Treze famílias estão sendo beneficiadas com o Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR),  que chegou em Três Pontas através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais que busca reduzir o déficit habitacional rural incentivando a manutenção da família no campo e oferecendo moradia digna por meio de construção de novas moradias.

O projeto que ganhou o nome local de “Fixando o Homem no Campo”, beneficiou a família do casal Otacílio Gomes do Nascimento Filho (41) e Luciana Flávio Nascimento (39). Os trabalhadores como toda família, sonhavam com a casa própria, já que eles moravam há 40 anos numa mesma propriedade e o dinheiro que recebiam não era suficiente, nem mesmo juntando a economia do dois. O que deu para ser comprado foi um terreno de mil metros “no Fazendão”, entre Três Pontas e Varginha. Visitamos o casal junto com o presidente do Sindicato Vicente José da Silva. Lá encontramos Otacílio e Luciana trabalhando. A dedicação ao trabalho na roça agora é maior ainda, porque o suor debaixo de um sol forte é para terminar os últimos detalhes antes de mudarem definitivamente para o novo endereço. A casa tem dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro e uma área de serviço. Eles se emocionam ao falar das etapas que tiveram que vencer, da quantidade de documentos que tiveram que organizar e das idas na cidade ao Sindicato, que para Otacílio foi fundamental para que tudo desse certo. “Hoje vemos que a luta valeu a pena. Estamos preparando para nos mudarmos logo para a nossa casa”, revela o trabalhador rural.

A esposa dele, a dona Luciana trabalhou de servente na construção da casa e acompanhou cada tijolo que era colocado erguendo a sua residência. “Fazia muito tempo que a gente queria ter o nosso cantinho, do jeito que a gente planejava”, diz a dona de casa. Ela já planeja ampliar a cozinha e fazer uma garagem. Ainda trabalhando na Fazenda Sete Cachoeira duas vezes por semana ela vai até a casa nova para terminar de organizar tudo. Mesmo com a correria que está sua vida, ela nunca deixou de ir nas reuniões, seja durante a semana ou aos domingos para receber orientações obrigatórias do PNHR.

Daiane de Fátima Gomes de 27 anos e o marido Sidnei Moreira estão com a casa própria no Sítio Sabiá e ambos reconhecem que onde moravam havia poucas condições para eles criarem as filhas de 3 e 8 anos de idade antiga. Não existia conforto e tranqüilidade como estão vivendo a quatro meses com a morada nova. A chegada foi tumultuada, pois assim que casa ficou pronta o casal logo se mudou.

O marido foi quem mais trabalhou. Sidnei disse que a residência chegou na hora certa e teve o apoio dos familiares que também ajudaram. Sem falar no trabalho do Sindicato dos Trabalhadores que organizou toda a papelada. “É papel de mais da conta. São muitas dúvidas que surgem e se não fosse os funcionários de lá, estaríamos de ‘pés e mãos atados’.

A psicóloga que trabalhou como assistente social no projeto “Fixando o Homem no Campo”, Isabel Cristina de Oliveira explicou que é feito com as famílias um apanhado geral das condições sócio econômico delas. É preciso que eles tenham certeza que vão continuar na zona rural, pois se posteriormente precisarem fazer um financiamento para comprar um imóvel na cidade, isto ficará impossibilitado. Todas as 13 famílias passaram por palestras com orientações sobre os mais variados temas como tratamento da água, orientações nutricionais, higiene pessoal e cuidados com a  casa.

Contente e se sentido realizado, estava o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Vicente José da Silva que sempre ouvia falar da construção de casas próprias na cidade, depois o benefício chegou à zona rural. Desde o início ele sempre pensou em trazer o projeto para Três Pontas, porém, haviam muitas incertezas e faltava muitas informações. A determinação e dedicação fizeram com que a equipe da entidade liderada por ele, buscasse fazer a vontade se transformar em uma ação prática. “Com fé e coragem enfrentamos as dificuldades, não desanimamos e estamos colhendo um resultado positivo. Foi um ano inteiro de muito trabalho, com a ajuda da diretoria e funcionários o projeto deu seus frutos – 13 famílias morando no que agora são deles” reflete o sindicalista.

A procura já é grande, porém, é preciso se enquadras as exigências e critérios do governo. A família precisa ter a terra, mesmo que doada por alguém. Os beneficiários ajudam com o trabalho do servente, o restante é pago pelo programa. O Sindicato contrata um assistente social e um engenheiro para fazer os projetos.

O programa  se destina a agricultores que possuem renda até 15 mil anual, que residem no meio rural. Os recursos são do Orçamento Geral da União (OGU) e o acompanhamento do projeto é realizado pela Caixa Econômica Federal, onde após analise é feita a liberação dos recursos, conforme andamento da obra.

A contrapartida de cada família é devolver para o Governo Federal através da Caixa 4% do que receberam para construir. Uma casa de  R$25 mil vai retornar  R$ 1 mil dividido por 4, serão parcelas de R$ 250,00  por ano e em quatro anos está paga a casa. Realidade bem diferente de quem termina uma obra.

As casas estão localizadas nas propriedades: Fazendão, Comunidade da Espera, Bananeiras (2), Taquaral (2), Pinheiros, Morro Vermelho (2), Painico, Taboão, Campo da Onça e Água Suja.

(Denis Pereira – A Voz da Notícia)

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