Vereador Coelho mostrou na Tribuna as notificações que recebeu sobre os processos que vai responder na justiça e ficou visivelmente irritado
Com ausência de Luisinho, Benício presidiu a sessão e Popó foi vice presidente

O Poder Executivo poderia ter tido um projeto importante votado na sessão desta segunda-feira (18), mas em apoio ao vereador Geraldo José do Prado (PSD) “Coelho”, o item não foi inserido. O assunto deu tom a reunião marcada por protesto da bancada oposicionista.

A sessão foi presidida pelo vice presidente Benício Baldansi (PSL), que novamente trocou palavras, mesmo fazendo apenas a leitura do ritual preparado pela Assessoria Legislativa. Ele não justificou a ausência de Luis Carlos da Silva (PPS), convidou o vereador Professor Popó (PSL) para ir a frente, sem mesmo dizer que ele ocuparia a sua cadeira de vice presidente.

Os problemas começaram antes do Pequeno Expediente, porque Coelho chegou atrasado e conseguiu se inscrever no Grande Expediente, o que normalmente Luisinho não permite. Mesmo sendo do mesmo partido, Antônio do Lázaro chiou e disse ao presidente em exercício que a lei tem que valer para todos, e que quando chegar atrasado, vai assinar o livro de inscrito e vão ter que aceitar.

Antes de anunciá-lo na Tribuna, Benício alertou que desta vez autorizaria o colega a falar, mas da próxima vez não permitiria se não fizesse sua inscrição antes do início da sessão.

Em clima de desabafo, Coelho que integrava o bloco da situação foi notificado sobre dois processos que está respondendo na justiça, movidos por duas pessoas que ocupam cargos de confiança na equipe do prefeito Dr. Luiz Roberto (PSD). Taxativo, Coelho deixou claro que o governo que pensava que perseguia era no mandato anterior, mas estava enganado. Além disso, a atual Administração prometeu mundos e fundos, não cumpre e quem sofre é o vereador que está presente e sofrendo em todos os bairros da cidade, justamente por não cumprirem os compromissos.

“Aqui em Três Pontas vereador não pode cobrar, precisa apenas elogiar o Executivo. Eu não sou capacho de ninguém, não me vendo e respondo qualquer processo para defender o povo”, disse na Tribuna. Ele falou novamente que várias pessoas mandam na prefeitura, menos o prefeito.

Outros vereadores falaram no Pequeno Expediente sobre vários assuntos e quando ia abrir a pauta de votações, o líder do prefeito na Câmara Antônio do Lázaro pediu consulta ao Plenário sobre a inserção do projeto que autoriza a Prefeitura a leiloar o terreno que fica entre as Avenidas Barão da Boa Esperança e Zé Lagoa. A intenção é vender a área para investir na infra estrutura de um Distrito Industrial localizado na região dos Quatis. O Executivo está cheio de expectativas com a aprovação deste projeto, mas o vereador Sérgio Eugênio Silva foi o primeiro a protestar. Falou da retaliação covarde que o colega está sofrendo e, para mostrar o valor de um legislador, antecipou que votaria contra a entrada na Ordem do Dia, mas é a favor do projeto com as emendas que foram feitas.

Em seguida, Coelho falou novamente da covardia que está enfrentando pensando que vão o calar. Apesar de defender o emprego e saber o quanto a população precisa, ele gritou que vereador é representante do povo e precisa ser respeitado. Antônio se incomodou e impôs ao presidente que colocasse ordem na Casa. Sérgio saiu em defesa de Benício. Roberto Cardoso falou que em respeito a Coelho também não queria votar o projeto nesta sessão. Benício assumiu a responsabilidade, nem consultou o Plenário e anunciou que o projeto será votado na semana que vem.

Assista a entrevista de Sérgio e Coelho sobre o assunto

DOIS PROJETOS APROVADOS PELO PLENÁRIO

Os dois projetos que o Executivo conseguiu aprovação unanime passou sem discussão. São duas alterações no Orçamento com aberturas de créditos adicionais especiais. A primeira no valor de R$11 mil para garantir o pagamento de obrigações patronais do IPREV, para execução do programa de incentivo às ações de vigilância e controle de endemias; a segunda no valor de R$117,7 mil para garantir duas ações em áreas diferentes: o pagamento do ensino infantil da Secretaria Municipal de Educação e manter ajuda financeira a quem faz tratamento de saúde fora da cidade.

EXECUTIVO QUER MULTAR QUEM FIZER QUEIMADAS NA CIDADE

*Mas projeto precisa ser revisto

Um projeto polêmico acabou sendo retirado da pauta a pedido do vereador Érik dos Reis Roberto (PSDB). A intenção é criar a lei que pune quem faça queimadas em terrenos baldios. O objetivo é coibir a ocorrência de queimadas nas vias públicas e no interior de imóveis, públicos ou particulares, quer seja lixo ou mato, que resultam em dano ambiental, risco à saúde pública, comprometimento da visibilidade no trânsito, problema que está sendo sendo registrado em grande número nos últimos meses em Três Pontas. A multa pode variar de R$100 a R$600 e em caso de reincidência o valor dobra.

A discussão foi ampla. Todos concordaram que é preciso tomar medidas para frear as queimadas que todos os dias estão dificultando a vida dos moradores, a fumaça encobrindo o céu de vários pontos da cidade, provocando sujeira em residências e principalmente destruindo o meio ambiente.

Marlene Lima Oliveira (PDT), manifestou sua preocupação quanto a efetividade da lei, para não ser mais uma que não sairá do papel. E Roberto Cardoso sugeriu que na primeira vez, as pessoas sejam advertidas e multas em caso de reincidência. “Se você fizer um churrasco no quintal de sua casa, vão dizer que é uma queimada e te denunciar”, opinou. Já Sérgio não concorda com a forma de punição, anunciou o voto contrário, pois qualquer um pode colocar o fogo e o dono do local ser responsabilizado. Ironizando o Executivo disse: “Apelidaram esta Administração de ‘Zé Pracinha’, mas agora vai ser ‘Zé Taxinha’” e lembrou da Taxa de Exumação no Cemitério Municipal e as multas de trânsito, que começaram a ser cobradas.

Antônio do Lázaro também sugeriu que é preciso comprovar quem realmente provocou o incêndio. Érik dos Reis foi mais além. Falou que falta transparência nesta proposta de lei e gente para fiscalizar sua efetivação. A questão precisa ser dada na educação e não fazer lei na paixão e no ímpeto de dar uma resposta à sociedade. Terminou dizendo que o Município pode sofrer o ônus com ações na justiça e o pedido de indenização.

Maycon Machado (PDT) opinou que a ideia não é ruim, mas é preciso provas contundentes para que a ação não tenha uma reação desfavorável à Prefeitura. Ele também sugeriu, por exemplo, que os infratores tenham que fazer o plantio de árvores repondo a natureza, como punição.

Depois de tantas sugestões dadas, ficou claro que o projeto precisa voltar às Comissões para a elaboração das emendas para depois retornar a votação no Plenário. Érik pediu vistas e foi concedida com o voto da maioria.

FALTA D’ÁGUA E LIMPEZA DE AVENIDA FORAM AS RECLAMAÇÕES FEITAS NO PEQUENO EXPEDIENTE

A vereadora Marlene Lima anunciou que o Executivo repassou a subvenção social para a Vila Vicentina, que ela havia cobrado na Tribuna na sessão do dia 28 de agosto e o repasse foi feito no dia seguinte.

Sobre a questão da falta de água, Marlene contou que leu a reportagem da Equipe Positiva no fim de semana, com a lista dos locais sem água e comentou os debates que está sendo formado nas redes sociais. Estranhou que a poucos dias, o diretor do Saae Afonso Carvalho havia dito que não se pensava em racionamento, mas os moradores já estão reclamando e ela é prova de que está faltando, já que alguns ficaram três dias sem água. Ela entende que o problema maior é a falta de chuva, mas que prefeitos que sucederam Tadeu Mendonça, que construiu Sete Cachoeiras, já deveriam ter feito algo ao longo dos anos. Depois, ter feito um trabalho de conscientização para cuidarem mais nos mananciais e nascentes.

Érik dos Reis quer a relação completa dos veículos que estão sendo alugados pela Administração, o valor, placas, os tipos de automóveis que setores estão sendo utilizados.

Ele dificilmente faz este tipo de cobrança em Plenário, mas, Érik que saber quais os medicamentos estão em falta na Farmácia Municipal, já que ele mesmo participou de uma licitação de medicamentos e porque ainda não foram entregues.

Érik terminou fazendo um pedido em nome dos moradores à Secretaria de Transportes e Obras. Porque este ano não foi realizado a Semana Nacional do Trânsito, promovido todos os anos pela Guarda Civil Municipal (GCM), as vésperas da Festa de Aniversário de Morte de Padre Victor. “As pessoas estão dizendo que a campanha foi da caneta ao invés de educativa”, disse.

Sobre o trânsito, Antônio do Lázaro respondeu que tinha em seu celular fotos de motoristas que estariam utilizando irregularmente as vagas destinadas exclusivamente aos taxistas, por isto, eles estavam tendo que ficar contornando as praças Tristão Nogueira e Cônego Victor, até que o motorista chegasse.

Sobre a falta de medicamentos, o líder do Executivo respondeu que o problema é a falta de repasses do Governo do Estado, não apenas na saúde, mas também na educação. Tem setor que não recebe repasse há três meses e o Município vai fazendo aquilo que pode.

Roberto Cardoso falou em nome dos moradores do bairro Jardim das Esmeraldas. Eles estavam esperançosos com as promessas feitas na campanha eleitoral. No começo do mandato até fizeram a limpeza das ruas e um campinho de terra, mas agora o local está abandonado, os bueiros estão entupidos e a sujeira é geral.

O secretário da Mesa Diretora Maycon Machado fez o convite para a Plenária final do Parlamento Jovem (PJ), que acontece na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) dia 22, em Belo Horizonte. Duas jovens de Três Pontas irão participar. Maycon fez questão de ressaltar que o convite é assinado pelo presidente da ALMG deputado Adalclever Lopes (PMDB) e foi enviado a todos os vereadores das 62 cidades que fazem parte do projeto. Assim, o presidente da Escola do Legislativo, espera que os colegas entendam o objetivo do projeto e apoiem mais. Ele deixou claro a burocracia que é conseguir apoio do Poder Legislativo quando o assunto é o PJ e reclamou que falta coerência.

O aniversariante desta segunda-feira, vereador Sérgio Silva, usou seus cinco minutos para falar a questão da falta d’água. Lembrou que quando o ex-prefeito Paulo Luis Rabello (PPS) baixou o Decreto multando preventivamente quem desperdiçasse água foi bastante criticado, mas foi um ato de coragem e uma forma de evitar racionamento futuro.

Sobre as reclamações dos moradores de um trecho da Avenida Conceição Queiroz Marinho, que foi registrado pela Equipe Positiva e chegou até a ser pauta de reportagem na TV Alterosa, Sérgio classificou como descaso, ainda mais que a via leva o nome da mãe do atual secretário de Transportes e Obras José Gileno Marinho. Sérgio pediu atenção especial ao setor, mas sem citar o nome do chefe da pasta.

No Grande Expediente, Érik dos Reis falou novamente em estilo carioca, mencionando entre outros assuntos, uma entrevista dada pelo prefeito eleito Dr. Luiz Roberto a uma emissora de rádio, uma semana depois da Eleição em que ele anunciava a vinda de duas empresas, uma delas que fabrica peças para helicóptero e que o Dr. Clésio doaria um terreno para a implantação desta indústria. Ainda segundo Érik, a promessa era transformar a cidade, fazer uma nova Três Pontas, mas até hoje nada foi feito, pontou.

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