Produtores de café de Três Pontas passaram de segunda a quinta-feira dentro de uma sala de aula. É que eles integram o Projeto Núcleo de Cafés Especiais, lançado em novembro de 2015, desenvolvido através de uma parceria entre a Associação Comercial e Agroindustrial de Três Pontas, a Federaminas, Cocatrel e Sebrae.

Parceira também na iniciativa o CVT/UAI-TEC, a Universidade Aberta e Integrada de Minas Gerais foi a sede escolhida para ministrar com os 17 produtores, o curso concluído na última quinta-feira (21), que abordou Classificação e Degustação de Café. Neste quesito, os participantes conheceram os tipos de bebidas, defeitos, cuidados na armazenagem e na seca. Quem ministrou foi o Técnico em Cafeicultura Gilmar Reis Cabral, que é de Boa Esperança. Em um espaço moderno, arejado e totalmente equipado com salas de aula e recursos audiovisuais, eles permaneceram durante 28 horas, aprendendo que é preciso fazer um bom café, procurando sempre a mais alta qualidade, otimizando custos em tempos difíceis e nesta etapa, conhecendo que a classificação e a degustação é fundamental para o produto.

Ao todo 17 produtores rurais participaram do curso sediado no CVT UAIT-TEC
Ao todo 17 produtores rurais participaram do curso sediado no CVT UAIT-TEC

O Núcleo inclui dias de campo e de terreiro, para quem quer realmente produzir com mais qualidade de forma sustentável, consequentemente conseguindo melhor preço através de uma boa classificação do produto.

Para isto, os produtores conhecerão no projeto, todas as fases de manejo operacional nas áreas produtoras, incluindo a geração de receita adicional via turismo rural. Esta é uma outra vertente que será tratada pela Associação Comercial.

04O presidente da Cocatrel Francisco Miranda de Figueiredo Filho arriscou em dizer que a tendência é ter clientes, ou seja, bebedores de café cada vez mais exigentes, mas sempre haverá alguém comprando ruim. Francisco vê muito em supermercados, as pessoas observando os preços de meio quilo de café por R$4,99. Quando uma saca de café torrado e moído tem 48 kg, o que significa um custo de R$480, um verdadeiro milagre segundo o presidente, porque não se considera os custos com a torra, a moagem, a embalagem, a entrega, os impostos e o lucro do estabelecimento e por ai vai.

Para Chico Miranda, não há mistérios. Basta olhar o preço para se conhecer a qualidade do café. Para que o brasileiro consiga distinguir café ruim do café bom, só mesmo no boca a boca. A ideia que surgiu em uma conversa antes do encerramento do curso, é de montar um laboratório, uma sala de cafés especiais e levar as crianças para conhecer o que estão bebendo. Eles podem ser propagadores e ajudar a chamar a atenção de seus pais a observar o que estão bebendo.

Isto tudo tem a frente uma cooperativa de referência, a Cocatrel que tem um enorme índice de satisfação, precisa ser cobrada, é de todos e com o treinamento pode ser argumentada com conhecimento de causa. Foi assim, enaltecendo, mas cobrando a cooperativa que ele fez questão de dizer que é de todos, que o presidente da ACAI-TP Michel Renan Simão Castro. Defensor em agregar valor ao café, ele detalhou o que já foi feito – a visita na Fazenda Caxambu, que já produz cafés especiais, palestra que traçou cronograma e ouviu opiniões dos produtores. Um adendo é que não apenas os produtores que pretendem produzir cafés especiais, mas o Núcleo está aberto a todos.

Para garantir um bom e saboroso café na xícara, é preciso conhecer, como será feito em outros cursos, o pré e pós colheita e a mecanização. Desejou que o grupo cresça cada vez mais e se fortaleça, pois na avaliação de Michel, é com união que se cria condições de cobrar benefícios. Tendo como base da sua economia o café, o que salvou Três Pontas em 2015, foi justamente o grão que em novembro e dezembro, causou certo alívio. “A Cocatrel e a ACAI-TP estão prontas para ouvir e dar o suporte necessário, no que for necessário”, concluiu Michel Renan.

O próximo módulo vai mostrar como fazer o dimensionamento de equipamentos dentro da propriedade. Em seguida vem em outras etapas, o planejamento da safra com as adequações das estruturas, os investimentos a serem feitos, regulagem das máquinas, manutenção das colhedeiras, a mecanização no terreiro de café, equipamentos pós colheita, dia de campo com treinamento e montagem de equipe usado na lavoura, a forma da colheita e termina com um treinamento técnico em fazendas escolas, para o proprietário, o administrador e o chefe do terreiro.

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