Por Loui Jordan

Antes de qualquer coisa, não se trata de abdicar da economia em prol da saúde, muito menos abrir mão da saúde pela economia. Se trata sim, de hierarquizar procedimentos mais importantes no momento, tanto a saúde, quanto a economia, pois uma não sobrevive sem a outra. Bom, o efeito devastador do novo coronavírus tem se propagado por praticamente todas as áreas do Brasil, por se tratar de uma pandemia, o prejuízo pode ser grande, no entanto, existem formas de diminuir a eficácia que o vírus tem de deformar a economia e colocar em xeque a saúde de toda uma população.

Saúde ou economia? Os dois

Sim, é sabido que existem dois discursos que ecoam com mais voracidade, são eles: o discurso dos “alarmistas” e o discurso dos “negacionistas”. Portanto, existem alas que propagam um alarde que pode ser prejudicial, tendo em vista que muitos circuitos de saúde pública e privada no Brasil não possuem estrutura suficiente para dar assistência a um possível contingente elevado e também existem alas que tentam negar o tamanho do problema, mesmo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) tendo uma posição fixa e assertiva em relação aos procedimentos e protocolos que visam resguardar a vida e a saúde de todos.

É preciso dar suporte e retaguarda aos circuitos de saúde, isso gradativamente está acontecendo, embora o Brasil tenha agido de forma atrasada. Um exemplo positivo, são os hospitais de campanha, um negativo, é a explícita falta estrutural na saúde que o Brasil possui, ainda mais tendo uma demografia como a nossa, talvez os leitos não serão suficientes, talvez não terão máscaras para todos os profissionais de saúde e mais, talvez não tenham leitos para todos, mas ainda sim existe um atenuante, nenhum país está preparado para isso, mas o Brasil deveria estar  melhor ou pelo menos um pouco melhor para esse evento absolutamente não programado.

No que tange à economia, o Estado enquanto Governo Nacional, deve arbitrar em relação aos preços e mais, estabelecer um número de itens específicos limitado por compras de pessoa ou família. É claro, isso não é tão simples de fiscalizar, o Governo está agindo de forma lenta, por culpa do trâmite burocrático instalado em um sistema político falido, isso independe da gestão, seja ele vinculado ao centro, a direita ou à esquerda, infelizmente o Brasil nas suas plataformas políticas possui sequelas consideráveis.

Existem milhões de brasileiros que estão desempregados e na informalidade, fora os outros. Como foi dito, o Governo tem feito suas intervenções que ainda terão maior efeito, entretanto, é preciso mais e melhor na questão da velocidade. O Brasil não é uma potência econômica, mas ao fim do efeito do coronavirus, pode sofrer duras “sanções” no campo da saúde e da economia, por isso ambas, mais do que abastecidas, devem estar protegidas, com cautela, inteligência e visão a curto e médio prazo.

O descartável e o interessante no discurso de Bolsonaro

Embora o discurso do Presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, no pronunciamento em rede nacional do dia 31 de março, tenha sido mais equilibrado e menos inconsequente em relação ao anterior, do dia 24 do mesmo mês, algumas ressalvas merecem ser pontuadas. O lado interessante é que realmente a preocupação com a economia tem seu ponto de razão, o Brasil tem recursos que possuem limites pouco duradouros.

O problema, isto é, o lado descartável, foi o tom de desleixo para com a capacidade de alastramento do vírus. Muitos dizem que a Dengue causa mais mortes, bom, isso não está errado, o que causa preocupação com o vírus, é sua capacidade de se propagar com rapidez e deixando “rastros” durante um bom tempo se comparado com outros.

Por isso, são importantes, o isolamento e a precaução, mas é fundamental ficar atento a economia. Bolsonaro, desdenhou do vírus em seu pronunciamento do dia 24 de março, parecia estar mais preocupado com o desgaste que seu Governo teria na tentativa de sanar o problema, do que em criar soluções provisórias que visassem dar auxilio à saúde brasileira. A visão de Bolsonaro deve ser respeitada, estando ou não estando em uma democracia, respeitar é não ofender, é não desqualificar, mas respeitar não significa ausência de contestação sadia, ausência de questionamentos racionais, o zelo com o efeito das palavras também deve ser preservado, afinal de contas, vidas estão em jogo, se serão mais ou menos, isso depende da atuação conjunta do Governo, das áreas de saúde e da população.

O futuro incerto acena para os próximos capítulos

Não existe ao certo uma data que determine o término do efeito em massa do coronavírus. Qualquer data colocada com firmeza, é puro “achômetro”, como diz o nome, novo coronavírus, se refere a um vírus inédito em sua mais nova performance. Isto posto, é preciso observar o cenário com mais lucidez.

O Brasil investiu errado em certos momentos dos últimos anos. A título de exemplo, os investimentos nos eventos esportivos foram extrapolados, fizeram estádios em demasia, o dinheiro poderia, como na época foi sugerido, ser direcionado para a saúde. O legado não existe, o país não tem uma margem de erro que assegure ou que pelo menos conforte os brasileiros e governantes, se as coisas não acontecerem com espírito coletivo, os efeitos contra o coronavírus serão mais tímidos.

Um outro ponto, a política. É impressionante como alguns personagens políticos, não necessariamente do Brasil, aproveitam o momento crítico para endossar campanhas. Não se trata de uma guerra contra o vírus, por mais que o presente autor desta coluna de opinião saiba que é uma metáfora, o que realmente acontece é uma emergência sanitária, guerra é uma palavra que na ciência política possui outros “ingredientes”.

Em termos da esfera econômica, dos tributos e claro, da política monetária, os grandes bancos e pequenos, sejam os bancos quais forem, não deveriam aumentar a taxa de juros nesse momento, como poucos e grandes bancos têm feito, talvez para alguns seja compreensível e respeitoso, mas isso pode ser encarado como covardia.

No oportuno período, se faz necessário fazer um Política Fiscal Anticíclica, visando também as reservas cambiais e o tesouro nacional. Coisas como regras de ouro, teto de gasto, o patrão deve se comprometer a pagar o mesmo salário e não demitir, são coisas que caso feitas, ajudarão a sustentar o brasileiro nesse momento.

O câmbio brasileiro se desvalorizou antes da pandemia, isso era esperado. O Brasil não cobra tributos sobre lucros e dividendos das grandes corporações, só o Brasil e a Estônia, o resto do mundo cobra. Coisas como imposto progressivo sobre grandes fortunas e o imposto de renda progressivo sobre lucros e dividendos empresariais, revisão sobre renúncias fiscais, esses itens deveriam ser revistos no país da ordem e do progresso, isso seria benéfico para obter a economia mais forte e dar mais assistência à população e ainda sim, ter mais dinheiro em caixa. Um exemplo, o Ceará cobra 8% de imposto sobre heranças, São Paulo cobra 4% e está com o funcionalismo público sem reajuste há 4 anos, os Estados Unidos da América cobram 40% sobre as grandes heranças. Os norte-americanos não são o epicentro da economia atoa, eles sabem gerir a engrenagem sistêmica da economia.

A conta da pandemia e das ferramentas limitadas do Brasil diante do vírus, vai cair nas costas de todos os brasileiros, principalmente dos mais pobres. A saúde está sedenta por investimentos, não é de hoje isso, mas de muito tempo atrás. Os profissionais da saúde devem serem melhores cuidados pelo Estado, se bem que nem professores e policiais são, mas isso é uma questão do sistema político nacional, que é plutocrático. Independentemente de espectros políticos, a reforma deve ser feita, antes, durante e depois do coronavírus. A estrutura do Brasil respira por aparelhos, focar na saúde sem desgrudar da economia é a receita, no entanto, executar isso não será tarefa fácil, é uma meta mais do que coletiva, é uma meta nacional.

 

 

 

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