Com o passar do tempo, as pessoas estão relaxando em relação aos cuidados de prevenção ao Covid-19. Os casos de Coronavírus não param de crescer em Três Pontas e de acordo com o médico pneumologista o Dr. Marcus Vinícius Moreira. Ele relata que ainda não se atingiu o pico da doença. A tendência a estabilidade na curva de casos, indica que se atingiu um platô e que talvez não se tenha um pico em Minas Gerais.

ENTREVISTA

Dr. Marcus, podemos dizer que o pior da pandemia já passou?

Ainda não. Estamos convivendo com uma doença infecciosa altamente contagiosa, causada pelo Coronavirus ou Covid-19, há aproximadamente sete meses. Não há um tratamento consolidado e a vacina ainda se encontra em fases de testes, o que torna as pessoas vulneráveis a doença. Segundo os dados da Secretaria Estadual de Saúde, o número de casos mostra uma tendência a estabilidade, baseado na taxa de ocupação de leitos e números de óbitos no Estado, mas não é hora de relaxar.

O município já atingiu o pico da doença?

Não. A tendência a estabilidade na curva de casos indica que atingimos um platô e que talvez não tenhamos um pico em Minas Gerais, como foi divulgado nesta semana pela Secretaria de Saúde do Estado. Esses dados permitem que os serviços de saúde consigam atender um fluxo normal de pessoas doentes.

Em Três Pontas, as pessoas nas ruas parecem estar vivendo normalmente. Isso preocupa?

Sim. Essa situação preocupa muito, pois estamos ainda vivendo em uma condição vulnerável, como já foi colocado. A transmissão de pessoa a pessoa é muito fácil. A população deve respeitar as orientações recomendadas pelos órgãos públicos.

Ainda há um número grande o número de casos suspeitos que apresentam sintomas de gripe. É provável que muito deles sejam diagnosticados como Coronavírus?

A maioria das pessoas que apresenta a doença causada pelo Coronavírus tem sintomas clínicos leves. Muitos, talvez, nem procuraram a assistência médica. É estimado que a cada paciente com o diagnóstico de Coronovírus, existem aproximadamente mais 12 pessoas contaminadas. Outro fator importante é que todos os exames realizados para detecção da doença podem apresentar um resultado falso-negativo, ou seja, a pessoa está com o vírus, mas o teste é negativo.

É estimado que a cada paciente com o diagnóstico de Coronovírus, existem aproximadamente mais 12 pessoas contaminadas

Existe alguma medida de prevenção ao Covid-19 que pode ser deixada de lado neste momento?

Não. As medidas de prevenção ainda devem ser respeitadas, como evitar aglomerações de pessoas em locais públicos e a não realização de festas, churrascos ou outros eventos. O uso de máscara e a lavagem das mãos com o uso de água e sabão, assim como o álcool em gel, também são fundamentais.

O uso de máscara ainda é essencial?

Sim. A máscara evita que as pessoas se contaminem de forma direta, através de tosse, espirros e durante a fala, assim como a forma indireta. O uso da mão ao tossir ou espirrar, contamina os objetos que são tocados, como maçanetas das portas, mesa ou corrimão. Uma pesquisa da Fiocruz demonstrou que o risco de contaminação em uma conversação, entre duas pessoas com máscara, é muito baixo, 1,5%.

Muitas pessoas têm comentado sobre a presença de crianças brincando em parquinhos que a Prefeitura instalou em vários pontos da cidade. Isso é um risco as crianças e aos adolescentes? Estes espaços podem ser utilizados? De que forma?

Os responsáveis pelas crianças e pelos adolescentes devem ter os cuidados redobrados na prevenção ao contato com o Coronavírus. Eles não apresentam tantos sintomas e complicações, mas podem ser portadores do vírus e transmitirem a doença aos adultos, principalmente aos do grupo de risco. O vírus é real e o perigo iminente. Os laranjinhas estão presentes nas praças e foram treinados para orientar a população sobre as medidas de segurança, que devem ser respeitadas, como o aviso afixado no brinquedo de limite de cinco crianças. Devemos lembrar que estamos vivendo um período de isolamento social e não de férias escolares.

O vírus é real e o perigo iminente

Qual é o balanço que o senhor faz dos casos confirmados de Covid-19 em Três Pontas? É um numero alto?

Os números de casos e de óbitos confirmados de Covid-19, em Três Pontas, estão abaixo dos índices do Estado de Minas Gerais. É uma boa notícia, mas, por outro lado, pode criar uma falsa sensação de tranqüilidade, o que pode causar um aumento descontrolado dos casos e conseqüências duras para a população.

Porque o maior número de casos confirmados está entre 20 e 59 anos e não acima de 60 anos, considerado um grupo de risco?

A maior parte da população está na faixa etária de 20 a 59 anos e é a que representa a maior parte das pessoas que estão circulando nas ruas no dia a dia, sendo assim, fácil a disseminação do vírus.  Os grupos de risco representam as pessoas que correm a maior chance de apresentar as complicações, caso fiquem doentes. Eles são os diabéticos, os obesos, os portadores de doenças do coração, pulmão, fígado, rins e de doenças que podem causar uma baixa imunidade, além das pessoas acima de 60 anos. Essas últimas apresentam uma maior chance de mortalidade pelo Coronavírus e por isso é importante que se mantenham isoladas, como se tem visto atualmente. Caso apresente febre e tosse, associada ou não a diarréia, dor no corpo, dor de garganta, dor de cabeça, falta de ar, perda do olfato ou paladar, procure o atendimento médico.

Considerações finais

A Covid-19 é uma doença que mudou drasticamente a vida das pessoas. Estamos lidando com um inimigo que não se vê e pode estar em qualquer lugar. Não possui tratamento específico efetivo e a melhor forma de não contraí-lo é através da prevenção. A vacina é uma promessa em curto prazo, que já se encontra em fases de teste. Devemos ficar atentos nas orientações dos agentes sanitários para que a pandemia não saia do controle e sobrecarregue o sistema de saúde, faltando atendimento médico, leitos hospitalares e causando mortes desnecessárias.

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