Loui Jordan   

O autismo é mais do que um assunto, é uma excepcionalidade humana. O tema está em alta como nunca antes e derrubar algumas barreiras ainda é preciso. A Escola Estadual Presidente Tancredo Neves recebeu na tarde de quinta-feira (08), a palestrante Naty Souza. Além de ministrar palestras em diversas cidades do país, Naty é influenciadora digital e também trabalha com arte gráfica, inclusive faz camisetas sobre o tema.

Por que o autismo?

A escolha do assunto possui uma justificativa mais do que merecida, humana. Naty, descobriu que era autista aos 31 anos de idade. A moça que nasceu em uma pequena ilha em Belém do Pará, conhecida como ilha do Outeiro (Ilha de Caratateua) e resolveu dar uma outra versão à narrativa que vagueia na sociedade.

Sobre o discurso autista, Naty fala sobre a decisão de começar a difundir o autismo de uma perspectiva diferente. “Eu já fazia um trabalho com os transtornos mentais. E aí eu resolvi falar sobre o autismo sob a perspectiva de uma pessoa autista. E conforme a minha página foi crescendo, profissionais e pais me procurando para mais esclarecimentos, eu percebi a carência em se falar sobre isso. E aí também chegavam em mim muitas reclamações da falta de inclusão social, do despreparo. Profissionais que às vezes não entendiam o autista em sala de aula, ou até mesmo a dificuldade de diagnosticar autismo leve e aí eu vi que não se tratava mais de falar de mim, mas lutar por aqueles que não tem espaço ainda, não tem a representatividade na mídia”, conclui Naty.

Em relação ao seu avanço no espaço público, as suas palestras não possuem um único público alvo. Tanto a área da educação, quanto a área médica estão na plateia de suas palestras, assim como as famílias e os simpatizantes do tema. Esse discurso que visa a população em geral, tem muito a ver com o momento em que o autismo está mais em alta no debate público. “Eu acho que o autismo hoje está no momento do despertar, que é o momento de falar que existem essas pessoas que por muito tempo foram segregadas, separadas em manicômios, até mesmo a própria família excluía, com a vergonha de dizer que tinha um filho especial. O meu objetivo é mostrar para a sociedade no geral como trabalhar, como lidar e explicar para eles que nós merecemos a nossa cidadania”, conta a divulgadora dessa forma de vida.

Os vários alunos que estiveram na palestra na Escola Estadual Presidente Tancredo Neves, puderam desfrutar de conhecimento e uma conquista que não se apagará mais. Falar de autismo, é falar do outro, é tornar explícito a existência de um tema que muitas vezes fica velado na sociedade.

Estudantes da Escola Tancredo Neves conheceram a fundo o tema

O ativismo através das palavras                              

Naty Souza, tem uma página chamada “Meu mundo autista”. Fora isso é escritora e ativista na causa, além é claro de desempenhar todas as atividades já citadas. Sobre o ativismo através das palavras, a influenciadora digital mostra entusiasmo ao falar das manifestações discursivas sobre o autismo. “Muitos artistas ativistas também estão na luta para que a gente possa ser protagonista mesmo da nossa história. Abrir o espaço para nossa voz para desconceituar alguns conceitos e mitos que são colocados para a sociedade e que muitas vezes colocam o autista como alguém que não interage, alguém que tá invisível na sociedade e então a gente tá lutando. Não somente eu, mas muitos pais e outros ativistas autistas também para validarmos a nossa voz na sociedade”, relata a ativista.

Ter momentos e locais de fala são essenciais para o autismo. Quando um autista fala sobre o assunto, o discurso ganha temperos mais fidedignos, é uma relação que estabelece crédito ao emissor. Por falar em credibilidade, a página criada por Naty é um diário que navega sobre o assunto e sobre tudo que o envolve e a sua maior qualificação, é sua vida, pois Naty tem como grande bagagem suas experiências e ensinamentos.

Naty vai para São Paulo onde estará em um ciclo de palestras. O ativismo afim de propagar um novo arsenal de ideias, é sempre algo positivo na questão autista. Por fim, ela destaca dois pontos, um negativo e outro positivo. O negativo é que a política de inclusão ainda não é efetiva, está no papel, mas na prática ainda não acontece. O positivo é que mais profissionais estão se qualificando e dispondo tempo e amor para divulgar o autismo, tudo isso é louvável do ponto de vista retórico. O autista é uma pessoa como qualquer outra, possui suas habilidades, virtudes e especialidades.

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