Os comerciantes que tem estabelecimentos localizados na Avenida Oswaldo Cruz, no Centro de Três Pontas reclamam da instalação da Feira do Padre Victor na via, que fica interditada durante vários dias. O uso privativo da Associação Padre Victor na Avenida Oswaldo Cruz, é desde o cruzamento com a Travessa D’Aparecida até a Rua Antônio Tércio Rabelo Campos para instalar exclusivamente o recebimento e instalação dos vendedores ambulantes.

O trecho será fechado na véspera da festa, na sexta-feira dia 22, as 6:00 horas da manhã e só liberado na segunda-feira (25), as 13:00 horas.

Os comerciantes criticam que os barraqueiros compram mercadorias sem origem legal e sem pagar tributos, praticam a concorrência desleal com os empresários locais que geram empregos e contribuem diretamente com a construção de escolas e creches, a compra de medicamentos fornecidos à população, entre outras vantagens, em prol do município.

Empresários tem dificuldades para atender seus clientes com a via fechada para veículos. As consequências são quedas nas vendas e prejuízo. Os transtornos são visíveis, como relatou o empresário Lamartine Silva Passos. A loja dele fica no Centro da “muvuca” que se forma nas duas vias. Desde o primeiro ano que a estrutura foi montada lá, é um pedido dele pela transferência. Ele atende consumidores de outras cidades que sofrem para pegar mercadorias mais pesadas. Apesar da Associação Padre Victor dizer que disponibiliza uma área para este serviço, isto não acontece, reclama Lamartine. Por duas vezes, ele quase foi agredido fisicamente por barraqueiros ao tentar argumentar sobre a postura deles. Um dos problemas é que nem limpar a frente da sua loja pode. Para minimizar o odor provocado pela urina que eles fazem ali mesmo, a funcionária joga água, mas isto os incomoda e eles acabam se juntando para protestar. “Nestes dias ficamos presos dentro do nosso comércio”, diz.

Lamartine Silva (foto) participou de uma reunião realizada a poucos dias no Fórum Dr. Carvalho de Mendonça para traçar a organização da Festa do Padre Victor. Autoridades, membros da Associação Padre Victor e Associação Comercial e Agro Industrial e toda a organização destacaram com ênfase a questão da feira. Segundo contou o empresário, a intenção é retirar a feira da Avenida, mas não especificam que local gostaria de ir. Foi ventilado a possibilidade de montar as barracas no Aeroporto Municipal, no Parque Multi Uso da Mina do Padre Victor e até se pensou no espaço onde a Cocatrel tem realizado suas feiras. Porém, a Associação Padre Victor teria dito que o problema maior para instalarem a feira longe da Matriz Nossa Senhora D’Ajuda, seria justamente os ambulantes que não compram o espaço da Associação na Avenida, que invadiriam a via e as barracas ficariam longe e os camelôs seriam prejudicados. A solução neste caso, avalia Lamartine é colocar fiscais para retirar os ambulantes que não adquiriram a área reservada a venda.

Mas nem todos reclamam e alguns acham até vantagem em ter ali os ambulantes. Eles aproveitam para alugar suas garagens, lojas, terrenos e até residências para os camelos e garantir uma renda extra que dizem ser vantajosa.

O pároco padre Ednaldo Barbosa revela que existe uma preocupação enorme da Associação Padre Victor em resolver o problema e sempre busca que o evento traga um impacto cada vez menor na rotina da cidade e mexa com a vida das pessoas. A renda obtida com a comercialização dos espaços, quase na totalidade é investido na própria infraestrutura, com sanitários, fiscais, segurança entre outras despesas para receber os romeiros que precisam ser bem recebidos. “A preocupação é também da Igreja, porque caminhamos juntos”, ressalta o pároco. Ao longo destes sete anos que está a frente da Paróquia D’Ajuda, as vésperas da festa, surgem os comentários em relação ao local das barracas, mas alerta o padre, que não é coisa que se resolve do dia para a noite e precisa de união de todos os setores para além de tratar da Feira do Padre Victor.

O necessário é tratar o turismo religioso e seu potencial para a economia da cidade. Uma reunião importante, deu um norte para as ações que podem ser desenvolvidas na Terra do Beato Padre Victor, foi na visita e palestra do secretário adjunto de Turismo de Minas Gerais Gustavo Arrais. “Todas as sugestões que nos dão são levadas em conta, mas não podemos simplesmente “jogar” a feira num canto da cidade. Precisamos sentar juntos, debater e decidir em conjunto, pois a responsabilidade é de todos”, explicou padre Ednaldo.

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