Fotos: Denis Pereira/Equipe Positiva

 

As escolas estaduais de Três Pontas aderiram à greve instalada no Estado de Minas Gerais desde o último dia 11. Os alunos de 6 das 7 escolas estão sem aulas por tempo indeterminado. Na manhã desta sexta-feira (28), alguns professores se reuniram no Coreto da Praça Cônego Victor com o diretor estadual do Sind-UTE Abdon Guimarães, com o objetivo de iniciar as manifestações. Outro encontro público está marcado para esta segunda-feira (02) a tarde.

Veja a entrevista com o diretor sindical Abdon Guimarães

Qual o motivo dessa greve que se iniciou em fevereiro?

Já são 20 dias de greve. A categoria entende que é o momento da gente pressionar o governo, porque na verdade temos o Piso Salarial que não recebemos reajustes desde 2016. Muitos desses nossos colegas aqui da educação não receberam seu 13º ainda. Sem falar no caos que virou a educação nesse início de ano. Todas as escolas no plano de atendimento não abriram vagas para vários alunos da comunidade e diante disso, vários professores e trabalhadores da educação, perderam suas aulas, perderam seus cargos. Foi aprovado na semana passada uma emenda de um projeto que estava na Assembleia Legislativa sobre a questão do reajuste para os profissionais da segurança pública. Nós não somos contra o reajuste para a segurança pública, só que nós temos uma Emenda aprovada lá também, que reajusta o salário de 70% do restante da categoria. Nós conseguimos pautar na Assembleia essa emenda e foi aprovada. Então, nós precisamos pressionar o governo para que sancione a emenda para que a gente possa vir a receber o nosso Piso Salarial em Minas Gerais.

Como está sendo a adesão dos profissionais em todo o estado à greve?

A greve ela está sendo construída desde o dia 11 de fevereiro e a cada dia a gente tem mais escolas paralisadas, como aqui em Três Pontas. Das sete escolas, nós temos seis paralisadas hoje e provavelmente a partir de segunda-feira nós teremos 100% de greve aqui nessa cidade, como em várias outras do Estado. A greve cresce porque o trabalhador de educação entende que agora é prioridade nós lutarmos pelos nossos direitos, lutarmos pelo nosso piso, lutar pela educação de qualidade e lutar pelo nosso emprego.

A greve tem prazo para acabar?

A greve tem tempo indeterminado. No próximo dia 5, nós teremos uma reunião com o governo pela manhã e teremos também uma Assembleia no pátio Legislativo às 14 horas, onde a categoria vai decidir os rumos da greve, se ela avança ou se ela termina. Se o governo negociar com a gente a gente vê o que faz, mas em todas as assembleias que nós tivemos, a categoria até agora entendeu que a greve continua, por isso que ela se fortalece.

Desde o início da greve, o Sindicato da categoria já foi chamado para uma negociação?

Não. Infelizmente nós tinhamos uma reunião com o governo no dia 20 do mês passado, mas ela foi desmarcada. Foi remarcada para o dia 5, que é o dia da nossa Assembléia. Então aguardamos que o governo realmente sente com a gente e negocie as nossas pautas e reivindicações para que a gente possa dialogar na Assembleia sobre o que aconteceu nessa reunião com o governo. Do contrário a gente vai para a Assembleia de mãos vazias de novo.

Vocês tem uma expectativa que esta situação seja resolvida ou não, antes mesmo desta assembleia?

“É muito difícil. O problema é que o governo passou o ano passado inteiro nos ignorando, por isso essa questão da greve também ter se instalado. Ano passado nós tivemos várias paralisações, vários momentos que a categoria parou, tentamos negociar com o governo as nossas faltas e o governo não nos atendeu. Então, a categoria entendeu que a partir do dia 11 teríamos greve. A cada assembleia a gente vai avaliando a respeito da greve e esperamos que o governo nos dê um retorno positivo na nossa reunião no dia 5 e sancione a emenda que está tramitando, e de o reajuste para todos do funcionalismo público no estado de Minas Gerais.

Quanto um professor hoje recebe atualmente e quanto ele deveria receber?

Hoje o professor que inicia sua carreira no Estado, tem vencimento básico de R$ 1.982, com uma defasagem de mais de 30% do nosso piso. O Piso já é lei desde 2017 e foi colocado aqui em Minas Gerais em 2018. Hoje o piso estaria em R$2.886, para cada cargo de um professor. Ou seja, são R$750 a menos todo mês e temos muitos trabalhadores da educação que tem dois cargos. São R$1.500 a menos no nosso contracheque, o que consideramos um absurdo e sofremos as consequências disso. Sem falar nas promoções e progressões, que são publicadas e nós não recebemos o retroativo.

Como os pais receberam essa notícia da greve?

Olha nós estamos tendo um diálogo muito bom com a comunidade escolar, porque foram vários perrengues que a comunidade escolar passou esse ano. Tivemos muitas cidades, inclusive em Três Pontas, escolas que tem demanda para matrículas e não são ofertadas. Não se abre turmas fora do plano de atendimento estipulado pelo governo, que deveria ser discutido com toda a comunidade escolar e não é. É estipulado pelo governo e empurrado ‘goela’ abaixo e infelizmente não atende a nossa comunidade escolar. E aí, como tivemos aqui em Três Pontas, problemas em várias escolas de que a matrícula não foi permitida e temos demanda. Precisamos abrir turmas para que os nossos jovens, as nossas crianças, possam estudar. Mas o governo infelizmente no seu plano de atendimento impede isso.

A gente houve falar que falta estrutura nas escolas, isso realmente acontece? É um fato isolado em Três Pontas ou é em todo o estado?

Toda a comunidade escolar e nós trabalhadores da educação, temos que compreender que a educação é investimento, não é um gasto e nunca foi. Temos que investir cada vez mais em educação pública no estado de Minas Gerais. Infelizmente, aqui em Minas Gerais, este investimento não está acontecendo já há algum tempo e agora mais gritante ainda. Temos ai a obrigatoriedade de que o governo tem que investir constitucionalmente 25% na educação do estado de Minas, mas hoje investe em média 17%, perdemos 8% e para onde foi isto? Pagar o Piso Nacional aqui em Minas Gerais, que também é lei, e está na Constituição mineira não está sendo cumprido. Os 12% na saúde também não estão sendo investidos.

Como fica o psicológico do professor que ano após ano fica nessa luta?

É muito complicado. Mas este ano o psicológico foi mais abalado, porque tiveram muitos problemas na questão da matrícula online. Como eu já falei tem muitos trabalhadores ficou sem seu cargo, era designado no passado e não conseguiram pegar contrato este ano, porque diminuíram os seus alunos. Diminuíram-se as turmas e não é por falta de demanda, é porque o governo não autoriza que mais turmas se abram. A gente vê que o governo a passos largos vem investindo na privatização da nossa educação pública. A partir do momento que você não acerta turmas, não oferta vagas, você está deixando o nosso povo sem escola. Infelizmente, aqui tem escolas em Três Pontas com demanda de 60, 70 alunos precisando de vagas no EJA e o governo não deixa abrir, uma, duas, três turmas. Isso é um absurdo. O povo quer estudar e o governo não quer ofertar.

O que você diria aos profissionais que ainda não pararam.

Precisamos de uma união de toda essa categoria, porque nós temos uma falta muito importante na nossa vida que é a questão do piso salarial, que é a questão da educação pública de qualidade, que é a questão do emprego. Precisamos que a gente esteja em greve com todos e todas, para que a gente possa nos unir e pressionar o governo, para que sancione as emendas, para que a gente acabe de uma vez com essa questão desse reajuste atrasado do Estado de Minas Gerais e que a gente possa discutir melhores dias nas nossas escolas estaduais.

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