A Polícia Civil de Três Pontas promoverá uma campanha de conscientização sobre o combate à violência praticada contra as mulheres, no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. O evento é promovido pela Delegacia de Polícia Civil em parceria com o Conselho Comunitário de Segurança Pública (Consep Travessia) e a Equipe Positiva.

No próximo dia 11 de março, segunda-feira, durante toda a manhã, policiais civis irão fazer uma blitz e entregar rosas às mulheres que passarem em frente a Delegacia, na Praça Dr. Tristão Nogueira. A ação tem o apoio da Flora Primavera e Specialle Paneteria.

Além disso, um folder será entregue com informações importantes demonstrando os direitos que elas tem para viverem uma vida digna e de igualdades, explicações sobre a Lei Maria da Penha, as medidas protetivas e os vários tipos de violência doméstica sofridos por mulheres.

Os casos em grandes centros geram enorme repercussão, porém, eles estão em todos os lugares e Três Pontas faz parte de uma triste estatística. Porém, muitos que ainda não são denunciados estão principalmente na zona rural. Por isto, segundo o inspetor da Polícia Civil Gustavo Domingos, palestras serão realizadas nas comunidades rurais.

De acordo com a escrivã ah doc Mônica Regina Tiso Vitor Oliveira, uma das dificuldades entre tantas em denunciar é a dependência financeira. Ela não é tão grande mais como no passado, tem muita mulher que apanha do marido e fica calada com medo de passar dificuldades, principalmente quando se tem filhos. Muitas que procuram pela Delegacia de Policia Civil machucadas escondem que foram espancadas e na maioria das vezes, as agressões já acontecem há anos.

Uma pesquisa divulgada esta semana, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Instituto Datafolha, mostra que uma a cada quatro mulheres sofreu algum tipo de violência em 2018. Apesar dos constantes casos de agressão, a percepção da violência contra a mulher pela população brasileira caiu em 2018, o que pode indicar a banalização do problema, dizem pesquisadores.

Em sua segunda edição, o levantamento “A vitimização de mulheres no Brasil” registrou que 27,4% das brasileiras com mais de 16 anos sofreram algum tipo de violência no ano passado (de ofensa verbal e ameaça a espancamento) e que 59% da população afirma ter presenciado uma mulher sendo agredida verbalmente ou fisicamente nesse período.

Segundo o escrivão Sthefani Cleider Barbosa de Assunção, há muitas famílias que vivem com métodos arcaicos de tratamento e as mulheres sendo submissas ao homem. “A Lei Maria da Penha veio para fazer um reparo deste tipo de conduta através de órgãos com as polícias Civil, Militar, Ministério Público e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas)”. O primeiro passo é ter a coragem para não aceitar mais a situação, denunciar através de boletins  de ocorrências que pode ser feitos pela Polícia Militar ou pela Polícia Civil e procurar seus direitos.

Em Três Pontas, estes casos são atendidos na Delegacia por mulheres, uma forma de facilitar com que elas consigam revelar as situações que vivem. Mônica Oliveira tem 14 anos de experiência, já ouviu muitas histórias e muitas desculpas de que aquele machucado ou hematoma é apenas resultado de um acidente doméstico.

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