Os moradores e turistas do Distrito do Pontalete, em Três Pontas, estão sem a balsa que faz o transporte para três cidades da região. Ela deixou de circular no local há mais de um ano quando o nível do Reservatório de Furnas ficou muito baixo com a estiagem prolongada. Mas mesmo com a recuperação do lago, a balsa continua sem funcionar. Os problemas são muitos e de acordo com o prefeito de Três Pontas, Paulo Luis Rabello (PPS), que tem recebido muitas reclamações sobre a paralisação do transporte, é preciso unir forças, com os outros municípios que estão sendo prejudicados para resolver o problema.

O entrave é junto a Capitania dos Portos e em Furnas Centrais Elétricas, proprietária da embarcação e isto se arrasta desde 2013. Neste primeiro órgão, a exigência agora é que para a balsa funcionar, os condutores precisam ser habilitados, com um documento próprio para esta locomoção. É preciso também três marinheiros/aquaviários cada um em uma categoria – marinheiros fluviais de convés, auxiliar e máquinas. No Pontalete há apenas dois e ambos estavam com a habilitação vencida.

Sabendo das responsabilidades da Prefeitura, a Procuradoria Geral da República notificou o Município para tomar as providências. Os marinheiros foram procurados e orientados a irem até a Capitania, que fica em Santos (SP), para renovar o documento. A eles também foram solicitados a indicação de uma pessoa que fosse o profissional responsável pela mecânica, ou seja, o marinheiro fluvial de máquinas. Além de não terem indicado, eles se negaram a se regularizarem. Somente há dois meses, diz o prefeito Paulo Luis que eles se convenceram e foram a Capitania.

Neste meio tempo, acabou vencendo o convênio entre o Município de Três Pontas e Furnas e a estatal precisava fazer dezenas de reparos na embarcação, que estavam colocando em risco todas as pessoas que estavam sendo transportadas. Um relatório enorme foi feito apontando todos os problemas que são desde mecânicos a estruturais.

Paulo Luis admite que enviou sim, um ofício à Procuradoria da República em Minas Gerais, informando que diante da situação que estava a embarcação e dos riscos que eram eminentes, não teria mais interesse. A balsa foi então recolhida e levada para fazer os reparos, na responsabilidade de Furnas. Quando foram concluídos, Três Pontas procurou todas as formas de trazer de volta a balsa, mas o convênio havia mudado, sendo preciso fazer uma licitação, o que o gestor não discorda. “As pessoas pagavam o transporte, o marinheiro prestava o serviço, ficava com o dinheiro arrecadado e não havia nenhuma contrapartida tanto para o Município como para Furnas”, relatou Paulo Luis.

A alegação agora, que Furnas está dando, de não poder celebrar convênios por causa do período eleitoral, não ganhou do prefeito, a certeza de que isto esteja correto.   

Ele aproveitou para fazer um pedido. Que os moradores do Distrito, os

Prefeito reconhece as dificuldades, mas afirma que em Campo do Meio, tem famílias ilhadas por falta da embarcação
Prefeito reconhece as dificuldades, mas afirma que em Campo do Meio, tem famílias ilhadas por falta da embarcação

turistas que frequentam Pontalete e todos aqueles que se sentem prejudicados, de Três Pontas e das cidades de Elói Mendes e Paraguaçu que entrem com uma ação na justiça contra a diretoria de Furnas, acionando o Ministério Estadual e Federal. Na visão do Chefe do Executivo, ceder a balsa é uma obrigação do Governo Federal, dando assim condições das pessoas irem e virem, o que não está acontecendo justamente por falta da balsa. A embarcação está em Fama. Lá existem duas, uma delas com o nome do Pontalete.

A Alago já fez diversas reuniões para que os prefeitos que margeiam o lago e estão enfrentando problemas se assentassem juntos com a direção de Furnas. Além de Três Pontas, Elói Mendes e Paraguaçu, tem outras localidades que estão vivendo uma situação muito pior ainda, na opinião do prefeito Paulo Luis. Em Campo do Meio, por exemplo, ele contou que existem famílias que estão ilhadas, sem condições de saírem de casa ou mesmo transportar a produção das fazendas e propriedades.

Enquanto o serviço não volta a funcionar, as pessoas estão se arriscando atravessando o lago de canoa ou enfrentando as estradas de terras e dando enormes voltas, que chegam a ser de 100 quilômetros. E o turismo fica comprometido.

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