Fotos: Equipe Positiva

 

*Município busca conscientizar moradores a colaborarem com a limpeza da cidade, incluindo a separação dos materiais recicláveis, que são recolhidos duas vezes por semana, dias em que o lixo doméstico não pode ser colocado na rua

O lançamento do projeto Cidade Limpa, em Três Pontas, conseguiu reunir muita gente na noite desta terça-feira (20), diversos setores da Prefeitura, secretários e assessores da Administração, servidores de várias áreas, como da Educação, Meio Ambiente, Transportes e Obras, vereadores, empresas, parceiros da iniciativa privada e instituições. Todos eles atenderam ao chamado e o pedido que ouviram durante a reunião, é que se tornem precursores do projeto, que tem o objetivo de fomentar uma consciência ambiental e consequentemente a mudança de hábito da população trespontana, contribuindo com uma cidade mais limpa.

A conscientização deve ser levada às escolas a partir do início do ano letivo de 2019, e por isto, todos os profissionais da educação foram citados diversas vezes como protagonistas fundamentais nesta campanha.

O líder dos catadores Evaldo Garcia, o secretário de Meio Ambiente Paulo Vitor, o prefeito Marcelo Chaves, o vice presidente da Câmara Benício Baldansi e o presidente da Associação Comercial Bruno Dixini

São recolhidos e despejados no Aterro Sanitário de Três Pontas uma média de 50 toneladas de lixo por dia, porém, 70% disso é reciclável e está indo para o lugar errado. A consequência disso é que a vida útil do Aterro era de cerca de 20 anos, mas durou apenas 12. A segunda plataforma não suporta mais tantos resíduos. A prefeitura já licitou o projeto para a construção da terceira, que terá um custo de R$56 mil.

O poder público não é capaz de mudar esta realidade sozinho, depende da consciência de cada um, admitiu o secretário municipal de Transportes e Obras Maquil dos Santos Silva Pereira. Ele apresentou um vídeo mostrando o serviço duro enfrentado diariamente pelos catadores. O som vindo do caminhão ao despejar o lixo no Aterro, é de muitos vidros se quebrando. A maioria das pessoas ainda não colocam as garrafas junto aos materiais recicláveis e isto também se torna perigoso aos servidores da coleta. As terças e quintas-feiras, a coleta é apenas dos recicláveis. O lixo doméstico as segundas, quartas, sextas e sábados.

A preocupação com as questões ambientais, nunca estiveram tanto como prioridade, defendeu o secretário municipal de Meio Ambiente, Paulo Vitor da Silva. Ele se referiu ao empenho do gestor Marcelo Chaves Garcia. Porém, tem o mesmo pensamento de que não basta ter apoio irrestrito da Administração, mas não contar a participação dos moradores, para tornar a cidade mais agradável. Um grave problema é o lixo colocado em dias em que não existe coleta. Paulinho também mostrou fotos de muito lixo acumulado, na região central e em vários bairros. Todos os registros feitos mostram a triste realidade, mas, o “bota fora” em praças tradicionais como Tristão Nogueira e Monsenhor Silveira mostra que lugares bastante frequentados ficam desagradáveis. “ A poluição ambiental e visual nos preocupa. Precisamos unir e fazer uma força tarefa para termos uma nova realidade e sermos referência na limpeza pública”, espera o secretário de Meio Ambiente.

A Associação Comercial e Agroindustrial (Acai-TP) está envolvida em várias ações em prol do Município e é parceira no projeto Cidade Limpa. De acordo com o presidente Bruno Dixini Carvalho, com o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Sustentável, está sendo possível enxergar a visão de sustentabilidade que o prefeito Marcelo Chaves tem, que talvez tenha faltado em outros gestores. Na visão do empresário, a mobilização precisa mudar o comportamento das pessoas e a Acai-TP está disposta a contribuir.

A coleta seletiva precisa ser muito mais que ampliada. Atingir a cidade toda, recolher 100% dos materiais recicláveis, são planos audaciosos, mas que podem e devem ser almejados. Os catadores são multiplicadores de transformação e desde 2003, quando foi fundada a Associação Trespontana de Materiais Recicláveis (Atremar), há uma nova realidade. Eles contribuem no Brasil, não apenas com a limpeza, mas principalmente com o meio ambiente. Aquilo que não servia para nada, se tornou em oportunidade, renda e transformou a vida de muitas pessoas, frisou Evaldo Cristiano Garcia. Ele integra o Programa Novo Ciclo, o Movimento Nacional dos Catadores, a Rede Sul e Sudoeste de Minas Gerais e é o atual presidente da Associação de Catadores de Lavras (Acamar).

Com experiência de 16 anos e um orgulho em dizer que é catador, Evaldo Garcia tem a experiência que as crianças são multiplicadores da coleta seletiva. “Ouvi muitas mães dizendo em Lavras, que queria jogar os recicláveis fora, junto com o lixo doméstico, mas seus filhos não deixaram”. O recolhimento ainda não está como desejam em Três Pontas, mas o trabalho feito ao longo deste anos é referência nacionalmente.

O prefeito Marcelo Chaves deseja que aqueles que trabalham autônomos, em família ou sozinhos sejam cadastrados e inseridos na Atremar. Evaldo Garcia explicou que é um trabalho difícil. Existem experiências em outras localidades em que eles podem utilizar da estrutura, mas comercializarem de forma diferenciada. O gestor disse que ficou extremamente feliz com os coletores de lixo, entre tantos motivos, dois o chamou a atenção. Quando eles fizeram a seu pedido um mapa da coleta e depois gravaram por conta própria um vídeo, postaram nas redes sociais explicando à população a forma de colocar o lixo na rua e os dias de coleta. Antes de assumir a Prefeitura, quando ainda era vice prefeito, Marcelo se reuniu com os servidores do setor, ouviu as dificuldades que eles enfrentavam com a coleta sendo feita a noite. Pesou na mudança a questão da compactação dos resíduos que precisa ser feito diariamente e esta manutenção noturna, quase sempre não era feita e como deveria.

O prefeito Marcelo Chaves elogiou catadores e diz que está preocupado com a compactação do lixo no Aterro

Números da Atremar
A Atremar conta com 17 cooperados. Números apresentados mostram um aumento na produção este ano. De janeiro até outubro, foram 25.500 toneladas.

2015 – 21.00 mil toneladas
2016 – 17.219 mil toneladas
2017 – 18.223 toneladas
2018 – 25.500 toneladas (até outubro)

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