo conhecido entre os companheiros, como o grande mestre de cerimônias. E acreditem, o cargo é ocupado por ele há 50 anos. Nas festivas ou nas reuniões, ele mantém esta tradição e os convidados logo conhecem os motivos por estar tantos anos a frente do microfone, que ele prefere as vezes dispensar.

Está casado com a paixão de sua vida há 48 anos: Sueli Naves de Sousa Mesquita. Aliás, ela é uma de seus amores. Seus dois filhos, o zootecnista Adriano e a advogada Cibele e as três netas: Laura, Carolina e Maria são as suas razões de viver. E ele faz questão de ter todos eles por perto. Sua rotina é de dedicação a eles. Todos os dias faz o movimento bancário da esposa que tem uma loja de presentes e decorações no Centro. É criador de cavalo da raça Mangalarga, no Rancho Santa Inês e cafeicultor, seguindo a tradição da família. Neste período de colheita vai todos os dias na Fazenda que herdou, a Fazenda Cascata em Boa Esperança.

O que pouca gente sabe, é que Murillo foi o idealizador e organizador das famosas Exposições Agropecuárias de Três Pontas, desde em 1967. Ele lembra que quando estudou em Uberaba, cidade que mantém uma das maiores festas do Brasil, participava ativamente e quando retornou para Três Pontas, quis criar aqui. Teve como parceiro, o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, José Maria Rabelo e o apoio incondicional de todos os prefeitos daquela época.

Ele não se lembra em que ano a festa que movimentava a cidade, a economia e trazia tanta gente para cá deixou de existir, mas não esconde que a Exposição Agropecuária deixou de existir por falta de espaço. Era realizado no Parque de Exposições, no pátio do Seminário São José. Com o fechamento do Seminário e venda da propriedade, ela ficou sem local e gestor nenhum teve a vontade ou coragem para construir uma estrutura para receber a exposição de animais, a realização de shows e a instalação dos parques que alegravam a pessoas de todas as idades. “Foi uma festa que deixou muitas saudades. Era boa para a cidade, para o Sindicato e divertia todo mundo”, justificou. Esta é a maior saudade que sente, porque era feita com amor.

COMPARTILHAR