Tendas montadas em frente a Câmara Municipal de São José da Barra, abriram o público durante Audiência. Fotos: Denis Pereira/Equipe Positiva

 

Denis Pereira e Silvano Alves
REPORTAGEM

Uma Audiência Pública realizada na manhã deste sábado (07), em São José da Barra, cidade sede da Usina Hidrelétrica de Furnas, discutiu a situação do Lago de Furnas. O encontro, desta vez, foi em frente à Câmara Municipal, que ficou lotada.

Os moradores das cidades banhadas pelo Lago, fizeram caravanas e acompanharam as manifestações de políticos, prefeitos, deputados estaduais, federais e autoridades do setor energético, durante o encontro que debateu com empresários e comerciantes que juntos, reivindicam que a cota mínima seja de 762 metros acima do nível do mar. Membros das associações de municípios também apoiam o movimento que ganhou força nos últimos dias. Participaram as associações – dos Municípios do Lago de Furnas (ALAGO), da Microrregião do Médio Rio Grande (AMEG), e da Microrregião Baixa Mogiana (AMOG).  Os municípios lindeiros da represa da usina Mascarenhas de Moraes (Peixoto) também estão reivindicando uma cota mínima.

Os deputados afirmaram que todos há bastante tempo trabalham a favor do nível do lago, seja na esfera estadual ou federal. Agora, todos estão engajados e unindo forças, já que a reclamação é geral: a água sumiu e o desemprego cresceu. Os oradores tiveram três minutos para falar, mas poucos seguiram o protocolo. Esta foi a segunda Audiência realizada esta semana. A primeira foi na quinta-feira (12), no Senado em Brasília.

Palco onde autoridades discursaram e defenderam o estabelecimento do nível do Lago de Furnas

O prefeito de Três Pontas Marcelo Chaves Garcia e os vereadores Sérgio Eugênio Silva, Geraldo José Prado, Érik dos Reis Roberto, Marlene Rosa Lima Oliveira e Antônio Carlos de Lima, foram na Audiência. Para o gestor trespontano, o Lago é importante demais para os municípios da região, por isto, é preciso unir forças para que este movimento alcance seus objetivos e atenda a reivindicação de todos.

O prefeito anfitrião Paulo Sérgio Leandro de Oliveira, abriu o debate e afirmou que todos estão no mesmo barco e precisam remar juntos, em prol da cota 762. Defendeu que Furnas é muito parceira do município de São José da Barra e acredita que estão chegando ao final desta luta.

O deputado federal Emidinho Madeira, que solicitou a Audiência, cobrou melhorias aos municípios, que deveriam ter sido feitas a muito tempo, desde quando chegou a 60 anos e não deixou que os agricultores colhessem seus alimentos plantados nesta área de foi inundada. “Assim, houve enxurrada de lágrimas de milhares de famílias, depressão e suicídio. Hoje em certos momentos não temos nem água, nem terra para plantar. Nada do que foi prometido foi cumprido. O Governo e Furnas nunca pensaram em chegar aqui e revitalizar, investir, proteger melhor as nossas nascentes”, reclamou. Há seis décadas, segundo o deputado, quando Furnas abre as turbinas a água vai embora, junto com a economia da região e os moradores ficam apenas com o desemprego. “Furnas leva a energia e deixa até hoje moradores tendo que usar balsa, como em Guapé, Itaci e Delfinópolis”, citou Emidinho.

O próprio deputado passou a comandar a audiência e ao anunciar a fala do deputado federal Diego Andrade, não economizou as palavras para enfatizar sua liderança no Congresso Nacional, em seu terceiro mandato. Lembrou que na semana passada, Diego conseguiu reunir 15 deputados com o ministro do Turismo Marcelo Álvaro, que é mineiro, onde o lago esteve na pauta.

Na opinião de Diego, onde está o lago existem histórias que precisam ser preservadas e citou o Distrito do Pontalete como referência em seu discurso. Confirmou que a luta pelas águas que banham os 34 municípios gerou a criação da maior frente parlamentar do Congresso, que tem o nome do ex presidente Itamar Franco.

O parlamentar que é líder do PSD na Câmara e coordenador da bancada mineira, defendeu em reunião com o presidente Bolsonaro a poucos dias, que o Governo Federal precisa incentivar a geração de energia fotovoltaica e não criar tributos para isto.

O deputado federal Odair Cunha, disse ficar feliz ao ver o movimento que une moradores que foram separados pelas águas. Defendeu que o uso da água seja múltiplo e não como está hoje, servindo apenas a Furnas. A lei para isto já existe, mas não está funcionando, por isto convocou os colegas do Congresso para que continuem unidos e não admitem mais o que está ocorrendo.

Já o deputado federal Fabiano Tolentino, concordou com os oradores que o antecedeu e disse que independente de posições políticas ou partidárias, a união precisa prevalecer, em favor do povo, que precisa da cota para se manterem.

O deputado estadual Mário Henrique “Caixa”, mencionou sua cidade natal, como grande prejudicada com a falta de água no lago. O problema se arrasta a anos e causa prejuízo para o turismo, fonte importante de renda, geração de empregos. Sem falar na piscicultura. “Minas precisa levantar essa bandeira, principalmente o nosso sul de Minas, ainda em tempo de recuperar o nosso querido Lago de Furnas, o nosso mar mineiro”, disse o deputado Caixa, que se colocou a disposição para ser um soldado nesta luta.

O vice presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Antônio Carlos Arantes, discursou que o lago mexe com a história de milhares de famílias e é preciso resgatar o que foi perdido a tanto tempo. Nesta busca, as esferas estaduais e federais lutam juntas.

Deputado estadual Caixa, prefeito de TP Marcelo Chaves e os deputados Emidinho Madeira e Diego Andrade

Para o deputado estadual Dalmo Ribeiro, este é um momento histórico de ouvir a população, que une políticos e tem como fonte de defesa, os senadores Anastasia, Rodrigo Pacheco e Carlos Viana. Na Audiência, Pacheco foi claro que quer uma resposta e que o Instituto de Criminalística da Polícia Federal, faça uma perícia para apurar se o baixo nível da Represa de Furnas, no Sul e Sudoeste de Minas Gerais, deve-se ao desvio da água do lago para ser usada no abastecimento da hidrovia Paraná-Tietê, em São Paulo.

Ulisses Gomes foi além. Disse que a cota 762 não atende a todos os municípios. Um deles é Campo do Meio, mas a região tem que buscar solução conjunta e se manter mobilizada, opinou o deputado estadual.

O superintendente de Furnas Mário Fernando Ellis, respondeu rapidamente no tempo que teve no palco da Audiência, que acompanha de perto, entende e vê a legitimidade no movimento. Porém, a empresa apenas cumpre o que é estabelecido pelo ONS, que tem a responsabilidade de fazer todo o despacho dessas usinas. Mário diz que Furnas tem buscado o caminho para atender ao pleito.

O Circuito Turístico do Lago de Furnas juntamente com os cinco circuitos – Nascentes da Gerais e Canastra, Vale Verde, Quedas D’Água, Brutas e Mar de Minas, Montanhas Cafeeiras e Lago de Furnas irão fazer um levantamento dos prejuízos do setor de turismo dos municípios da região e será entregue um relatório conjunto ao comitê da Bacia, aos deputados, senadores para uma base de dados.

Ao final do encontro, uma carreata com trio elétrico foi realizada até a barragem de Furnas, onde o movimento foi concluído com a execução do Hino Nacional.

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