Por Loui Jordan

Realmente é digno de admiração, a mais do que jogadora de futebol feminino, Marta de 32 anos, ganhou pela 6ª vez o prêmio de melhor jogadora do mundo. Com este feito, a alagoana batalhadora e talentosa se isolou como a maior detentora dessa “coroa” entre mulheres e homens. Mesmo nascendo em um país que não valoriza a história e, principalmente, por parecer que descarta o futebol feminino, o patrimônio desta mulher que sim, representa todas as outras, não deve jamais ser esquecido ou jogado em uma lata de lixo.

O lado esquecido

A premiação organizada pela FIFA, aconteceu nesta segunda-feira (24) em Londres. A cerimonia de praxe, era para divulgar quem seriam os melhores do mundo da temporada. Pois bem, todos os troféus pleiteados foram entregues, mas o principal é a ironia e ao mesmo tempo, o tamanho da capacidade, qualidade e força que uma mulher brasileira tem e pode ter.

O futebol feminino em termos de produto é deixado de lado no país que se diz do futebol. Ironia à parte, na realidade o Brasil não investe no futebol feminino, os veículos de comunicação não possuem o menor interesse em transmitir esse tipo de jogo e o estimulo para praticar é pouco instigado. É sabido que o preconceito e o machismo permeiam por aí, na esfera feminina se assim podemos chamar, não é investido praticamente nada devido não só muitas vazes ao preconceito, mas sobretudo por se tratar de um “negócio” sem engrenagem.

Entenda, a mídia não divulga “eventos” que não possuem um certo valor que gere receita para ela. O que acontece é que o fato de não se investir no futebol feminino quando se está no início do “processo”, faz com que ocorra uma ruptura em todos as instâncias do esporte. É um elo que desliga ao invés de ligar, isto é, se não tem tanto estimulo ou boa vontade em fornecer, não terá procura e não havendo procura, dificilmente irá se criar laços que potencializem a atividade, sendo assim, nunca será alvo da mídia.

O futebol masculino é um produto muito mais valioso, ele possui vantagens devido ao fato de sempre ter sido hegemônico nas ruas, nas escolas, nas quadras e nos campos. Isso potencializa muito. As mulheres possuem talento e capacidade iguais aos dos homens, se não forem maiores. O problema é que muita gente não está afim de investir ou pelo menos são prepotentes o bastante para achar que não daria certo.

Aliás, eles não acham, tem certeza. O país que idolatra e paga salários exorbitantes para eventos que desviam a atenção de problemas latentes da sociedade, não ostenta mulheres de grande talento que não possuem recursos para treinar diariamente, para trabalhar o aprimoramento físico, etc. O campeonato feminino não é transmitido por TV aberta e é arriscado perguntar para alguém quantos times tem o principal campeonato nacional do futebol feminino e muita gente, nem saberá responder.

Por fim, a Marta e as Martas que estão por aí, vivem muitas vezes sem ajuda de quem realmente deveria fomentar o futebol feminino. A mídia não é inocente na história, embora possua atenuante bem válido, mas outros não, esses acreditam que o futebol masculino é a fonte de vitórias do país, mas o feito de Marta é irretocável. Que todos saibam respeitar e transcender essa história de luta e sucesso, hoje muito mais sucesso da humilde Marta, pena que as pessoas que administram o futebol feminino não jogam com ela e com elas.

Premiações masculinas

O croata Luka Modric ganhou pela primeira vez o prêmio de melhor do mundo. O meia do Real Madrid desbancou Cristiano Ronaldo e Salah. O goleiro Thibaut Courtois foi escolhido como o melhor goleiro e como sempre, teve polêmica. A escolha por Modric foi justa, é claro que jogador por jogador, Cristiano e até Messi são superiores ofensivamente, mas o meia fez uma gigantesca temporada, conseguiu ganhar a Liga dos Campeões e conduziu ao lado de seus companheiros a Croácia para a final da Copa do Mundo na Rússia, foram vice-campeões. Vele ressaltar que Cristiano, que brigava pelo troféu, não compareceu. Já Messi que estava na seleção da temporada, não foi também. O melhor técnico do mundo foi Didier Deschamps, campeão Mundial com a França na Copa 2018.

A seleção “The Best” ficou assim: De Gea, Daniel Alves, Varane, Sergio Ramos, Marcelo, Kanté, Modric, Messi, Hazard, Mbappé e Cristiano Ronaldo.

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