Elisangela Antonia Theophilo da Silva, ou simplesmente Elis Theophilo. A abreviação de seu nome, como ela é chamada, tem o significado de “Deus é salvação” e  o sobrenome Theophilo,  “amigo de Deus”. Se fizermos uma pesquisa mais aprofundada, veremos que Elisangela também significa “mensageira do Deus da abundância” ou “anjo prometido de Deus”.

A escrita do seu nome está correta desta forma e os acentos ausentes na sua certidão de batismo, podem ser substituídos pelas notas musicais que ela carrega desde sua infância em sua identidade. É porque a cantora e compositora, que foi vencedora do 8º Festival Canto Aberto 2020 fase local diz que não sabe o que seria de sua vida sem a música.

Elis que nasceu em Itaguaí (RJ), mas veio ainda bebê para Três Pontas, por isto, se considera trespontana, canta desde criança. Talvez com um ouvido apurado com as cantigas de ninar de sua mãe Dona Geralda, desde pequenininha, já compunha. Aos 7 anos fazia paródias e algumas das primeiras canções que aprendeu a cantar, de acordo com sua mãe, foram Chico Mineiro, de Tonico, da dupla Tonico e Tinoco, e Travessia de Milton Nascimento, com quem a cantora se encontraria anos depois, já demonstrando que o caminho seria assim mesmo, cheio de musicalidade.

Aos 16 anos, ela comprou seu primeiro violão e ingressou no Conservatório de Música Heitor Villa Lobos. Seu primeiro professor, era ninguém menos que o saudoso Jaime Abreu. Ele descobriu que ela cantava e foi preciso vencer a timidez para enfrentar o público. E o Conservatório teve o principal papel nisso. Com os professores Mauro Marques e Daniele de Abreu (filha de Jaime Abreu), iniciou as aulas de canto, se formando em Canto Popular muitos anos depois. A partir daí, Elis nunca mais se afastou do Conservatório de Três Pontas, dos professores e amigos que lá fez para a vida toda.

A primeira canção que cantou em público, foi Canção da América de Fernando Brant e Milton Nascimento e foi acompanhada ao violão pelo músico Beto Maciel.

Com uns 22 anos, trabalhando na confecção Limão Verde, do Marcos Dixini (Boy) começou a cantar a convite do patrão, no Ministério de Música da Renovação Carismática Católica Kyrios. Ela usou sua voz para promover a fé, nas igrejas, em eventos religiosos e retiros espirituais, mas sempre se apresentando também nas audições do Conservatório.

Posteriormente entrou no Ministério Resgate do grupo Kyrios com quem tinha um compromisso semanal e também costumava viajar por diversas cidades da região para evangelizar através da música. “Costumo dizer que quem começa cantar na igreja nunca para, porque é uma alegria e uma satisfação que a gente não sabe explicar”. Toda quarta-feira ela continua cantando na missa da Matriz Nossa Senhora D’Ajuda às 18:30. Nessa época, fez um ano e meio de Canto Técnico no Conservatório  de Varginha (Cemva).

Como nunca faltou vontade de trabalhar, em 2009, Elisangela Theophilo foi garçonete no Pizza Dog por um curto período e o proprietário descobriu seu talento através de uma frequentadora do restaurante. Nos fins de semana, ela passou então, a pedido de seu patrão, a dar ‘palinhas’ nos intervalos dos shows. Certo dia estava aguardando sair o pedido de um cliente e o patrão pediu para que ela deixasse os afazeres e fosse para o palco cantar alguma música, mencionando que Milton Nascimento estava na pizzaria. Vencendo a timidez, cantou duas músicas – “Romaria” de Renato Teixeira e “Eu sei que vou te amar”, de Tom Jobim e Vinícius de Morais, acompanhadas por Clayton Prósperi  e Gileno Tiso.

Ficou extremamente surpresa, quando foi convidada para participar da turnê de Milton Nascimento, o “Bituca” que reuniu músicos trespontanos no projeto “E a gente sonhando”. Eles gravaram CD e fizeram turnê em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e em Três Pontas no Festival Música do Mundo.

Na turnê de Bituca eram cinco vozes femininas: Isabela Morais, Ixa Veiga, Helen Mariah, Lidy Brito e Elis Theophilo. Três delas permaneceram juntas após o projeto, Helen Mariah, Lidyane Brito e ela. Nada foi proposital, mas alcançaram a enorme admiração e o carinho do público. Depois veio a Laise Reis. Elas formaram o Grupo Morena, que nasceu no Sarau da Casa da Cultura. Juntas cantaram em vários lugares, participaram de festivais, gravaram videoclipes e montaram até um site. Foi ai que ela se tornou a Elis, “mais prático e mais fácil até de se escrever”. Não foi difícil “pegar”, já que muitos amigos já a chamavam assim.

O Morena com a formação original, ficou junto durante uns três anos. Helen e Elis, decidiram seguir cada uma seu caminho, permanecendo então no grupo, Lidy e Laíse mas a amizade prevalece forte até hoje e as experiências que tiveram sempre volta a tona quando se reúnem para se divertirem e é claro cantarem.

Simultaneamente ao Grupo Morena, participou também do Coral Cantus Cênico de Varginha, que tem como maestro Alessandro Dias. Este é um o grupo que mistura música, dança e teatro, por duas vezes se apresentou no palco do Teatro Capitólio, com os musicais “Brasil Em Cantus” e “ Cantus Medieval”  e do Ummagumma, banda que roda o Brasil inteiro com um tributo ao Pink Floyd. Diante desta informação, ela é questionada se gosta de rock, pergunta que sempre tem que responder e a resposta é que as pessoas estranham, mas descobrem que sim. Ela é eclética, adora MPB e também o rock principalmente dos anos 60, 70 e 80. Ouve de quase tudo um pouco, curte diferentes estilos musicais e não desmerece nenhum deles.

Elis que também já tinha um trabalho solo, continuou cantando em bares, casamentos e festivais cristãos, a maioria em Três Pontas e região.  O primeiro festival que participou foi na Canção Nova com o parceiro Boy, depois na Comunidade Magnificat do padre Pepê com o Ministério Resgate e já conquistou o 2º lugar, com uma de suas composições. Em Boa Esperança por três anos, em um festival com todas as denominações religiosas, trouxe troféus de 2º e 3º lugares. Depois vieram os festivais de MPB, onde participou em Cruzília, Elói Mendes e outros festivais da região.

Em 2014 pisou pela primeira vez, no palco do Festival Nacional da Canção (Fenac), o maior festival de música popular do Brasil. A primeira experiência foi como intérprete. De lá pra cá, praticamente todos os anos ela conseguiu se classificar e em 2019, foi como compositora e intérprete.

Em 2018, quando o Festival Canto Aberto retornou não pensou duas vezes, se inscreveu e foi para os palcos. Neste ano, ficou em terceiro lugar da etapa local como intérprete da música “Marinheiro de Areia”, dos primos Sérgio Ricardo de Melo Barboza e André Luiz dos Santos Barbosa. No ano passado, quase foi campeã. Ficou em segundo lugar com a composição “Botequim” com letra e melodia suas e harmonia do talentoso músico Edson Pelé.

Em 2020, ao lado do também excelente músico Eric Maciente, que fez a harmonia, foi campeã, em primeiro lugar, pela primeira vez com “O que move o ser?” outra composição de sua autoria.  Ela contou novamente que ficou surpresa e apesar de torcer e desejar sair vitoriosa, mesmo sem ser premiada se consideraria vencedora e feliz, por se apresentar ao lado de tantos talentos. Sua humildade é tanta que revelou que o mais importante é compartilhar os momentos com os amigos. Nunca fez música para competir, faz para divulgá-las e não esconde que se não tiver premiação em dinheiro, se inscreve do mesmo jeito, porque acredita que o dom é dado para ser dividido. Para ela, a música sempre foi uma coisa tão inerente, que nunca pensou seriamente em fazer carreira e muito menos viver somente da arte, tendo sempre um outro trabalho paralelo. Isso às vezes lhe traz um certo arrependimento e talvez seja um dos motivos dela ter começado um pouco tarde a cantar profissionalmente, ao contrário da maioria dos artistas que iniciam bem jovens.

Ela é secretaria-recepcionista na Geagro, uma empresa revendedora de insumos agrícolas. Canta porque ama cantar e não se imagina sem a música. E nos momentos mais difíceis que teve em sua vida, Deus lhe mostrou que o canto tem o poder de trazer paz, alimentar a alma e o coração.

A Elis compositora compõe desde criança. Tinha um caderninho na infância que reunia suas letras, mas que acabou rasgando um dia por motivos que ela não se recorda muito bem. Suas letras relatam experiências que viveu, sentimentos e sensações , realidades que enxerga no mundo. Trechos que vem aleatoriamente, às vezes uma frase de cada vez, outras apenas uma melodia.

Ela afirma que o mercado tem que dar espaço a todos os estilos musicais e que tudo o que é feito com amor e determinação, tem seu devido valor, ainda que o gosto pessoal seja diferente. Não é de menosprezar nenhum estilo ou artista. É categórica: “se eu não gosto simplesmente não ouço”.

Para terminar a entrevista, pergunto se ela quer agradecer a alguém. Elisangela menciona a família que está sempre rezando por ela, seu marido Reginaldo, que lhe dá apoio incondicional e principalmente a Deus que a presenteou com esse dom. E sem querer correr o risco de esquecer de alguém, preferiu não citar nomes mas agradeceu a todos que sempre incentivam, apoiam e prestigiam o trabalho dela.

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