Marco Valério Araújo Brito, tem 50 anos de idade e na família as raízes da cafeicultura. É neto de José Nogueira de Araújo e filho de Hélio Brito, é trespontano, cafeicultor, filiado na Cocatrel desde 1996 e com sua paixão pelo café, é o novo presidente da Cooperativa da Zona de Três Pontas (Cocatrel). Formado em Administração de Empresas e Bacharel em Comércio Exterior, há anos trabalha com mercado financeiro e já passou por diversas corretoras de valores. Foi funcionário do Departamento Nacional do Café (Denac) em Brasília. Quando voltou para sua terra natal, assumiu o cargo de diretor comercial, em 1º de abril de 2015. Neste período, a Cocatrel recebeu mais de um novo cooperado por dia. As cidades de Varginha, Ilicínea, Santo Antônio do Amparo e o Distrito do Córrego do Ouro, em Campos Gerais, receberam uma loja ou armazém da cooperativa.

Não estava nos planos assumir uma das maiores e importantes cooperativas do país, mas o resultado do seu trabalho, o fez ser aclamado pelos cooperados. Por isto, Marco Valério está cheio de expectativas e sabe da grande responsabilidade de dar sequencia ao trabalho de seu antecessor Francisco Miranda de Figueiredo Filho, que mudou toda a sua estrutura e a forma de lidar com o cooperado. Para sua gestão, ele promete dedicação e trabalho e com apoio dos diretores, conselheiros e colaboradores aproximar ainda mais o cooperado da Cocatrel.

Entrevista:
Marco Valério Brito
Presidente da Cocatrel

Você foi Diretor Comercial da Cocatrel no último mandato. Quando entrou, em 2015, já havia esta negociação para ocupar o cargo de Presidente?

Não havia. As coisas aconteceram naturalmente. Foi fruto do trabalho realizado nestes três anos. A cooperativa é dinâmica e as coisas foram acontecendo. A diretoria por força estatutária tem que ser trocada. Em função desta necessidade e também pelo trabalho que foi sendo feito pela minha diretoria, a diretoria comercial, foi uma coisa natural. Não havia nada negociado.

Como é assumir este cargo em uma cooperativa com mais de 5 mil cooperados?

É uma grande responsabilidade. Primeiro é uma honra, orgulho, me sinto muito feliz. Sinto que é um cargo muito importante que afeta a vida de muitas pessoas. Temos por volta de 500 colaboradores, mais de 5 mil cooperados e direta e indiretamente se formos analisar, qualquer decisão tomada aqui, influencia na vida de inúmeras pessoas, não apenas em Três Pontas, mas em toda a região. Então, além de ser um orgulho e uma enorme responsabilidade é uma altíssima responsabilidade e um grande desafio, de manter a cooperativa onde ela está e naturalmente crescer e expandir.

Qual a importância da Cocatrel para Três Pontas na sua opinião?

Ela é uma das maiores empresas e empregadoras da cidade. Ela é extremamente importante não só nos empregos diretos, mas como ela comercializa o principal produto da cidade, que é o café, ela se mostra ainda mais importante. O papel da cooperativa é vender bem o café, é melhorar a forma como o produto é vendido, e isto impacta diretamente em todos os setores da sociedade. Além do café, é importante a gente dizer que ela trabalha em muitas outras áreas, nas lojas que vendem produtos, não só os produtos agropecuários, mas de forma geral, temos prestação de serviços, laboratório de análises, área de armazém e recebimento e venda de cultura branca, como milho, soja, trigo, cevada e aveia, além de laboratório de análise de solo e folha, de análises químicas, os departamentos de laticínios, torrefação, oficinas.

O ex-presidente Francisco Miranda ocupou a função por seis mandatos consecutivos. Você vê alguma dificuldade em substituí-lo na questão administrativa e na relação com os cooperados?

O Francisco é um grande nome que a Cocatrel teve. Durante 21 anos foi presidente, desempenhou muito bem seu papel, transformou sua estrutura e a forma de lidar com o cooperado, de muita proximidade com eles, uma presença importante e marcante. É natural que é difícil substituir uma pessoa com estas características e a capacidade que ele tem. Claro que o nome dele está gravado na história da cooperativa. Sem dúvida é uma responsabilidade substituí-lo. Mas juntamente com toda a diretoria, conselhos e colaboradores, que vamos trabalhar e principalmente com os cooperados. Tenho certeza que vai facilitar o caminho e vai ajudar a mim, a nova diretoria e o conselho a fazer estas substituições sem muito impacto e turbulência.

Na sua opinião, por que o ex-presidente ocupou o cargo por tanto tempo?

Por todos estes méritos que eu já citei. Pessoa que trabalhou muito em prol da cooperativa, se identificou muito com o cooperado. Teve uma capacidade de trabalho muito grande. Estruturalmente a Cocatrel mudou muito na gestão dele.

A nova formação da diretoria e dos conselhos de Administração e Fiscal ficaram a contento?

Sim. São nomes que foram se preparando, foram capacitados, pessoas representativas da sociedade e da cooperativa. Eu acredito que sim.

Fale um pouco dos diretores que trabalharão mais próximos à sua administração.

Eu estou assumindo a presidência da cooperativa. O diretor comercial é Luis Antônio Vinhas de Oliveira, engenheiro renomado na cidade, uma experiência forte na cafeicultura, pessoa experiente que vai contribuir muito conosco. O Francisco de Paula Vitor Miranda que está entrando na diretoria técnico industrial, também é formado em gestão de cafeicultura, tem uma experiência como agricultor e fazendeiro, uma pessoa de sucesso na atividade que desempenha que irá nos ajudar bastante. É uma equipe bastante envolvida e motivada e que com certeza vai trabalhar no sentido de manter o caminho que já vem sendo trilhado.

Uma boa safra do café se aproxima, mas os preços vem caindo com relação ao ano passado. Como o cafeicultor deve enfrentar este ano de safra boa e preço baixo?

Este é um paradoxico da cafeicultura. Normalmente preços bons não acompanham safra boa. Quando isto acontece é uma grande alegria. Isto aconteceu num passado recente, mas o cenário desta próxima safra não é assim. Teremos uma safra boa, não é a melhor, não é recorde, mas os preços realmente caíram muito. Mas acho que é ai que entra o papel da cooperativa, ajudando a vender melhor o café do cooperado e é isto que estamos fazendo. Instituímos o conceito de indústria dentro da cooperativa que é a capacidade dela preparar o café e tentar vender melhor, agregando valor. Outra coisa é o foco que temos dado aos cafés especiais. É um reposicionamento da Cocatrel em relação aos cafés que ela recebe. A gente tem dado um tratamento muito importante e sério a estes cafés, que a gente tem conseguido agregar um percentual no seu valor. Outra frente que estamos trabalhando muito, são as exportações. A gente tem gradativamente colocado a Cocatrel no cenário internacional de exportações de cafés. É muito importante dizer que nós temos trabalhado para que a Cocatrel seja identificada como vendedora de café fino, um café bom, agregar valor e ganhar por isto. A gente não quer vender para exportação por vender. Estamos conseguindo vender gradativamente um volume cada vez maior com novos clientes e novos países, com um preço acima do praticado pelo mercado interno e ajudando o cooperado. Ao mesmo tempo, temos feito um trabalho muito intenso para conseguir que o produtor adquira seus insumos mais baratos, para que ele consiga ter um custo de produção menor e vender um pouco melhor. Claro que todas estas atividades estão em um processo inicial, mas é um caminho que a gente quer seguir. Por isto estamos estimulando as feiras. Temos quatro consolidadas em nosso calendário. Na própria loja temos tentado adquirir melhor os nossos produtos e insumos que são importantes na produção do café, tentando vender mais barato, conseguindo preços melhores, para que o produtor consiga comprar melhor e vender melhor. É nisto que a cooperativa pode auxiliar o produtor quando o preço não está muito bom. Além de capacitar, dando condição de que ele consiga produzir de uma forma mais econômica.

Como já demonstrado, você é bastante favorável à realização de feiras, como a Fecom e a Expocafé. Fale um pouco da importância destes eventos para a Cocatrel e para os cooperados.

As feiras são fundamentais. A função da cooperativa é fazer gestão, orientar, dar capacitação, ajudá-lo no conhecimento. Quando a gente colocou no calendário as feiras, colocamos estrategicamente de uma forma que o cooperado possa fazer melhor a gestão dos insumos que ele utiliza na sua propriedade. Quando a gente coloca a feira no começo de setembro, e uma agora em maio que é a Expocafé, a gente está vendendo insumos para que o produtor consiga se preparar, para que ele tenha os produtos na hora exata dentro da fazenda dele com um preço acessível, para que consiga fazer os tratos culturais no momento adequado. Estas feiras além da gente conseguir colocar preços melhores, barateando o custo de produção, a gente precisa colocar na hora certa. Fazer atitude certa na hora errada, não é a melhor estratégia. A gente precisa da melhor atitude no momento certo e as feiras estão contribuindo para isto.

Gostaria de citar alguma realização pessoal à frente da Cooperativa ou alguns objetivos a médio prazo?

Quando a gente assume um cargo desta envergadura, a gente acaba se abstendo dos interesses pessoais. Quando a gente está aqui, tem que pensar na coletividade, nos cooperados, na sociedade, nos colaboradores e diretoria, e colocar acima de qualquer coisa os interesses da cooperativa. De interesse pessoal especificamente eu projeto para os interesses da Cocatrel, pois eu estou aqui me dedicando intensamente à cooperativa. A Cocatrel é sinônimo de confiança. Quando se fala da nossa Cocatrel, se fala da confiabilidade, seriedade e tradição que ela tem. E isto foi conquistado com muito trabalho ao longo destes anos, com muito esforço, capacidade e excelência técnica de promover soluções ao cooperado. E isto temos que agradecer aos que nos antecederam. A Cocatrel está onde está graças aos que trabalharam arduamente ao longo de quase 60 anos que ela existe. O meu papel aqui é além de manter esta confiança, a gente procurar uma cooperativa mais próxima do cooperado, principalmente do pequeno produtor, mais flexível tentando atender os interesses de todos. O meu objetivo é só não manter esta confiança e apelo quem ela tem, mas expandir nas áreas que ela já vem atuando, nos aproximando e comunicando mais com o cooperado. Claro que resguardando todo o interesse dela. Mas o meu sonho é que a Cocatrel seja mais próxima ao cooperado.

A Cocatrel vive um momento de expansão?

É muito importante a gente dizer que a cafeicultura e os negócios mudaram muito. Tivemos alguns fatos importantes que é a revolução da informação. A revolução da informática acabou proporcionando a revolução das informações, isto aconteceu no final do século XX e houve uma mudança muito grande do século XXI para cá, não apenas nos negócios, mas, na cafeicultura que é completamente diferente de 20, 30 anos atrás. A Cocatrel tem que estar preparada para estas mudanças. Esta cafeicultura é mais dinâmica, competitiva e precisamos estar ligados a isto. A expansão é uma forma de marcar território, ganhar escala, competitividade e estar mais próximo do cooperado. Já tivemos uma expansão muito significativa neste triênio e além de consolidar esta expansão a gente está sempre estudando novos negócios de expansão. Nestes últimos três anos, a Cocatrel filiou mais de um novo cooperado por dia e abriu loja ou armazém em Varginha, Ilicínea, Santo Antônio do Amparo e no Distrito de Córrego do Ouro, em Campos Gerais.

O ano de 2018 é um ano de Eleições. O que você espera para o setor do café com a Eleição do próximo presidente e dos deputados?

Esta questão política é um momento delicado e o Brasil vive uma situação muito delicada. Nós não podemos simplesmente ser omissos. Eu particularmente não acredito que as pessoas que tenham capacidade, que querem e podem contribuir, não podem ser ausentarem das principais coisas que são importantes para a sociedade. A cooperativa tem um pouco disso e a política também. Estamos passando por uma crise política muito grande no Brasil e 2018 ano é um ano importante que pode ser que consigamos mostrar uma mudança. A mudança passa por participação. As pessoas tem que se envolver e participar da política, tanto setorial, como do café e as questões que envolvem o dia a dia da gente, mas também da política geral, que estamos nos referindo. Temos que cobrar mais, fazer o papel de cidadão, que não fazemos.  É um ano para repensarmos nossa postura em relação a política. Temos que ser mais participativos, principalmente cobrando e participando da formulação das ideais e escolher com muita parcimônia quem vai dirigir o nosso futuro nos próximos anos.

O que os cooperados podem esperar da sua gestão enquanto presidente?

Muito trabalho, muita dedicação, envolvimento, juntamente com o corpo de diretores, conselheiros e colaboradores, principalmente aos cooperados. Eu tenho que agradecer muito aos cooperados pela confiança por ter aclamado meu nome na Assembleia que é motivo de orgulho, com serenidade e tranquilidade que demonstra que a cooperativa tem um processo de transição  interessante. O que eu posso oferecer é muito trabalho, dedicação, amor pelo que eu faço. Eu me sinto muito realizado. Gostaria de dizer que estou aberto a interagir com a cooperativa e os cooperados, mas podem esperar de mim, dedicação e trabalho.

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