A Polícia Civil investiga o sumiço de pelo menos 25 mil sacas de café de um armazém que fica no Distrito Industrial em Três Pontas. O prejuízo de mais de 10 produtores rurais chega a R$10 milhões. Um único produtor perdeu 11 mil sacas do produto.

O caso foi descoberto nesta segunda-feira (04), depois que alguns produtores foram até o Armazéns Gerais Café Confiança e constataram que estavam faltando diversas sacas que haviam sido depositadas por eles na última safra. Diante da situação, eles procuraram no início da madrugada de terça-feira (05), a sede da 151ª Companhia de Polícia Militar para registrar um boletim de ocorrências.

Segundo as vítimas, o degustador Luciano Vitor de Faria de 37 anos, fazia as negociações e passava o dinheiro arrecadado aos donos dos grãos. Porém, em dezembro do ano passado, alguns deles começaram a desconfiar das movimentações financeiras que Luciano Faria vinha fazendo, uma vez que eles questionavam o rapaz sobre o andamento das vendas e não recebiam informações concretas. Luciano só alegava que o produto já havia sido vendido.

A PM foi até a casa do acusado, informou sobre o relato das vítimas e o conduziu para o Quartel para registrar o boletim de ocorrências. Lá, o suspeito deu sua versão. Contou que em 2012 construiu o Armazém Confiança, que fica localizado no Distrito Industrial na saída para Campos Gerais, onde passou a administrar o café de aproximadamente 15 produtores da cidade de Três Pontas. Ele realizava as vendas no mercado futuro, repassando os lucros aos cooperados.

Em 2014, ele teria realizado uma venda de 1.322 sacas para um comerciante e recebeu o valor pago após o prazo estipulado, causando então, um prejuízo enorme à cooperativa, uma vez que houve queda no valor da saca no mercado futuro. No mesmo ano, o degustador realizou a venda de mais 1.500 sacas, também no mercado futuro, para uma empresa de café localizada no estado do Maranhão. O pagamento teria sido feito somente três meses depois e, já com o valor inferior da cotação. Teria sido ai o início do descontrole financeiro do armazém particular.

Desde 2014, as negociações foram dando errado e as dívidas se transformaram em uma bola de neve, alegou o rapaz, uma vez que ele foi utilizando as sacas dos produtores para efetuar o pagamento das dívidas. A instabilidade do mercado e a queda no preço em 2018, fez com ele perdesse o controle das dívidas que se arrastavam. A pressão sofrida foi tão grande que ele tentou tirar sua própria vida e ficou internado no Hospital em Varginha durante três dias.

Policiais recolheram documentos, computadores e imagens das câmeras de segurança do do escritório da Rua Barão da Boa Esperança

Luciano Faria deixou claro, que seu sócio não tinha ciência do que estava ocorrendo na empresa e que na segunda-feira, havia feito contato com os cooperados para explicar o que havia ocorrido. Após o registro da ocorrência ele foi liberado.

No fim da tarde desta terça-feira (05), policiais civis foram até o escritório da empresa na Rua Barão da Boa Esperança e no armazém que fica no Distrito Industrial e levaram documentos, computadores e imagens do circuito de segurança do local, para tentar identificar onde foram parar o café dos produtores.

Policiais civis que investigam o caso foram ao armazém onde ficavam os cafés
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