Atualizada as 21:05

A megaoperação da Polícia Civil batizada de “Aliado”, mudou a rotina de Três Pontas nesta quinta-feira (30). O forte aparato chamou a atenção dos moradores e o movimento das equipes logo as 6:00 da manhã despertou muitos moradores. Foram 200 policiais civis (das regionais de Varginha, Alfenas, Campo Belo, Três Corações e Lavras), 24 policiais militares, que cumpriram 43 mandados de prisão, 48 de busca e apreensão em toda a cidade. Utilizando armamento pesado, cães farejadores e a aeronave “Carcará” da Polícia Civil, ao todo 42 pessoas foram presas. Drogas, aparelhos celulares, materiais utilizados para embalar os entorpecentes, comprovantes de depósitos bancários, dinheiro e veículos foram apreendidos.

Os alvos da polícia foram os integrantes de duas quadrilhas responsáveis pelo comando do tráfico na cidade. De acordo com o delegado responsável do caso, Dr. Andrey Michel Alves Leite, as investigações começaram há dois anos e neste período, vários desses suspeitos já haviam sido presos e quase 30 quilos de drogas foram apreendidas. Alguns dos alvos ficaram a cargo da Polícia Militar que colaborou com abordagens, fornecimento de dados e informações de rua.

Neste período, foram realizadas diversas interceptações telefônicas, serviços de levantamentos de dados em campo, campanas. Através disso, a polícia descobriu que eles colaboravam um com o outro. A cidade estava dividida entre as duas quadrilhas e quando faltava determinada droga em um alguma localidade, a outra fazia o fornecimento, o que segundo o delegado regional de Varginha Dr. Wellington Clair configura como associação ao tráfico de drogas. Vários mandados foram cumpridos no bairro Padre Vitor, onde a atuação da Polícia Civil tem sido sistemática no combate ao tráfico.

Felipinho um velho comandante do tráfico

Felipinho sendo preso em outubro de 2018. Foto: Arquivo EP

Um dos principais alvos da polícia, foi Felipe de Paula Silva “Felipinho” de 26 anos. Bastante conhecido no tráfico de drogas, o rapaz tem padrão de vida diferenciado dos demais. Está construindo uma casa avaliada em R$400 mil no bairro Santa Tereza. Atua no crime a mais de 10 anos e estava preso em regime semi aberto, desde em outubro do ano passado, quando foi encontrado em Varginha, seus familiares, como sua mãe, Marcelene de Paula Silva de 46 anos continuaram o trabalho no tráfico. Vários bens adquiridos por “Felipinho” eram colocados no nome dela para tentar não levantar suspeita. Ao tentar deixar o Presídio nesta manhã ele foi informado de mais um mandado de prisão.


Louise, o namorado Edson e mãe dela Maria José

Psicóloga usava influencia a favor do crime

A psicóloga Louise Veloso foi presa em casa com o namorado. Foto: rede social

A psicóloga Louise Costa Veloso de 40 anos também foi presa no bairro Parque Veredas. Profissional respeitada, já trabalhou na Prefeitura, era responsável pelo processo seletivo de grandes empresas da cidade e não levantava suspeita. Segundo explicou o inspetor da Polícia Civil Gustavo Domingos, ela gerenciava uma célula que era vinculada a essa quadrilha do bairro Padre Vitor. Usava da sua influência, tinha acesso a vários órgãos públicos, contato com usuários de drogas por conta de sua profissão e repassava informações privilegiadas ao grupo. A psicóloga passava despercebida, até quando começou a ser monitorada. Através dela foi possível identificar outras pessoas.

Quando a polícia chegou, encontrou Louise com seu namorado, Edson de Jesus Gomes Júnior 26 anos outro alvo da Operação Aliado. Na casa de Louise foram apreendidos, maconha, balança de precisão e uma pistola de brinquedo. Na sua saída, Louise negou que tenha envolvimento com o tráfico e disse que a sua prisão era por causa de seu ex-namorado, Alessandro Carioca de Oliveira Filho “Lelê”. Ele só foi preso durante a tarde em casa, no bairro Santa Edwirges. A mãe dela, Maria José Costa de 60 anos que morava ao lado também foi presa. Ela escondia uma caderneta em casa anotações sobre a venda de drogas.

Outros presos

Um comerciante dono de duas lanchonetes foi preso. Gustavo Vilela Coimbra atuava como laranja e usava o estabelecimento para lavar dinheiro através da venda de lanches. “É comum não ter que fornecer nota fiscal na venda dos lanches e não ter o controle das vendas. Eles usam isto para lavar o dinheiro do tráfico de drogas”, detalha o inspetor Gustavo Domingos. Um outro comerciante continua foragido.

Os presos podem responder aos crimes de tráfico de drogas, associação ao tráfico, organização criminosa, corrupção de menores e lavagem de dinheiro. Uma falsa lista com nomes de diversas pessoas circulou durante o dia nas redes sociais, mas ela não foi confirmada pela PC.

Aeronave da Polícia Civil sobrevoou a cidade

Operação faz crescer a sensação de segurança na cidade

A Operação Aliado é a maior já realizada em Três Pontas. Todas as que estão sendo deflagradas na região, tem gerado um efeito super positivo, apontou o chefe do Departamento da Polícia Civil, Dr. Pedro Paulo Marques. “Estamos enfrentando e combatendo o tráfico de drogas para que não aumente e não cresça na nossa região” diz.

O delegado regional Dr. Wellington Clair espera que Três Pontas permaneça calma e tranquila, rendendo agradecimento a atuação do delegado Dr. Andrey, toda a sua equipe e da parceria com a Polícia Militar, que com muita seriedade está promovendo esse enfrentamento da criminalidade. “O Dr. Andrey tem a responsabilidade de prosseguir com os trabalhos de polícia judiciária, de investigação criminal. Qualquer outra situação semelhante a esta, estamos prontos a dar a resposta à sociedade e a população de bem.

Presos no Presídio

Um forte esquema de segurança foi montado no Centro. Várias ruas foram fechadas e o acesso a Praça Tristão Nogueira ficou restrito aos policiais e a imprensa. Familiares dos presos permaneceram a manhã inteira na frente da Delegacia, até a saída deles para o presídio. No fim da manhã, já vestindo uniformes eles foram levados em uma microônibus da Prefeitura para o Presídio, escoltados por viaturas do sistema prisional, da Polícia Militar e da Polícia Civil.

Acima os presos saindo da Delegacia e abaixo chegando no Presídio

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