Polícia Civil e Receita Federal falaram das investigações que culminou com o cumprimento de mandados de busca e apreensão nesta primeira etapa da Operação Ouro Verde

 

As investigações realizadas pela Polícia Civil e a Receita Federal apontam um rombo bilionário, com a venda de cafés sem nota fiscal e o pagamento de impostos e tributos. A Polícia Civil e profissionais da Receita Federal, deflagraram a primeira etapa da Operação Ouro Verde e cumpriram na manhã desta terça-feira (13), 15 mandados de busca e apreensão na casa de empresários e empresas nas cidades de Três Pontas, Varginha e Machado.

A Operação Ouro Verde surgiu em fevereiro deste ano, depois que a Polícia Civil, começou a investigar o sumiço de 25 mil sacas de café nos Armazéns Gerais Café Confiança, que fica em Três Pontas, cujo os proprietários são Luciano Vitor de Faria, Matheus Bertoli Mendes e Melissandro Antônio Gonçalves Mendes. Eles teriam causado prejuízo totalizando aproximadamente R$25 milhões.

Luciano Faria estava em casa no bairro Vila Rosa, quando os policiais chegaram para cumprir o mandado

Em Três Pontas os mandados foram cumpridos na casa de Luciano Faria e Marcelo Rezende, suspeito de participar do esquema. Em documentos apreendidos no Armazém, consta que os cafés que estavam depositados no armazém não foram em etapas, entre 2014 e 2018. Luciano Faria fazia a venda dos cafés, não pagava seus clientes e gastava o dinheiro pagando despesas pessoais e da empresa. Na época, Luciano Faria disse em entrevista, que havia perdido o controle dos negócios e foi utilizando o dinheiro da venda das sacas de café dos produtores, para quitar dívidas que havia contraído.

Foram apreendidos computadores, dinheiro e uma infinidade de documentos que serão analisados pela Polícia e a Receita Federal. Na casa de um dos sócios do Armazém foram encontradas três armas de fogo. Em outro alvo da operação, uma quantidade de drogas também foi apreendida. Eles foram presos em flagrante e levados para a Delegacia Regional de Varginha.

Em uma entrevista coletiva, as autoridades afirmaram que as investigações, apontaram uma engenharia fiscal altamente danosa aos cofres públicos e uma alta sonegações de impostos, como Imposto de Renda e sonegação de contribuição previdenciária. “Estamos falando de uma quadrilha voltada ao desvio de sacas de cafés, falsidade ideológica, sonegação fiscal e possivelmente outros crimes que serão investigados ao longo do inquérito”, afirmou o Delegado Chefe do 6º Departamento Dr. Pedro Paulo Uchôa Fonseca Marques (foto).

De acordo com o Auditor Fiscal da Receita Federal, Carlos Márcio Ortiz Ferreira, algumas das empresas envolvidas, nos últimos quatro anos emitiram notas fiscais no valor superior a R$1,5 bilhão sem pagar os devidos tributos. A fraude vai ainda além. Eles utilizavam de empresas laranjas, chamadas de empresas noteiras, criadas apenas com o intuito de fornecer notas fiscais frias, sem pagar impostos. Muitas das vezes, a mercadoria nem passava por estas empresas e não realizavam qualquer movimentação financeira. Até agora, já foram identificadas duas grandes empresas e outras satélites no esquema.

O delegado de Polícia Civil de Três Pontas, Dr. Andrey Alves Leite revelou que alguns dos produtores rurais que denunciaram o furto de suas sacas de café e figuravam como vítima se tornam co-autores do crime de sonegação fiscal, no conluio com as demais empresas e  serão investigados pela Receita Federal, uma vez que depositavam o café sem nota fiscal. Estes certamente terão que fazer a restituição dos impostos, como o Funrural e a Constituição previdenciária.

O inspetor da Polícia Civil Gustavo Domingos acrescenta, que alguns produtores já utilizavam do Armazém Confiança justamente por não terem nota. Posteriormente os proprietários adquiriam a nota fria, o que permitia que o café fosse vendido normalmente para outras empresas.

Segundo o delegado Dr. Josias Moreira Giffoni (foto) a polícia chegou a pedir a prisão dos suspeitos, mas foi negada pela justiça, que entendeu que não existiam provas suficientes até o momento. Porém, além das buscas deflagradas, medidas cautelares foram autorizadas no caso. Como por exemplo, o bloqueio de contas bancárias e a restrição de veículos e imóveis.

Todo o material que foi coletado será levado para Receita Federal.

A Operação Ouro Verde contou com a participação de 14 integrantes da Receita Federal entre auditores fiscais e analistas tributários e 62 policiais civis de Três Pontas, Varginha, Boa Esperança, Lavras, Alfenas e Três Corações e Machado. As investigações continuam e agora buscam identificar outras pessoas envolvidas no esquema.

Documentos apreendidos serão analisados pela Policia Civil e a Receita Federal
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