Déficit mensal fica em torno de R$400 mil e dívida é de R$19 milhões 

Com um déficit maior do que se calculava, o Hospital São Francisco de Assis de Três Pontas, pediu socorro em uma reunião realizada na noite desta quinta-feira (1º), no Plenário Presidente Tancredo de Almeida Neves. Além das contribuições, campanhas e movimentos realizados em prol da Santa Casa, os municípios que tem pacientes atendidos pela entidade precisam colaborar, para evitar seu possível fechamento. O Estado de Minas Gerais a meses não cumpre com os repasses de recursos e não há

O provedor Michel Renan pediu ajuda e a colaboração de todos. Só assim, será possível manter o Hospital de TP de portas abertas

previsão de quando isto aconteça.

Por isto, a direção e administração da Santa Casa mostraram às autoridades que a situação é ainda pior do que divulgado em março, quando novos membros da Irmandade assumiram a condução do Hospital. A época eram R$15 milhões, mas após sua posse, uma consultoria mostrou que a dívida chega aos R$19 milhões. O déficit mensal é em torno de R$400 mil que só neste primeiro semestre alcançou R$1 milhão. Se os números não mudarem no fim do ano será R$4,4 milhões e ainda não fechou as portas porque não está cumprindo com compromissos básicos, como o pagamento de tributos, que entre janeiro e março, que somam R$140 mil por mês. Para se ter uma ideia, a conta da Cemig há muito tempo não está sendo paga e a dívida já é de R$2,4 milhões. A Companhia ofereceu um belo desconto à Santa Casa de pagar R$1 milhão, divididos em até 100 parcelas, mas não há recursos para isto. O gás medicinal, essencial para o tratamento dos pacientes não está sendo pago há 8 anos. A empresa que o fornece tem para receber quase R$700 mil, já fez uma notificação extrajudicial e ofereceu um acordo vantajoso que se não for pago, o fornecimento será interrompido na próxima terça-feira dia 06 de junho. “Quando foram apresentados os números, pensei que a situação seria mais facilmente revertida, estive aqui na Câmara e apresentei os números que me foram mostrados. Volto aqui envergonhado porque os números são diferentes e só tomei conta disso, porque tenho me dedicado horas e horas dos meus dias para descobrir a realidade”, esclareceu o provedor Michel Renan Simão Castro.

Estado em débito, Município em dia

O débito do Estado de Minas Gerais com a Santa Casa de Três Pontas só aumenta. Parcelas do Pró Hosp e Rede Resposta, recursos de emenda parlamentar somam R$1,5 milhão. Michel não tem dúvidas que se este dinheiro tivesse chegado a realidade seria outra. O problema é que o Governo de Minas deve mais de R$250 milhões à 10 hospitais filantrópicos do Estado e é preciso uma intervenção política junto a deputados para que os recursos sejam liberados.

Desde que Michel Renan assumiu a provedoria em março, o Hospital recebeu apenas R$320 mil do Estado que foi destinado ao pagamento dos médicos. A folha deles fica em torno de R$400 mil e ainda está em aberto quatro meses de salário. Desde que está na Provedoria os compromissos que estavam pactuados anteriormente no balancete estão sendo cumpridos.

A Prefeitura repassa mensalmente R$120 mil de subvenção e mais R$104 mil da gestão compartilhada. Todos os pagamentos estão sendo feitos rigorosamente em dia. Porém, já existe um extrapolamento de mais de R$70 mil mensal no atendimento a população de Três Pontas.

O Hospital de Três Pontas é sede de micro dos municípios de Santana da Vargem, Coqueiral, Boa Esperança, Ilicínea e Guapé, mas atende pacientes de 27 cidades. Recebe sim recursos para isto, porém, a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) está defasada a 10 anos e demanda uma grande estrutura tanto no Pronto Atendimento Municipal (PAM) como também no Hospital. Os números também foram apresentados e mostraram que o Município de Três Pontas é que fica com a conta, inclusive de pessoas que não estão na micro, por isto, o pedido é que as cidades tenham mais sensibilidade.

Realidade financeira se espalhou pela região

O prefeito de Três Pontas Dr. Luiz Roberto Laurindo Dias (PSD), trabalha desde que chegou na cidade, há 30 anos e revela que a realidade não mudou em nada. As contas da entidade desde quando assumiu a Prefeitura não fechava. Com a nova gestão, a realidade é diferente porque Michel tem demonstrado que não quer esconder a realidade a ninguém.

Os diretores técnico e clínico que atuam no Hospital fizeram declarações que chamaram a atenção, da situação que vem deteriorando desde outubro do ano passado. O ápice é a recusa de profissionais para trabalhar por não estarem recebendo. A Santa Casa já perdeu excelentes profissionais por conta disso e há tendência é piorar ainda mais, já que a notícia já corre entre os profissionais e ninguém quer dar plantão ou atender aqui. “Eu estou com vergonha porque retirei amigos meus de cidades que estavam pagando e trouxe para cá. Eles não recebem, vem me perguntar e eu não sei mais o que responder”, desabafou o médico cirurgião e diretor técnico Dr. Eduardo de Vasconcelos Camargo (foto). Eles não conseguem manter médicos nos plantões e a recusa já foi de 40 profissionais. Ainda segundo ele, está faltando materiais básicos para realizar cirurgias e procedimentos médicos e as vezes improvisar. “A diretoria quer colocar o Hospital no trilho, mas a situação é delicada sem o apoio das outras cidades que atendemos”, disse.

O pneumologista diretor clínico Dr. Marcos Vinicius Souza Couto Moreira endossou que a situação de colegas de profissão é preocupante, pois a maioria são de fora, pegam estrada, tem custos para vir atender e a incerteza de quando vão receber.

O médico Chefe do Pronto Atendimento Municipal Dr. Lucas Erbst que está em Três Pontas há dois anos, revelou que a um ano e meio a situação se agravou. A responsabilidade da equipe de coordenação é enorme para garantir os atendimentos e os gestores precisam entender que se as portas fecharem, o prejuízo e riscos serão ainda maiores.

O promotor de Justiça Dr. Artur Forster Giovannini (foto) está em Três Pontas desde 2003 e só soube desta realidade agora quando Michel Renan assumiu. Junto a preocupações de um possível fechamento, Dr. Artur alertou para o perigo do rebaixamento de nível 2 para nível 3, o que provocaria a perda de recursos e a proibição de procedimentos médicos que são realizados pelo Hospital São Francisco de Assis. A alternativa seria então transferir para Varginha, porém, como lá a demanda é crescente, é preciso de sorte para encontrar vagas.

É necessário que os prefeitos utilizem de suas influências políticas, sugere o promotor, a de forma sistemática e contundente a cobrar o Governo do Estado, a Secretaria de Saúde Minas Gerais os repasses. Antes disso, os gestores precisam saber que se Hospital fechar vai provocar um caos, mas eles podem colaborar com subvenções.

 

Autoridades demonstram que é preciso junção de esforços

Por várias vezes Michel Renan demonstrou que é preciso união para salvar a Santa Casa. Referência em qualidade de atendimento, o provedor colheu sugestões e ouviu dos convidados o que eles podem fazer para ajudar. Mas, a ação é prá já. Não há mais tempo para respirar e eles aguardam uma resposta urgente.

O vereador Érik dos Reis Roberto (PSDB) fez as contas de quanto os municípios que fazem parte da micro região poderiam contribuir de acordo com o número de habitantes. Três Pontas seria em torno de R$350 mil. Para isso, sugeriu primeiro que a Prefeitura poderia deixar de fazer uma obra, colocar uma placa e reformar praças e destinar à Santa Casa. Depois que se fizesse uma campanha para que as pessoas ao declararem seu imposto de renda, destinem 6% ao Hospital. Michel Renan esclareceu que isto já está em estudo, mas para receber é preciso manter a Certidão Negativa de Débito (CND) em dia.

O administrador da Santa Casa Silvio Denis Grenfell e a vereadora Marlene Oliveira alertaram para a necessidade de se investir mais na prevenção às doenças. A legisladora também falou das boas práticas que a entidade pode adotar para gerar economia.

O prefeito de Ilicínea Edvaldo Belineli (PMDB), demonstrou sua preocupação mais sugeriu junto com o presidente da Câmara de sua cidade, o vereador Bruno Miguel Alves Assis que é preciso formar uma comissão ou todos irem juntos ao governo. Viajando para Belo Horizonte nesta sexta-feira para um encontro com o secretário de Estado de Governo Odair Cunha, ele se dispôs a marcar uma audiência para debater a situação com o próprio governador.

De Santana da Vargem, o vereador João Martins Boaventura (PMDB) reclamou da ausência de representantes de sua cidade, mas pediu que o Hospital apresente aos seus colegas do Poder Legislativo a dificuldade para manter os serviços.

Conheceram esta realidade o promotor de justiça da Comarca de Três Pontas Dr. Artur Forster Giovannini, o prefeito de Três Pontas Dr. Luiz Roberto Laurindo Dias, o vice Marcelo Chaves Garcia, o prefeito e o presidente da Câmara de Ilicínea Edvaldo Belineli e Bruno Miguel Alves, o vereador de Santana da Vargem João Martins Boaventura e o presidente do PSL Carlos Alberto Pereira, secretários de saúde dos municípios e vereadores. Todos eles ocuparam as cadeiras disponíveis no Plenário juntamente com alguns membros da direção da Santa Casa e legisladores trespontanos. Nas cadeiras reservadas ao público, vereadores, secretários de saúde, médicos, profissionais que atuam na Santa Casa e alguns trespontanos.

O encontro de mais de três horas, foi aberto pelo presidente da Câmara Luis Carlos da Silva. Como ele se recupera de uma cirurgia não permaneceu na reunião e foi o vice presidente Donizetti Benício Baldansi quem ocupou sua cadeira, mas foi o próprio provedor Michel Renan Simão Castro que da Tribuna conduziu tudo.

A Santa Casa é uma empresa que também movimenta a economia da cidade. São 280 funcionários e 54 médicos. Chamados de guerreiros por se manterem firmes lutando pela manutenção, eles não estão medindo esforços para continuar, mesmo os servidores que não receberam ainda o 13º salário.

Direção está trabalhando

O Hospital São Francisco de Assis criou o Cartão Saúde e montou uma clínica médica de especialidades, oferecendo consultas a preços atrativos, além de descontos em farmácias, laboratórios e até academias. Em breve deve ser instalado o consultório oftalmológico que a Santa Casa ganhou do ex-senador Clésio Andrade através do SEST/SENAT.

Nesta quinta-feira membros da Administração estiveram em Boa Esperança divulgando e comercializando o Cartão e campanhas estão sendo feitas para demonstrar aos moradores as vantagens que ele oferece. Outra opção são os pacotes especiais para parturientes, que vão oferecer um atendimento individualizado e os mimos às mamães que acabaram de dar a luz. “Nós temos muitas idéias e projetos e nós da diretoria estamos trabalhando muito para que tudo aconteça, porém, não depende apenas da gente”, refletiu o provedor.

Uma medida adotada foi sortear duas motos que o Hospital ganhou a algum tempo, para levantar dinheiro para quitar o restante do 13º salário de 2016 dos funcionários. Foram colocados a venda 12 mil bilhetes a R$25 cada um para concorrer. O ganhador leva para casa as duas motocicletas 125 cilindradas.

Em parceria com as Apaes de Três Pontas e Santana da Vargem, o Hospital estará realizando no dia 02 de julho, o show da dupla Maiara e Maraisa, em Três Pontas no Campo do TAC. O Hospital não terá prejuízo e receberá parte do lucro da festa.

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