O prefeito de Três Pontas Marcelo Chaves Garcia (PSD), se manifestou pela primeira vez a um veículo de comunicação da cidade, desde o início da pandemia do novo Coronavírus. Pertencente ao grupo de risco, o gestor tem trabalhado bastante em casa, onde tem despachado e tomado decisões importantes neste momento de crise, que afeta a saúde dos trespontanos e a economia da cidade. Em contato direto com sua equipe, Marcelo tem buscado discernimento e apoio de autoridades de outros setores para tomar uma decisão consciente que contribua com a melhora na economia, mas que não afete a saúde, com a aceleração da confirmação de casos de Covid-19.

Nas perguntas que Marcelo Chaves respondeu, ele aborda o reflexo de tudo que a pandemia está ocasionando no seu último ano de mandato, frente a Prefeitura, mas afirma que pelo que tem acompanhado Três Pontas está numa situação privilegiada.

Prefeito Marcelo, de que forma a pandemia do novo Coronavírus está afetando a sua gestão frente à Prefeitura?

Antes do coronavírus existiram apenas três pandemias tão graves: a peste negra e as gripes espanhola e a mais recente a suína. Assim, esse mandato, especialmente para os prefeitos mineiros foi desafiador. Logo que assumi, há exatamente dois anos, tive que encarar a greve dos caminhoneiros, o que comprometeu o abastecimento de todas as cidades brasileiras. Em seguida, o confisco dos recursos do municípios pelo governo da época do Estado de Minas Gerais, sendo a educação e a saúde as áreas mais afetadas. Agora, enfrentamos, infelizmente, a pandemia do Covid-19, justamente no momento em que estávamos num processo forte de industrialização e com a perspectiva da entrega de obras importantíssimas para toda a cidade. A pandemia atrapalhou tanto a área da saúde como as economias nacional e local.

Na sua opinião as pessoas conscientes do perigo que é este vírus?

As informações são muito desencontradas, parece que nem os especialistas estão conseguindo fazer afirmações sobre um vírus novo e desconhecido. É muito normal as pessoas estarem confusas. O mais importante é tomar as medidas de precaução ao contágio que são diariamente divulgadas pelos órgãos competentes.

Neste último ano de mandato, existem várias obras para serem feitas como a duplicação da estação de água Sete Cachoeiras, o término das obras de duas creches e o asfaltamento da estrada do Foguetinho. Você acha que a pandemia pode prejudicar o andamento destas melhorias? Porque?

Como já disse a pandemia desacelerou o planeta e não sabemos as consequências futuras. Porém, aqui em Três Pontas estou otimista em relação dessas obras de grande importância para a população.

Pequenos serviços rotineiros realizados pela Secretaria de Obras estão sendo comprometidos?

Com certeza a pandemia mudou a forma de trabalhar de todos. Pessoas acima de 60 anos, de grupos de risco estão sendo poupadas por questões de segurança para saúde. Ou seja, nossa força de trabalho reduziu. Além disso existe dificuldade na aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e atrasos nas entregas de materiais. Nossa grande meta governamental era na estiagem arrumar toda a cidade, zona urbana e zona rural, especialmente para o período da safra.

Há um mês, o prefeito baixou um Decreto determinando o fechamento do comércio. Mas gradativamente os estabelecimentos voltaram a funcionar de forma diferente, na expectativa de uma resposta da Prefeitura que ainda não veio. Porque não houve um novo Decreto impondo regras para reabrir o comércio?

Na minha opinião o ideal seria que a decisão de reabertura fosse tomada por várias autoridades conjuntamente. Um exemplo foi uma cidade vizinha que editou um decreto para reabertura e teve que voltar atrás por não ter consultado autoridades fiscalizadoras como o MP. Agora está tentando pela segunda vez a reabertura e já está com dificuldades, ao ponto do próprio Gestor declarar que se todo mundo não colaborar na prevenção ao coronavírus, cada um fazendo sua parte, haverá um novo fechamento do comércio. Nosso foco foi primeiro na educação e na conscientização da população, já que nossa realidade não será a mesma por um bom tempo segundo especialistas. E, principalmente, buscando uma decisão, que se não for conjunta, pelo menos seja em comum acordo. Não ficamos nem por um momento parados, apenas estudando e planejando a melhor forma de reabertura do comércio, objetivando redigir um Decreto que possa ser realmente cumprido por empresários, comerciantes e pelo próprio povo, mas evitando riscos para vida das pessoas.

Porque vocês queriam a opinião dos vereadores sobre a reabertura do comércio e oficiaram o Ministério Público? O Ministério Público já se posicionou sobre o comércio reabrir?

São poderes constituídos. A Câmara representa o povo e eles como representantes são procurados a todo momento e porta de entrada das demandas dos munícipes. Não temos condição neste momento de consultar a população inteira. Apenas queríamos opiniões no intuito de enriquecer o debate e em busca de soluções para nossa economia local. Quanto aos promotores, foram consultados porque são grandes aliados neste momento difícil. Além disso, resguardam os direitos dos cidadãos, inclusive o direito à saúde. Num primeiro momento orientaram pela continuidade do isolamento, conforme orientado pelo Comitê Estadual de Prevenção e Combate ao Coronavírus.

Vocês já tomaram uma decisão quanto ao comércio reabrir seguindo exigências para evitar o contágio?

Esta é uma pergunta que nos fazemos diariamente, várias vezes por dia. Se temos condições de reabrir, sem amanhã qualquer aumento no número de casos a reabertura seja a causa disso. Este é um cuidado que estamos tomando. Sugerimos ao Unis, que fosse feita uma pesquisa na microrregião de Varginha para ver se onde reabriu o comércio gradativamente, houve aumento no número de casos suspeitos. Tendo este resultado, vamos tentar ter um parâmetro mais concreto. Além disso, solicitamos um levantamento da nossa capacidade de atendimento em leitos de UTI, dentro dos parâmetros estabelecidos pelos últimos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. O comércio já está em funcionamento da forma permitida. Se a gente Decreta a reabertura a responsabilidade é muito grande. Estamos tentando fazer isso num consenso, por isto a intenção de ouvir a Câmara, o Ministério Público e a Polícia Militar, com a intenção de não colocar ninguém em risco. As orientações que estamos levando estão funcionando bem e é nisso que estamos apostando.

“Se a gente Decreta a reabertura a responsabilidade é muito grande”

Como você avalia o trabalho da Secretaria Municipal de Saúde?

Como excelente. Como já disse pegamos uma realidade de retenção de recursos para saúde pelo Estado de Minas Gerais. Repasses fundamentais para a Secretaria de Saúde e para o hospital continuarem em pleno funcionamento. Somente com a união de autoridades (como o Provedor sério e competente, e os deputados estadual e federal, Caixa e Diego) fomos vencendo um dia de cada vez e resguardando a saúde de toda população. Agora, uma pandemia viral é igual um furacão. A saúde já tem que conviver diariamente com as urgências que surgem, imagina numa situação declarada de emergência e calamidade pública. Nossa equipe é mil. Só tenho a agradecer.

Três Pontas registrando o segundo caso de Coronavírus o preocupa prefeito?

Muito. Estou em constante oração, como todos os brasileiros, para que esse pesadelo passe rápido. Porém, posso afirmar que pelo que acompanho Três Pontas está numa situação privilegiada. Inclusive, com ações de combate reconhecidas nacionalmente como os laranjinhas na instrução da população quanto ao distanciamento, uso de máscaras e álcool gel, e ainda, orientando evitar aglomerações chamados pela imprensa de “espanta bolinhos”. Além disso, a caridade do nosso povo chama a atenção, empresários e voluntários, fazem doações diárias, inclusive para a aquisição de respiradores para os leitos de UTI no Hospital.

O município está perdendo receitas e tendo que investir pesado no enfrentamento ao Coronavírus. Isto pode atrapalhar as finanças do Município?

A queda na receita municipal é sempre preocupante. Necessitamos desses recursos para manutenção dos serviços à população. A área da saúde já consome, via de regra, 30 % do orçamento público. Com a pandemia fica ainda mais difícil, basta imaginar que se existissem respiradores no Brasil para adquirir, estariam em torno de 60.000 (último preço que ouvi). Ou seja, inaugurar leitos de UTI neste momento é uma missão árdua. Agradeço imensamente todos os envolvidos.

Qual a mensagem o prefeito deixa aos trespontanos neste momento?

Três Pontas é um local abençoado, de pessoas ordeiras e com muito amor para com o próximo. Isso me dá fé e esperança que este será apenas mais um capítulo vencido pelo nosso povo. Agradeço imensamente os grandes corações que habitam nossa amada cidade.

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