Três Pontas possui um patrimônio cultural e artístico que valoriza o Título de Capital da Música. É o Conservatório Municipal Heitor Villa Lobos, que está completando 30 anos. São muitas histórias a ser contadas nestas três décadas que, paginadas, dariam um livro.

Fundado em 03 de julho de 1987, na administração do ex-prefeito Antônio Carlos Mesquita, o Conservatório iniciou suas atividades em fevereiro de 1988, no antigo Seminário São José, na Praça D’ Aparecida.

O primeiro diretor foi o professor Wilson Salles que ficou à frente do estabelecimento até 1992. No início as aulas eram de violão, piano, acordeon, flauta, saxofone, teoria e percepção musical. Os primeiros alunos eram 180, mas logo a demanda cresceu, tanto é que em três meses de funcionamento o número chegou a 600. O primeiro professor de música foi o músico, compositor e carnavalesco Jaime Abreu.

Beto Maciel está lá há praticamente 30 anos e recorda que as dificuldades eram enormes. A estrutura contava, além dos instrumentos, com duas máquinas de escrever e um mimeógrafo a álcool. Ele comenta sobre os pioneiros  que fizeram e fazem parte desta história, como Gileno Tiso, Ézio Cougo,  Airton Maciel, Ruth Tiso e Jaime Abreu. Segundo Beto, eles tiveram uma participação especial na condução dos trabalhos iniciais do conservatório. Um exemplo foi Gileno Tiso – compôs o Hino do Centenário de Três Pontas -e escrevia à mão as partituras. Muitos dos professores herdaram o conhecimento prático dele e de outros que foram remodelados com o passar dos anos. A família Tiso teve grande influência e a nova geração segue a tradição familiar. E por falar em Jaime Abreu, ele deixou um legado essencial para a história da música em Três Pontas: a filha Daniele Abreu, que por 20 anos comandou a Orquestra  Experimental Oswaldo Tiso, que abrilhantou inúmeros eventos da cidade.

DO CONSERVATÓRIO PARA O BRASIL E O MUNDO

Lindsay Funchal fez aulas de violão e canto no Conservatório Heitor Villa Lobos. Depois entrou na faculdade de canto em Ouro Preto (MG), onde conseguiu uma bolsa de estudos na Alemanha. Casou-se por lá e é soprano concursada de um dos maiores teatros daquele país.

A violinista Daiana Mazza tem em seu currículo que é ex aluna do Conservatório Municipal de Três Pontas.  Depois ela seguiu para Varginha até fazer carreira solo e ir morar no Rio de Janeiro. Começou a fazer trabalhos para a Rede Globo e iniciou um projeto de violino na música eletrônica, onde atua até hoje. Participou recentemente do Rock in Rio e integra o trio de violinistas Tritony.

PROJETOS

Projetos importantes que surgiram do Conservatório Heitor Villa Lobos ganharam o gosto popular, principalmente de quem aprecia a boa música. A orquestra  Café com Jazz foi criada  por professores e alunos e resultou na gravação de um excelente CD. Com Milton Nascimento, músicos trespontanos, alunos e professores do Conservatório participaram da gravação dos DVDs “Pietá” e “E a Gente Sonhando”. Esse último teve produção assinada por Marco Elíseo e canções, palco e o grande cenário  trespontanos.

​​Ao longo dos anos, o Conservatório desenvolveu vários trabalhos ligados à comunidade diminuindo a carência cultural e promovendo a integração social de todo o povo desta terra.

Surgiram vários grupos de alunos e ex-alunos. Muitos dos atuais músicos que ganham sua vida com a arte, passaram por esse estabelecimento.

Dos músicos que estão trabalhando nas noites, festas de casamentos, eventos, das bandas e grupos que foram formados, quase na sua totalidade passaram pelo Conservatório. Muitos eram alunos, chegaram apenas com a força de vontade de aprender música e se tornaram professores reconhecidos, que hoje ajudam a construir esta história de outra maneira. Um dos exemplos é o Grupo Morena. Três delas são frutos do Conservatório e continuam se dedicando aos estudos. Tem também o maestro Wander Scalioni, que foi aluno e hoje é o regente da centenária Corporação Musical Luiz Antônio Ribeiro, dando a ela uma nova roupagem, sem perder a essência do tradicional.

HOJE

Atualmente o Conservatório conta com cerca de 600 alunos, que frequentam os seguintes cursos: Violão, Violino, Viola de Arco, Viola Caipira, Violoncelo, Contrabaixo, Piano, Teclado, Flauta Doce, Flauta Transversal, Saxofone, Bateria, Guitarra, Canto Coral, Canto Individual, Percepção Musical, Prática de Conjunto, Musicalização, Coral Infantil e Adulto.

​​O corpo docente é formado por 25 professores que se revezam nos três turnos. Ainda completa o quadro de funcionários, duas secretárias, uma auxiliar de serviços gerais, um regente, um coordenador artístico-pedagógico, Pierre Alves, que dá suporte aos eventos realizados pela Secretaria de Cultura, Lazer e Turismo; um vice-diretor e um diretor.

Segundo a diretoria, o maior sonho é conquistar uma sede própria, possibilitando atender mais alunos, abrigar mais professores e expandir projetos.

​​​O Conservatório Municipal de Música Heitor Villa-Lobos sempre serviu a comunidade e tem toda a disposição, não só em eventos da Prefeitura e poderes públicos, mas em todos que há o envolvimento da comunidade. Ele leva à comunidade trespontana todo o trabalho desenvolvido por seus professores através de grupos, tais como: Coral Laroc Lacov, Coral Infantil Trenzinho Caipira, Grupos Experimentais de Flauta, de Metais, Oficina de Ritmos, Grupo de Violinos, dentre tantos outros trios e duos formados com os diversos instrumentos ministrados.

​​Em parceria com a Secretaria de Assistência Social são desenvolvidos vários projetos sociais. Entre eles o Projeto Cultura Além das Fronteiras, que atende as Casas da Família I e II, Meninos da Vila e o Projeto Esmeraldas.

​​Destaque especial se dá ao Projeto Música nas Quatro Estações onde o ano todo se desenvolvem recitais e apresentações culturais em um espaço na própria sede do Conservatório, aberto à toda a comunidade.

Promovendo a cultura através da arte, o Conservatório procura diminuir os desníveis sociais, levando a qualidade pedagógica e a excelência musical a toda a cidade e região.

E OS 30 ANOS?

Para comemorar estas três décadas, eventos estão sendo realizados desde o início do ano. O primeiro deles foi uma homenagem a todos os diretores do estabelecimento, através do primeiro diretor, Wilson Salles. Um calendário de atividades está sendo cumprido: apresentação da Orquestra no Dia das Mães; Grupo de flautas Magic Blow e  Corais nas Vesperatas da Prefeitura. No encerramento da Semana da Primavera, junto ao Grupo Cênico do UNIS, foi promovida uma apresentação no Via Café Garden Shopping de Varginha.

No fim do ano ainda acontecerão as apresentações dos departamentos do Conservatório de Música, no Espaço Cultural da própria escola; a Vesperata Cinema e o Auto de Natal com a participação da Orquestra Oswaldo Tiso, dos Corais e as formaturas dos alunos de 2017.

Alex Tiso, Beto Maciel, Tatiane Rissi, Mauro Marques e o repórter Denis Pereira

CHEGAR AOS 30

Diretor Alex Tiso – “Vejo o resultado do nosso trabalho além da música. Mudamos a vida das pessoas, damos expectativa de uma vida melhor quando tiramos crianças da rua, principalmente com os projetos que atualmente estamos realizando, levando o Conservatório mais próximo da comunidade. Agradeço ao CT que nestes 30 anos sempre abriu as portas às mais diversas manifestações culturais e artísticas do nosso Conservatório”.

Vice diretora

Tatiane Rissi – 21 anos de Conservatório

“Minha maior alegria é ver que o Conservatório vai além do conhecimento cultural e pode se tornar profissão. Eu fui aluna e me tornei professora. Além da sustentabilidade financeira, me tornei parte desta família que me ajudou em muitos momentos de minha vida”.

Professor Beto Maciel – “Cheguei à conclusão que foram 30 anos bem vividos da minha vida. Dentro de erros e acertos, podemos dizer que estamos no caminho certo, cumprindo a missão da arte da música. Tenho como exemplo, o mestre Jaime Abreu, meu primeiro professor.

 

Mauro Marques – Professor de Canto e Regente do Grupo de Flauta Magic Blow e da Orquestra há 19 anos.

“A maior satisfação é ter conseguido voltar a Orquestra e ver o que a música proporciona. Por exemplo, ver o professor Beto Maciel que tem 30 anos de Conservatório e uma garotinha de 9 anos cantando e tocando juntos. Nesta troca de experiência a gente vê que efetivamente estamos fazendo o certo”.

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