Estagiária – Alice Beraldo Jevoux

Na manhã de sábado (12), aconteceu na Praça Cônego Victor a “Exposição da Escravatura”, celebrando o dia 13 de maio onde é comemorado o Abolicionismo. Há 130 anos a princesa que estava em regência no Brasil, Dona Isabel, sancionou a Lei Imperial n.º 3.353, popularmente conhecida como Lei Áurea. Ela concedia a liberdade para todos os negros, que desde a chegada dos europeus nas nossas terras tropicais,haviam sido escravizados.

A exposição organizada por José Vitor, Vicente Antônio e Hosana Valdomiro, todos membros do Grupo Afro, começou logo pela manhã.  Mesmo ainda ajeitando muitos dos itens históricos, várias pessoas já se aproximavam guiadas pela curiosidade e começavam a perguntar e aprender. Os olhares eram diversos, uns reconheciam alguns objetos, que por mais que fossem antigos, os remetiam aos tempos de infância. Outros viravam o pescoço de um lado para o outro para tentar entender a função das peças. Durante o tempo que estive na exposição várias pessoas paravam para admirar as representações em madeira de moinhos, instrumentos que eram usados nas torturas dos escravos eitens de uso geral, como ferros de passar roupa à brasa.  Peças de no máximo 60 centímetros ricas em detalhes, que nos conta uma parte da história. “A história refeita na madeira”.

A escola que na maioria das vezes passa uma visão única dos fatos históricos (do vencedor) coloca a Lei Áurea como um ganho do negro, mas esse “ganho” foi batalhado, foi uma conquista. O Brasil foi o último país a conceder a liberdade para os escravos, sofrendo desse reflexo até hoje.“A violência de hoje retrata o que era o passado”. Foi com essa frase que Zé Vitor me resumiu a condição do negro no atual contexto do país, onde 71% dos homicídios são cometidos contra essa minoria que na verdade é maioria. “Não é difícil provar que o grande é forte, difícil é provar que o fraco é forte, porque é maioria”.

Em pleno século XXI o Brasil ainda continua um país com grandes níveis de descriminações, principalmente raciais. Se nós continuarmos nesse caminho podem se passar mais 300 anos que a condição dos negros será ainda marginalizada e a do Brasil atrasada.

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