Por Bruno Maximo

Seguimos na caminhada de cada dia, sempre aproveitando as oportunidades, de acordo com o tempo e a demanda. De um lado aquela pessoa privada de algo ou alguma coisa, de outro lado uma pessoa livre e ciente do seu papel com a oportunidade de somar conhecimentos, e talvez se tiver grande visão, ampliar os seus próprios conhecimentos, no sentido de multiplicar valores.

Através de atitudes realmente inclusivas, e não tão somente, desenvolver atitudes inclusivas mas também e principalmente as práticas. Pensando nisso venho através desse espaço compartilhar as minhas atitudes práticas e sempre com uma boa pitada de humor, muita sagacidade, e também reais.

Quero agradecer a Equipe Positiva pela oportunidade de poder escrever nas páginas que se abrem, o cotidiano de uma pessoa com deficiência, principalmente as com deficiência visual. Vamos através do espaço, discutir o cotidiano de uma pessoa cega, suas formas de se virarem nas atividades comuns da vida diária de uma pessoa cega relativamente autônoma, mas que está sempre procurando ser alguém acima de tudo, melhor a cada dia.

Tendo isso como foco, para esse primeiro texto, gostaria de abordar exatamente o tema da independência x autonomia. Hora sabemos que o sonho de toda pessoa com deficiência, é ser autônomo porém muitos para não dizer a maioria, confunde ser autônomo, com “independência”.

Vou simplificar: penso que ser autônomo é algo mais importante, já que quando adquirimos autonomia, passamos a entender que não somos independentes de fato.

Vou dar um exemplo prático: o padeiro… o padeiro depende de várias pessoas e serviços, mas tem um trabalho ao mesmo tempo independente da dependência; todavia ele termina dependendo dos fornecedores de matérias primas. Do vendedor de farinha de milho e de trigo; que depende do produtor rural de milho e de trigo, que vende para o fornecedor, que por sua vez vende para a padaria que passa para o padeiro, para que ele possa de fato, trabalhar.

Ser independente é algo que vai além de qualquer pessoa, independente de ser uma pessoa com deficiência (ou não). Esta ideia de “independência” sua como utopia humana. Já a autonomia é algo que estimula a empatia, já que a ideia parte do princípio do vamos trabalhar e agir juntos. Isto faz com que nos coloquemos no lugar das outras pessoas, além de desencadear uma evolução humanística, porém mais voltada para a humanização.

Ser autônomo é ter condições de se entender as necessidades de outras pessoas, e sentir ou tentar sentir o que elas sentem é saber receber ajuda, e saber ser ajudado.

No decorrer da nossa coluna, abordarei aqui temas sobre pessoas com deficiência, e as que sabem receber ajuda, mas com ênfase nas que não sabem. Mas voltando ao tema autonomia, quem me conhece sabe que sou uma pessoa relativamente autônoma; o que ainda não sou estou para me tornar.

Porém, a autonomia é um processo que perdura durante toda a vida, já que estamos diariamente aprendendo a cada dia. Podemos e devemos aprender a cada dia. Espaço e vida cotidiana! Coisas como lavar, passar, cozinhar, varrer e arrumar a casa, andar sozinho, usar transporte público, ocupar os espaços públicos, são coisas que nós pessoas com deficiência, também fazemos.

Porque então, não vemos tantas pessoas com deficiência nas ruas, ou nos espaços públicos no nosso cotidiano?

Atualmente, somos 45000000 de pessoas com deficiência, mas desse total cerca de 25% de nós temos acesso a informação de forma acessível.

Antigamente era pior, as pessoas com deficiência viviam em internatos específicos, e as famílias nos abandonavam, dependendo da condição financeira, pois os estudos para as pessoas com deficiência eram caros, e não havia uma referência sobre isso no Brasil.

Na década de 20 surgiram as primeiras instituições no Brasil voltadas às pessoas com deficiência, nas quais destacamos aqui no Brasil o instituto São Rafael (Belo horizonte) e o Instituto Benjamin Constant (Rio de Janeiro).

Através desses institutos as coisas começaram a caminhar, dentro do ensino da pessoa com deficiência visual, mas eram poucos deficientes visuais que tinham o privilégio de estudarem lá.

Se vocês quiserem saber mais sobre os institutos aqui mencionados, poderão ler o livro de Oto Marques da Silva – A Epopéia ignorada.

Neste livro são abordados assuntos e o histórico do movimento das pessoas com deficiência no Brasil, que começaram a terem visibilidade na década de 80, especificamente em 1981 no ano internacional das pessoas com deficiência, estabelecido pelas nações unidas, e abraçados pelos movimentos sociais no Brasil, nas décadas de 70 e 80. Conclusão: ser autônomo depende da base familiar, amigos, e acima de tudo: de nós pessoas com deficiência devemos ocupar mais os espaços públicos, inclusive os precários pois como uma frase dita em uma das conferências das nações unidas diz:

Não existe nada sobre nós, sem nós. E com isso vou finalizando esta coluna por aqui. E você pode enviar sugestões de temas. Escreva para [email protected] – será um privilégio também falar de assuntos que lhes interessem sobre a pessoa com deficiência.

Um forte abraço!

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