A decisão tomada pela Secretaria Municipal de Educação de Três Pontas divide opiniões e deixou pais e responsáveis inconformados. A partir de segunda-feira, dia 03 de agosto, quando os estudantes que residem em três comunidades retornarem para as salas de aulas, eles serão levados de ônibus para a Escola Municipal Professor Vieira Campos, na Fazenda Bananeiras.

As escolas municipais Lolita de Brito Dias (Fazenda Caxambu), Walda Tiso Veiga (Pitangueiras) e Sobradinho (Sobradinho). Revoltada, a trabalhadora rural Daniela Bernardo Pereira de 28 anos, tem três filhos de 7, 9 e 10 anos, matriculados na Escola Walda Tiso e busca solução para o impasse.

Daniela Bernardo visitou a redação inconformada

São alunos que saem das fazendas Corintinha, Bela Vista, Jacutinga, Robertão, Zaroca e estão acostumados a irem todos os dias para as Pitangueiras. Muitos podiam escolher as escolas de Varginha, mas preferem a Walda Tiso fundada em 1988. De acordo com a mãe, tem crianças que poderiam estudar em Varginha, mas preferem a de Três Pontas pela qualidade e tradição da escola.

Ela conta que recebeu um dia antes, o aviso da direção de que na sexta-feira (17) haveria uma reunião, mas o assunto não foi antecipado. Muitos imaginaram ser um encontro de rotina e sobre a implantação do Projeto Mais Educação. Como estava apanhando café, a avó das crianças compareceram e souberam da notícia que nunca imaginaram ouvir. Muitas mães, inclusive Daniela Bernardo foi avisada por telefone por aqueles que foram e muitas choraram.

Já no dia seguinte, funcionários da Prefeitura já faziam a retirada do mobiliário e inclusive os alimentos que eram servidos na merenda das crianças. O prédio já está todo vazio. Daniela até tentou falar com o vice prefeito e secretário de Educação Érik dos Reis Roberto mas ele estava irredutível. Explicou que era o melhor para as crianças, mas os pais relutam e acreditam que isto será prejudicial e por isto tomaram uma decisão radical. Não vão mandar os filhos à escola e Daniela adianta que vai até as últimas consequências para impedir o fechamento.

O carinho que os moradores tem no prédio é justificada. Lá, famílias inteiras aprenderam e hoje são seus filhos que recebem formação. Foram eles que se juntaram e bancaram as despesas com a ligação de água e luz. Eles fizeram festas e eventos para arrecadar o dinheiro.

“Estamos lutando por um direito que é nosso. Se a Secretaria não rever esta decisão vamos se for preciso entrar na justiça, porque as próprias crianças não querem mudar de escola”, informa.

Decisão irreversível

Desde que o comunicado foi feito pela Secretaria Municipal de Educação, os funcionários trabalham para receber os alunos na volta das férias na nova escola. Sobre a reclamação de Daniela, Érik dos Reis conta que ele pessoalmente explicou a ela que a intenção é de melhorar a qualidade do ensino. Para ele mudanças sempre geram um pouco de dúvidas, mas a SME está fazendo o melhor às crianças. O secretário reinterou que a nucleação é irreversível.

A mudança

Os alunos da Lolita Brito Dias, Walda Tiso Veiga e Sobradinho, vão passar a oferecer escola em tempo integral. A Secretaria de Educação afirma que este foi um pedido feito pelos próprios pais, levado ao Conselho do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).  No total, serão remanejados com a nucleação, 164 estudantes de 4 a 10 anos. Assim, 213 famílias passam a contar com o benefício, além do ensino regular, aulas de reforço, desenho, dança e música.

O horário das aulas serão de 7:30 as 16:00 horas.

A Secretaria admite que a mudança vai provocar economia para o Município e 16 contratos serão reincididos.

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